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O
poder viciante do açúcar
Aquela vontade louca de comer
um docinho pode ser mais perigosa do que
se imagina. Embora seja uma unanimidade
no gosto popular, muita gente não
sabe que o pozinho branco que adoça
nosso paladar funciona como uma droga poderosa,
que vicia tanto quanto o álcool,
a cocaína e outras substâncias
pesadas. Em homenagem ao dia Mundial do
Diabetes, comemorado no dia 14 de novembro,
a nossa conversa será sobre o principal
vilão da doença: o açúcar.
Uma pesquisa realizada,
em 2002, pelo Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas de São
Paulo mostrou que existem pessoas que comem
até um quilo de chocolate de uma
só vez. Nos casos mais desesperadores,
os dependentes cometem loucuras, como sair
durante a madrugada para comprar balas,
largar uma reunião de trabalho no
meio para devorar uma barra de chocolate,
e até mesmo se deliciar com açúcar
puro.
Para muita gente, comer
um doce transmite a imediata sensação
de bem-estar e euforia, o que comprova a
associação direta do açúcar
a problemas psicológicos, como o
medo e a ansiedade. O açúcar
entra na corrente sanguínea e, a
partir daí, eleva excessivamente
o nível de serotonina e insulina
no sangue. Logo em seguida, esse nível
desce, fazendo com que a pessoa necessite
de mais e mais. Esse ciclo se transforma
numa dependência não só
psicológica, como física.
A dependência do açúcar
é um fato comum e começa logo
após o nascimento. O paladar dos
bebês é ativado com as mamadeiras
adoçadas. Quando crianças,
o açúcar passa a ser sinônimo
de recompensa, e as mães, pais e
avós, começam a adoçar
a raiva e a tristeza dos pequenos, com balas,
sorvetes e bombons. A criança aprende
essa associação e passa a
recorrer ao açúcar sempre
que necessário. Assim começa
a chamada dependência psicológica.
O açúcar está
presente em quase todos os produtos que
consumimos. Cada indivíduo consome
diariamente cerca de 300 gramas de açúcar.
Um homem pode consumir até 10 quilos
de açúcar por mês. Muito
se discute sobre quais são os verdadeiros
males que a substância provoca em
nosso organismo e o que são apenas
mitos. Além da dependência,
o açúcar está diretamente
associado a outras doenças graves.
A obesidade é o problema mais comum.
Estima-se que 75% das pessoas que tenham
algum tipo de compulsão alimentar
estejam fora do peso. A ingestão
em grande quantidade também pode
sobrecarregar o pâncreas, que produzirá
mais insulina para metabolizar o açúcar.
Com o tempo, o órgão pode
entrar em falência parcial, o que
representa o primeiro passo para a diabetes.
Para driblar a vontade de
consumir doce, e evitar problemas futuros,
é possível adotar muitas estratégias,
como respeitar os horários das refeições,
não fazer jejum ou ficar muito tempo
sem comer, evitar estocar doces e balas
em casa ou no trabalho e substituir alimentos
ricos em açúcar por verduras
e legumes. Para que a compulsão alimentar
e a dependência da substância
não falem mais alto, é preciso,
antes de tudo, tentar ao máximo desviar
a própria atenção quando
bater aquela vontade incontrolável
de comer a primeira barra de chocolate.
Yara Daros
é psicóloga e trabalha com
distúrbios alimentares há
11 anos. É criadora do método
de emagrecimento Forma Leve, programa que
existe há sete anos e conta com uma
equipe formada por psicólogos e nutricionistas,
que acompanham não só a alimentação
dos pacientes, mas também a estrutura
emocional.
Contato: yaraformaleve@gmail.com
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