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Efeito
sanfona
Engorda no inverno, emagrece
no verão. No período que antecede
a temporada do calor, a busca pelo corpo
perfeito lota academias de ginástica,
consultórios médicos e faz
a festa de quem vende a ilusão de
métodos milagrosos à base
de chás, shakes e fórmulas
pouco confiáveis. Atualmente, cerca
de 40% da população brasileira
está acima do peso ideal, o que coloca
o Brasil em sexto lugar no ranking mundial
da balança. Segundo a Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso),
entre as mais de 200 substâncias usadas
no país, hoje, para tratar a obesidade,
apenas duas são recomendadas pelos
médicos.
Como a maioria das pessoas
busca de forma obsessiva perder peso com
dietas restritivas, que não têm
efeitos em longo prazo, os quilos perdidos
são facilmente recuperados. Principalmente
após os 30 anos, quando o ritmo do
metabolismo é naturalmente reduzido.
Por outro lado, como o corpo precisa de
nutrientes diariamente, a restrição
de alguns itens que compõem uma dieta
balanceada e o controle excessivo de calorias
provocam riscos à saúde.
Da mesma forma, o emagrecimento
rápido, com uso irresponsável
de remédios, numa busca vazia de
perseguir o padrão estético
das páginas das revistas, é
tão perigoso quanto a questão
da obesidade. De acordo com uma pesquisa
feita pela ONU, o Brasil tem o maior consumo
mundial per capita de remédios para
emagrecer. Calcula-se 9,1 doses diárias
por mil habitantes, no período entre
2002 e 2004 - um aumento de mais de 20%
em relação ao período
de 1992 a 1994.
Antes de tudo, é
preciso entender as causas do sobrepeso.
Perceber se a necessidade do consumo dos
alimentos, por exemplo, é motivada
não pela fome, mas pela vontade excessiva
- a chamada compulsão alimentar -
pode ser o primeiro passo. O transtorno
é causado por um movimento compensatório
de perdas (depressão, ansiedade,
baixa estima, raiva, solidão etc)
e tem sido responsável pela maioria
dos casos de sobrepeso e obesidade.
Se a inspiração
do verão representar o início
de uma reeducação alimentar
que se estenderá pelos próximos
anos, o processo de emagrecimento é
válido. Mas se a idéia tiver
a duração da temporada de
praias, é bom repensar. As soluções
milagrosas com o tempo perdem o efeito e
ainda podem acarretar em sérias doenças.
Mais importante que a magreza temporária
é a mudança nos hábitos
alimentares. Permitir-se engordar no inverno,
por exemplo, quando a cobrança pela
rigidez abdominal é menor, é
mascarar um problema. Quando cada um estiver
disposto a zelar pela saúde do corpo
e da mente, o equilíbrio será
conseqüência natural. O corpinho
sarado do verão, se não for
conquistado com exercício e alimentação
balanceada, pode custar caro.
Yara Daros
é psicóloga e trabalha com
distúrbios alimentares há
11 anos. É criadora do método
de emagrecimento Forma Leve, programa que
existe há sete anos e conta com uma
equipe formada por psicólogos e nutricionistas,
que acompanham não só a alimentação
dos pacientes, mas também a estrutura
emocional.
Contato: yaraformaleve@gmail.com
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