Forma Leve
Yara Daros
 

Alimentação noturna

Comer à noite é uma das grandes dificuldades de quem pretende manter a forma, e talvez um dos maiores geradores de mitos e crenças que cercam as dietas. Muita gente tem dúvidas sobre o que se deve comer e, principalmente, se o jantar é uma refeição fundamental, ou se pode ser “eliminado” da rotina diária. Mas, afinal, por que depois que o sol se põe parece que a vontade de comer triplica? Para emagrecer é preciso cortar os carboidratos depois das 18h? Parar de jantar é a solução para perder peso?

Entre todas as polêmicas que existem em torno do assunto, uma coisa é certa: à noite, as refeições devem ser mais leves, pois o metabolismo é mais lento. Mas, também é importante lembrar que o jantar é uma refeição indispensável, sendo, portanto, um erro deixar de realizá-la com a intenção de reduzir o peso corporal. O ideal é equilibrar o que se come.

Algumas pessoas tendem a visitar a geladeira à noite mais do que deveriam, principalmente, à procura de doces. Se você se enquadra nesse perfil, possivelmente sofre de compulsão alimentar noturna. Os portadores deste distúrbio geralmente possuem hábitos alimentares adequados durante o dia, mas à noite sentem uma enorme necessidade de comer. Também é muito comum que os compulsivos escondam os alimentos que comem, por sentirem culpa ao fazer isso.

O problema tem uma explicação científica. No início da noite, os níveis de serotonina - neurotransmissor vinculado à regulação da saciedade e da fome - no organismo caem, levando à ânsia por comida. O problema fica ainda maior em pessoas com déficit de produção de serotonina, que pode ser causado, inclusive, por erros na alimentação. O erro mais comum é o consumo excessivo de carboidratos (pão, massa, doce) ao longo do dia. A digestão desses alimentos eleva os níveis de insulina no corpo, que provoca a redução da serotonina.
A primeira providência para regular a fome noturna é controlar a produção de insulina e manter os níveis de serotonina elevados. Para isso, é preciso ter uma alimentação equilibrada durante o dia, que deve ser dividida em três refeições principais com carboidratos - como cereais, arroz, massas integrais -, e dois pequenos lanches. Os carboidratos podem, sim, ser ingeridos depois das 18h, desde que nas quantidades adequadas.

Para que o jantar seja balanceado, é necessário que a refeição tenha produtos como cereais, leguminosas, carnes, verduras, legumes e frutas. E procure comer alimentos ricos em fibras, que aumentam a sensação de saciedade, impedindo que você tenha fome logo depois de jantar. Para quem pratica exercícios físicos à noite, os carboidratos “do bem” (arroz, batata, milho, aipim) são importantes para repor a energia gasta durante o exercício.

Esqueça essa história de parar de jantar e fazer jejum para emagrecer. A refeição noturna é importantíssima para o organismo, mas é essencial que seja feita no mínimo duas horas e meia antes de deitar, para evitar desconfortos e prejuízos ao sono.

Yara Daros é psicóloga e trabalha com distúrbios alimentares há 11 anos. É criadora do método de emagrecimento Forma Leve, programa que existe há sete anos e conta com uma equipe formada por psicólogos e nutricionistas, que acompanham não só a alimentação dos pacientes, mas também a estrutura emocional.

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