| Pílulas
mágicas e perigosas
Um comprimido por dia e
a vontade de comer uma barra inteira de
chocolate some como um passe de mágica.
Parece tentador para quem anda de mal com
a forma física. Mas o que muita gente
não se dá conta é de
que, muito mais que um corpo magro, esses
comprimidos trazem uma série de efeitos
colaterais graves.
Com a chegada do verão,
o desejo da maioria das pessoas é
o de entrar em forma o mais rápido
possível, antes que a estação
acabe. Os remédios inibidores de
apetite estão no topo da lista de
preferências para alcançar
esse objetivo, principalmente para as mulheres.
Segundo relatório das Nações
Unidas (ONU), o Brasil é o país
que tem o maior consumo de anfetaminas (substâncias
que tiram o apetite) do mundo, sendo que
92% dos consumidores são as mulheres,
segundo o Centro Brasileiro de Informações
sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid).
Apesar de oferecer um rápido
resultado, os remédios trazem uma
lista extensa de problemas para quem os
utiliza. Junto com o apetite magrinho, vem
reações como boca seca, alterações
de humor, dor de cabeça, insônia,
taquicardia, euforia, falta de ar, hipertensão,
irritação, dependência,
prisão de ventre, depressão,
além de crises de ansiedade e pânico.
E ainda existe um grande risco de engordar
os quilos que perdeu e ganhar outros mais.
Isso mostra a enorme responsabilidade
de um médico quando prescreve a substância
para pessoas que não precisam. As
anfetaminas só deveriam ser indicadas
para pacientes com índice de massa
corpórea (IMC) maior de 30 ou aqueles
com IMC entre 26 e 30, com histórico
de colesterol alto, pressão alta
ou diabetes.
Para reverter esse quadro,
a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) acaba de lançar
novas regras para aumentar o controle sobre
a venda desses medicamentos. Uma das medidas
limita a quantidade do remédio que
o médico pode prescrever em cada
receita. A resolução determina
ainda as doses máximas de cada substância
e proíbe o uso de inibidores associado
com laxantes, diuréticos, remédios
para ansiedade ou depressão.
Depositar todas as suas
esperanças de ter um corpo ideal
para o verão nessas pílulas
é assumir que não é
capaz. A magia pode durar pouco e trazer
muitos problemas. E, normalmente, quem opta
por esse caminho sai enfraquecido e com
a auto-estima abalada para encarar mais
uma vez o difícil processo de emagrecimento.
Ainda insisto na idéia de que para
emagrecer com saúde é preciso
ter três atitudes – acreditar
em você mesmo, fazer uma reeducação
alimentar e praticar exercícios.
Fórmulas mágicas são
pura ilusão.
Yara Daros
é psicóloga e trabalha com
distúrbios alimentares há
11 anos. É criadora do método
de emagrecimento Forma Leve, programa que
existe há sete anos e conta com uma
equipe formada por psicólogos e nutricionistas,
que acompanham não só a alimentação
dos pacientes, mas também a estrutura
emocional.
Contato: yaraformaleve@gmail.com
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