Forma Leve
Yara Daros
 

Espelho, espelho meu

Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita que eu? Pode parecer enredo de história infantil, mas esta é a pergunta que muitas mulheres fazem a si mesmas quando estão na frente do espelho. Na maioria das vezes, não é porque se consideram as mais bonitas, e sim, porque nunca estão satisfeitas com a sua própria aparência. Se estiverem um pouco acima do peso então, aí os espelhos se tornam ainda mais cruéis. Mas o que é ser bonito? Será que essa busca incessante significa sempre saúde e bem-estar ou se dá apenas pela necessidade de alcançar um padrão estabelecido?

Muitas pessoas estão insatisfeitas com seu peso, mesmo estando visivelmente em boa forma. Essa confusão da imagem real com a ideal está relacionada com a autopercepção corporal de cada indivíduo. Um estudo feito no Rio de Janeiro com 844 adultos mostrou que homens e mulheres estão freqüentemente insatisfeitos com seu peso corporal, já que apenas 22% dos homens e 15% das mulheres desejavam manter seu peso atual.

A imagem corporal é a percepção tridimensional que todos têm de si mesmos e está em constante reconstrução. Ela pode ser distorcida por vários motivos, que vão desde a exigência exagerada à magreza e transtornos alimentares a problemas psicológicos. Esta percepção está relacionada também com a auto-estima. Se um indivíduo possui uma grande auto-estima, tende a se ver de forma mais idealizada, ou seja, “melhorada”. Por outro lado, é cada vez maior o número de pessoas – principalmente mulheres – que possuem um alto grau de exigência com relação ao corpo e, consequentemente, apresentam baixa auto-estima.

Na ânsia de se enquadrar nos atuais padrões de beleza, algumas pessoas travam uma busca insaciável pela perfeição física. Para obter o corpo escultural e a aparência jovial, enfrentam cirurgias plásticas, experimentam os mais variados tipos de tratamento, alteram hábitos alimentares, entre outras alternativas.

Por outro lado, algumas pessoas, por mais que não estejam satisfeitas com o seu peso, nem sempre fazem uma atividade física e um controle alimentar para mudar a situação, seja pela correria do cotidiano ou até mesmo pela falta de companhia e de ânimo. Desta forma, elas estão constantemente insatisfeitas esperando chegar a próxima segunda-feira para iniciarem uma nova dieta ou entrar na academia.

É preciso encontrar um equilíbrio entre os dois extremos. Antes de olharmos para nosso corpo diante de um espelho, devemos nos aceitar como realmente somos sem medos e receios. A certeza de estarmos realmente nos vendo nos impulsionará a olhar o restante do nosso corpo mais tranqüilos, verdadeiros, sem tendência aos exageros. Quem não estiver satisfeito, mude já, mas com cautela. O que devemos buscar é a nossa felicidade, independente de qual imagem esteja refletida no espelho.

Yara Daros é psicóloga e trabalha com distúrbios alimentares há 11 anos. É criadora do método de emagrecimento Forma Leve, programa que existe há sete anos e conta com uma equipe formada por psicólogos e nutricionistas, que acompanham não só a alimentação dos pacientes, mas também a estrutura emocional.

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