| Comer
para fugir
Todos que estão lendo
essa coluna agora já tiveram um problema
sério ou passaram por alguma decepção,
seja ela amorosa, profissional ou causada
por uma grande perda. Até aí,
tudo muito normal. Mas algumas pessoas têm
muita dificuldade de lidar com esses obstáculos
e tentam encontrar uma rota de fuga para
qualquer problema que aparece. E, por mais
incrível que possa parecer, uma das
formas mais usadas para fugir é a
comida.
Quem nunca sentiu vontade
de comer uma barra de chocolate inteira
quando se sentiu solitário ou estava
ansioso para saber o resultado de uma prova?
Ou então quis devorar um pacote de
biscoito depois de brigar com o namorado?
O que muita gente não sabe é
que essa fuga, a princípio sem importância,
pode gerar um problema sério no futuro,
a compulsão alimentar.
Quem tem o problema sofre
profundamente com a ansiedade e com a incapacidade
de se controlar. Muitas pessoas desconhecem
totalmente a questão e atribuem a
perda de controle com a preguiça
de mudar. Mas a verdade é que o comer
compulsivo é uma desordem clínica
grave, de fundo emocional e patológico,
ligada à ansiedade e que atinge principalmente
mulheres jovens e inseguras. É muito
diferente da vontade que, em geral, se tem
de atacar a geladeira num determinado dia.
Vai mais além: o comedor compulsivo
não escolhe quando e nem quanto vai
comer, e isso passa a ser incontrolável.
Portanto, na hora que um
problema aparecer não se esconda
dentro de uma panela de brigadeiro. É
preciso enfrentar os desafios da vida e
aprender com eles. Afinal, as dificuldades
nunca deixarão de surgir. Além
disso, vale seguir algumas dicas. É
importante se alimentar em intervalos regulares,
e não ficar horas seguidas sem comer.
Também é indicado procurar
um tratamento psicológico. E quando
sentir uma vontade incontrolável
de comer busque alternativas prazerosas
como caminhar, ler, ver um bom filme ou
qualquer outra atividade que distraia. Não
tenha medo dos problemas, eles podem se
tornar uma lição positiva
se a gente quiser.
Yara
Daros é psicóloga e trabalha
com distúrbios alimentares há
11 anos. É criadora do método
de emagrecimento Forma Leve, programa que
existe há sete anos e conta com uma
equipe formada por psicólogos e nutricionistas,
que acompanham não só a alimentação
dos pacientes, mas também a estrutura
emocional.
Para falar com a colunista
envie mensagem para
formaleve@solteirosesolteiras.com.br
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