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Limpando
a gaveta
Quem trabalha muitas horas
diante do computador sabe que sempre há
um espaço na mesa ou dentro da gaveta
para uma balinha, uma barra de chocolate
ou um pacote de biscoitos. Tudo para saciar
aquela “fome fora de hora”.
Segundo uma pesquisa realizada pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT), a má
alimentação no local trabalho,
além de problemas de saúde,
causam perdas de até 20% na produtividade.
Embora demonstre apenas uma gula excessiva,
muitas vezes o mau hábito está
relacionado à ansiedade, cobrança
profissional excessiva, ou mesmo sérios
problemas de saúde, como a compulsão
alimentar, distúrbio identificado
pela ingestão descontrolada de alimentos.
Além de perda da
produtividade, as conseqüências
são ainda maiores na ótica
do empregador: pesquisas recentes apontam
o sobrepeso como um dos grandes responsáveis
pelo aumento de 44% nos gastos com assistência
médica nas empresas.
Quem trabalha (ou estuda)
comendo, não degusta, nem saboreia
o alimento, pois está apenas aliviando
momentaneamente uma tensão. Por outro
lado, o cérebro desenvolve uma dependência
e passa a relacionar essas atividades à
necessidade do alimento. O hábito
da ingestão freqüente de açúcar,
por exemplo, vicia tanto quanto a nicotina
ou a cocaína. Da mesma forma, o inofensivo
cafezinho, quando consumido em excesso (acima
de 3,5 xícaras), acarreta até
lapsos de concentração e estresse.
Limpar as gavetas é,
sem dúvida, o primeiro passo para
eliminar o vício compulsivo. Duas
outras soluções para esses
problemas podem ser a prática de
esportes, que alivia os sintomas da ansiedade,
do estresse; e a substituição
das guloseimas por frutas. Fazer as refeições
nos mesmos horários também
é uma alternativa eficiente de reeducação
do organismo e de controle da vontade de
comer enquanto desempenha as funções
profissionais. E não apenas isso:
incentivar os colegas a fazerem substituições
alimentares para evitar o mau hábito
coletivo pode ajudar bastante.
A vontade compulsiva de
comer dura, em média, oito minutos.
Neste período, procure relaxar, respirando
longamente ou até mesmo fazer um
pequeno alongamento. A concentração
é imprescindível para controlar
a compulsão. A conhecida regra do
“só por hoje” também
se aplica neste caso. Recusar um bombom
“só por hoje” faz uma
enorme diferença. Afinal, mudar hábitos
é um trabalho permanente. Paralelo
aos fatores externos que causam ansiedade,
o caminho para alcançar uma alimentação
equilibrada deve ser trilhado sozinho com
a plena certeza de que o maior beneficiado
será você mesmo.
Yara Daros
é psicóloga e trabalha com
distúrbios alimentares há
11 anos. É criadora do método
de emagrecimento Forma Leve, programa que
existe há sete anos e conta com uma
equipe formada por psicólogos e nutricionistas,
que acompanham não só a alimentação
dos pacientes, mas também a estrutura
emocional.
Contato: yaraformaleve@gmail.com
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