 |
Preocupadas com o
futuro, determinantes na educação
dos filhos e executivas de sucesso, elas
pagam as contas e vivem o desafio de mostrar
que são capazes, também, de
garantir um futuro mais tranquilidade para
toda a família.
Todos
os dias, das 9h às 19h, ela circula
com o seu taxi pelas ruas do Rio de Janeiro
à procura de passageiros. À
noite, ajuda a filha mais nova cuidando
do neto e dos afazeres domésticos.
Seria a rotina de uma pessoa normal se essa
mulher não tivesse 57 anos e não
fosse aposentada pela previdência
pública e privada. Mais do que isso:
se ela não cuidasse sozinha da sua
casa. Maria Emília Vilares faz parte
do contingente dos 30% de mulheres que chefiam
o lar no Brasil. Há cerca de dez
anos atrás, em 1996, essa proporção
era bem menor: 21,6%. Enquanto as casas
lideradas por homens cresceram apenas 25%,
as chefiadas pelas chamadas “representantes
do sexo frágil” aumentaram
79%.
Segundos dados divulgados recentemente
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), Maria Emília
é apenas uma das 18,5 milhões
de mulheres brasileiras que estão
no mercado de trabalho. Entre os anos de
1996 e 2006, o nível de ocupação
das mulheres aumentou 5 pontos percentuais,
enquanto o dos homens sofreu redução
de 1 ponto percentual.
Reflexo de uma das mais importantes transformações
sociais da história brasileira, o
cenário das últimas pesquisas
aponta para um diagnóstico claro
que a sociedade já percebeu há
algum tempo: a época da submissão
acabou. Hoje, as mulheres não só
vivem mais – a expectativa de vida
dela é de 75,8 anos, enquanto a dos
homens é 68,2 -, como estão
avançando em territórios antes
exclusivamente masculinos (passando, por
exemplo, a ocupar cargos de comando nas
empresas) e, principalmente, integrando-se
mais ativamente na vida social.
“Apesar de sempre ter exercido uma
contribuição ativa na economia,
a população feminina nunca
teve tão bem colocada no mercado
de trabalho e com o alto índice educacional
como hoje”, disse José Eustáquio
Diniz Alves, coordenador do Programa de
Pós-Graduação da Escola
Nacional de Ciências Estatísticas
(ENCE), durante a 4º Conferência
Brasileira de Seguros, Resseguros, Previdência
Privada, Saúde Suplementar e Capitalização
(Conseguro), que aconteceu em setembro no
Rio de Janeiro. Dados do IBGE revelam que
das pessoas entre 20 e 29 anos que têm
curso superior, 60% são mulheres
e 40% são homens. E mais: a média
de estudo da mulher entre 1950 e 1980 era
de 2,1 anos. Segundo as projeções,
de 2000 a 2030, a mulher chegará
a estudar, em média, 8,5 anos.
Sensível às transformações
sociais, o mercado de previdência
privada já começa a refletir
as mudanças desse novo cenário,
adaptando-se às demandas femininas.
Hoje, as mulheres representam uma média
de 45% do total de clientes desse mercado.
Na Mongeral Seguros & Previdência
(www.mongeral.com.br), empresa com mais
de 170 anos de mercado e que acompanhou
de perto as transformações
demográficas e sociais do Brasil
nas últimas décadas, 56% dos
clientes são mulheres. “Nos
últimos cinco anos começou
uma procura cada vez maior do público
feminino. A empresa percebeu esse mercado
e se adaptou a elas, criando coberturas
exclusivas”, afirma o diretor de marketing
da companhia, Luiz Cláudio Friedheim.
Além de investirem para si mesmas,
são elas as que se preocupam com
o futuro dos filhos e adquirem planos que
garantem a eles uma reserva financeira,
seja para investir na educação,
viajar, abrir o próprio negócio
ou viabilizar uma aposentadoria digna. Hoje,
35% dos planos para crianças da companhia
são comprados pelas mães.
“Ao adquirirem planos de previdência
para elas próprias, as mulheres costumam
pensar também nos filhos”,
explica Friedheim. Na Mongeral, 10% dos
clientes de planos de previdência
são menores de 18 anos. Destes, 35%
são adquiridos pelas mães.
Um plano de previdência privada
para ela e para os filhos é o que
a publicitária Rafaela Schimitz,
de 45 anos, quis garantir para o futuro.
Independente de estar com dinheiro sobrando
ou não na conta, Rafael faz o aporte
mensalmente. “Para mim, isso é
uma tarefa quase que religiosa. Coloquei
a mensalidade até mesmo no débito
automático”, diz a publicitária.
Além do aumento do espaço
da mulher em mercados antes explorados pelos
homens, o cenário na previdência
reflete um processo de evolução
cultural do país: elas estão
se preparando para o futuro e garantindo
para os filhos a mesma segurança.
Se, há alguns anos, as mulheres nem
participavam das questões financeiras,
hoje, são elas que definem o consumo
e convencem seus maridos a realizarem investimentos
para a família. Mais do que isso:
são mais disciplinadas. Enquanto
os homem fazem aportes esporádicos,
em valores mais altos, as mulheres têm
mais disciplina. Os investimentos realizados
por elas normalmente são regulares,
o que sugere um planejamento financeiro
maior.
Para Rafaela, o que a preocupa é
não ter começado como o investimento
mais cedo, já que ela optou pela
previdência depois que ela separou-se
do marido e viu que deveria planejar-se
para o futuro. “Hoje, que estou perto
de me aposentar, penso que deveria ter começado
mais cedo. O que me conforta é que
pelo menos passei para os meus filhos a
importância do planejamento financeiro
e da preocupação com o futuro”,
comemora.
Chefes de família, preocupadas
com o futuro, determinantes na educação
dos filhos e executivas de sucesso. Hoje,
as mulheres enfrentam o desafio de mostrar
que são capazes profissionalmente,
sem perder de vista seus sonhos pessoais.
Com poder e voz de comando equivalentes
aos dos homens, as Maria Emílias
de hoje estão prontas para acabar
com o estigma da supremacia masculina. E
ai das empresas quem não se prepararem
para garantir a elas esse direito.
|
 |