Serviço em dobro

Não há mãe no mundo que não garanta que seus filhos são a sua razão de viver e para vê-los felizes e proporcionar uma boa educação são capazes de tudo. Contudo a vida nem sempre é fácil, e muitas mulheres enfrentam a barra de criarem seus rebentos sozinha. Trabalhar e ser uma boa mãe parece ser impossível, mas todas precisam aprender a lidar com a situação, principalmente em benefício da relação com os filhos.

Conciliar a criação dos filhos com o trabalho pode ser desesperador, ainda mais quando se é solteira. Segundo dados do IBGE de 2006, dos 59 milhões de arranjos familiares registrados, 8.864 milhões são mulheres solteiras com filhos e sem ajuda de parentes, já 1,8 milhão contam com algum auxílio. Não ter ajuda de um pai, ou de alguém em casa, pode prejudicar na educação da criança, que exige cuidados especiais e intensa atenção. Principalmente quando se precisa trabalhar fora. Mas, como lidar com isto? Algumas linhas de psicologia afirmam que o diálogo com os filhos é essencial. A partir do momento que a criança consegue conversar, ela pode compreender o que acontece em torno da sua vida. Só que mostrar para os filhos que a mãe precisa trabalhar, e não pode ficar com eles, é uma tarefa árdua.

A educadora Eliana Assis, de 56 anos, criou as duas filhas sozinha após a separação, mas o pai das meninas sempre foi presente. Eliana garante que conversou muita com as duas e que elas não sofreram com a situação. “Foi muito fácil cuidar delas estando separada. O fato de trabalhar na área de educação, e ter sido sempre muito independente, facilitou minha compreensão. Não tive problemas de relacionamentos com as meninas e nem com o pai delas”. Eliana foi dona de uma escola e teve a sorte que poucas mães possuem: a de poder educar as filhas durante o horário de trabalho. “Como tinha uma escola de educação infantil, de horário integral, elas passavam o dia inteiro comigo. Assim, eu cuidava delas e trabalhava ao mesmo tempo”, conta.

Ser mãe solteira para a publicitária Fernanda Ramalho, 25 anos, foi um pouco mais complicado. Antes de saber que estava grávida, a empresa na qual trabalhava passava por uma crise e ela foi demitida e obrigada a contar com a ajuda financeira de sua mãe. Ao arranjar outro emprego, como não tinha onde deixar a menina, fez um acordo com a mãe para ficar com a menina durante um mês enquanto ela arranjava uma babá. “Onde moro não existe nenhuma escola ou creche com período integral. Foi uma fase turbulenta. Várias vezes tive que sair da empresa sem dar satisfação para poder ir para casa cuidar da minha filha. Como não consegui arrumar nenhuma babá no prazo combinado com minha mãe, fui forçada a pedir demissão”.

Mas as dificuldades dessa fase inicial não tiraram de Fernanda a garra típica das mães que enfrentam esse tipo de situação. Enquanto planejava uma maneira prática para conciliar a maternidade com a vida profissional, um projeto seu foi aprovado e ela passou a receber solicitações de consultoria. “Hoje, trabalho em casa, com minha filha por perto. De manhã, enquanto ela está na escola, aproveito para adiantar minhas pendências. Quando ela está em casa, tento aproveitar ao máximo o tempo que estou com ela”, ressalta Fernanda, que é consultora na área de publicidade.

Já para Carolina Martins, 25 anos, que também é mãe solteira, a experiência, além de muitos desafios, trouxe-lhe uma dose extra de bom humor. Carolina criou um blog chamado ‘Cadê papai’ para contar sua história e encontrou o apoio de muitas mulheres que passam pelas mesmas dificuldades. “Foi uma iniciativa sem grandes apostas, mas, no fim, o blog passou a ser bem acessado, servindo de apoio para muitas mães que enfrentam os mesmos obstáculos”.

Depois do nascimento de sua filha Júlia, hoje, com 5 anos, o pai foi ficando cada vez mais ausente até não aparecer mais. Técnica de enfermagem, Carolina acorda às 5 horas da manhã para trabalhar e deixa a filha aos cuidados da mãe, mas faz questão de assumir o seu papel quando chega, ao final da tarde. “Dar atenção para minha filha é uma das minhas prioridades. Quero que ela cresça segura e tenha a certeza de que pode contar comigo. Uma vez ou outra, sinto que gostaria de ter feito um programa diferente, ou assistido a mais um desenho. Muitas vezes deixo de lado algumas tarefas minhas para ficar com ela. E, toda noite, antes de dormir, mesmo eu estando esgotada, converso com ela sobre o seu dia”, conta.

Quanto ao desafio de conciliar maternidade e trabalho, sem a ajuda de um companheiro, Carolina diz que essa divisão de tarefas não é somente necessária, mas benéfica: “Optei por trabalhar fora pois ser mãe 24 horas sobrecarrega qualquer uma. Afinal, sou mãe, mulher, solteira e jovem. Tenho muitas necessidades a serem realizadas e minha filha também. Trabalhar me fez sentir mais segura, realizada e disposta. Acreditem: vale a pena!”.

 



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