Liberdade sexual com responsabilidade

A liberação sexual trouxe benefícios às mulheres, mas também acarretou alguns problemas. Com o aumento da freqüência das relações sexuais, com diferentes parceiros, cresce o contágio pelo HPV entre mulheres acima de 40 anos. O vírus, que pode causar câncer de colo de útero, pode ser identificado em exames preventivos.

Estudo publicado recentemente na revista científica The Lancet mostra que a contaminação de mulheres acima de 40 anos pelo papilomavirus humano (HPV) tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Os dois grupos mais atingidos pelo vírus são as jovens até 25 anos, com incidência de 25%, e as mulheres a partir dos 45 anos, faixa etária em que a ocorrência do vírus chega aos 20%. Segundo o estudo, a explicação para esses dados está no novo comportamento sexual feminino. Para os médicos, as mulheres nessa faixa etária voltam a ter relações sexuais depois de se separar ou enviuvar, ficando mais expostas ao contágio.

A ginecologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), Vera Lúcia Fonseca, afirma que 70% da população feminina mundial tem HPV ou terá em algum momento da vida. “Muitas vezes o vírus fica encubado, só se manifestando muito tempo depois do contágio. A conseqüência mais grave é o câncer do colo de útero, que tem grande freqüência no Brasil”, afirmou a médica.

Para evitar danos maiores é importante que a mulher realize, de seis em seis meses, o exame preventivo. “Esse exame não se restringe ao exame ginecológico. É preciso que seja feita coleta de material do colo uterino, para que um citopatologista identifique a presença do HPV”, afirmou a médica, que ressaltou que o diagnóstico e o tratamento precoces evitam a evolução do câncer.
O HPV é transmitido por via sexual, mas engana-se quem pensa que só a penetração serve de via para o vírus. “O contato dos órgãos genitais pode transmitir o vírus”, afirma Vera Lúcia. O uso de preservativo – feminino ou masculino - diminui, mas não elimina o risco de contágio. Os médicos subdividem a manifestação do HPV em três: clínica, em que a mulher apresenta lesões na vagina, como verrugas, e pode apresentar o câncer de colo de útero; sub-clínica, em que não há sintomas visíveis, mas é diagnosticado no preventivo; e latente, que não provoca problemas e é diagnosticado somente com exames complementares.

Sangramentos irregulares são sintomas de HPV com alto risco de câncer. “O tratamento a ser administrado depende de como a doença se manifestou. No caso das verrugas é necessário a retirada das lesões. Já no caso do câncer, dependendo do caso, a paciente poderá ter que fazer cirurgia e até radioterapia e quimioterapia”, explica a médica.

Já está em uso no Brasil, somente na rede particular de saúde, uma vacina que imuniza contra os quatro subtipos mais freqüentes de HPV. “O ideal é que a vacina seja administrada em pessoas que ainda não tenham iniciado vida sexual ou que não tenham tido contato com o vírus. Por isso, é mais indicada para as mulheres entre nove e 26 anos”, explica a médica. Ainda assim, Vera Lúcia afirma que as mulheres não devem deixar de fazer o preventivo. “Com essa vacina teremos um ganho a médio e longo prazo, com a diminuição dos casos de câncer de colo de útero. O objetivo da classe médica é que essa vacina passe a fazer parte do calendário vacinal e seja aplicada na rede pública”, afirma a ginecologista.

Em alguns casos, o HPV se manifesta, é tratado, mas continua incubado, o que pode levar a outras manifestações posteriores. “O controle é feito com o exame preventivo e a colposcopia, em que o médico observa o colo do útero com uma lente de aumento”, finaliza Vera.

 



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