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Muitas pessoas não
sabem que, por trás de um suspiro
e um sorriso alargado da paixão,
ou ainda atrás do choro da decepção
amorosa, se esconde uma verdadeira mecânica
de emoção que, um dia, pode
até fazer o corpo adoecer.
“Sou
um romântico, me apaixono e sofro.
Tive algumas decepções amorosas
tão doloridas que a dor psicológica
virou dor física”. Esta é
uma das frases de Tim Maia que Nelson Motta
recorda no livro que narra a vida do cantor.
A frase de Tim retrata bem o sofrimento
de uma pessoa que, ao sofrer de amor, adoece
por inteiro - de corpo e alma. Muitos não
sabem, mas o amor – e a decepção
com ele – é resultado de um
turbilhão de alterações
químicas que mexem com toda a estrutura
corporal e pode (quem diria) até
nos deixar doentes.
Segundo a psicóloga Iara Brandão,
uma decepção ou perda amorosa
pode acarretar um sofrimento emocional muito
grande, fazendo com que a mente precise
dividir a dor com o corpo. “O sofrimento
normalmente está ligado à
perda, que causa um sentimento de vazio,
interferindo na auto-estima. Quando a dor
é muito grande, a mente acaba compartilhando
com o corpo esta dor, na forma doença.
A região comprometida normalmente
é aquela mais frágil, onde
já há uma predisposição
do organismo da pessoa”, relata a
psicóloga.
Iara conta que as “doenças
de amor” são chamadas de psicossomáticas,
pois tem origem emocional e devem ser tratadas
paralelamente à terapia psicológica,
por um médico especialista da área.
“É comum a pessoa que está
no quadro de dor emocional, ter problemas
de pele, queda de cabelo, dores estomacais
e alterações intestinais”,
exemplifica Iara.
O caso de Joana Costa retrata bem o que
é adoecer de amor. A jornalista conta
que, após descobrir uma traição
e terminar o namoro, a decepção
amorosa foi forte o suficiente para transformar-se
em depressão. Foram vários
dias de cama e 10 kg a menos em apenas dois
meses. “Namorávamos há
pouco mais de um ano quando descobri que
ele estava me traindo com a estagiária
do jornal em que trabalhávamos na
época. Primeiro veio o sentimento
de revolta, tive vontade de quebrar tudo,
inclusive o carro dele”, revela Joana,
que contou com o apoio da família
para contornar a situação.
Depois que passou o sentimento de raiva,
veio a tristeza. Com ela, a vergonha de
ir trabalhar, já que todos os colegas
souberam do ocorrido. “Foi como uma
grande queda para mim. Pedi para me afastar
do jornal e só voltei alguns anos
depois, com a minha vida já refeita”,
conta Joana, que fez acompanhamento psicológico
e psiquiátrico na época.
Hoje ela é casada, tem uma filha
e considera-se uma mulher realizada e feliz
no amor. Mantém, inclusive, contato
com os colegas de profissão do jornal
que trabalhou na época da decepção
amorosa. “Consegui sair daquela situação
de dor e retomei minha vida profissional
e pessoal. Mas, depois de anos, lembro como
foi difícil”, comemora Joana.
Para o economista Pedro* Torres, de 38
anos, o difícil foi encontrar um
diagóstico. A decepção
depois do término de um namoro transformou-se
em dores estomacais fortes, mas nem ele
nem os médicos descobriam o motivo.
“Me alimentava bem, fazia exercícios,
tinha uma vida saudável. Depois que
uma ex-namorada foi morar fora do país,
comecei a sentir dores no estômago.
Os médicos demoraram para descobrir
que o motivo da doença era, na verdade,
emocional”, conta.
Pedro ficou três anos na terapia
e recebeu alta depois que conseguiu esquecer
as dores do término. “Demorei
para entender porque eu fiquei doente, fisicamente
abalado, se emocionalmente eu estava equilibrado.
Só depois de muitos remédios
e de muita análise que consegui me
curar”, completa.
* o nome foi modificado a pedido do
entrevistado.
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