Surf para Maiores

Adolescentes e jovens sem compromissos que passam o dia inteiro na praia à espera da onda perfeita. Se essa ainda é a imagem que você tem de um surfista, saiba que está muito desatualizado. O esporte vem se profissionalizando ao longo do tempo, assim como seu ensino, e ganhando adeptos entre adultos que incorporam também a filosofia de vida que acompanha o surfe.

Desde os anos 80, quando Marlos Cassiano começou a pegar onda, muita coisa mudou. Segundo o surfista, que hoje é proprietário e diretor da escola Surfe Brasil, localizada próximo ao posto 11 no bairro carioca do Recreio dos Bandeirantes, nesses anos a prática do esporte se tornou economicamente mais acessível. “Sem dúvida o perfil dos praticantes mudou. O surfe é um esporte relativamente caro devido aos seus equipamentos - prancha, roupa de borracha, estrepes, parafinas, ente outros. Para se ter uma idéia, uma prancha de surfe custa entre R$ 650 e R$ 1,2 mil. Antigamente, esses materiais eram ainda mais caros. Por ser um esporte caro e novo, os praticantes eram de classes altas da sociedade”, explica Marlos.

A consolidação do surfe como esporte profissional também contribui para atrair mais praticantes. Hoje, o surfe está presente no noticiário esportivo, é retratado em novelas e possui opções de formação tradicional. Marlos, por exemplo, é pós-graduado em Ciências Aplicadas aos Esportes com Prancha pela Universidade Monte Serrat e diretor geral do curso de extensão “SURFE: Possibilidades Educacionais (Metodologia específica para professores de surfe)” na Universidade Estácio de Sá.

Os preconceitos que um dia cercaram o esporte se foram e novos praticantes não param de chegar. Grande parte desses aspirantes a surfistas são adultos que cresceram com vontade de praticar o esporte, mas se detiveram nas dificuldades econômicas ou no preconceito. Agora, com a maturidade profissional, conseguem aproveitar a estabilidade na carreira para dividir melhor seu tempo. Wellington Campos, engenheiro químico de 30 anos, é um destes novos esportistas. Há cerca de um mês e meio começou suas aulas uma vez por semana. “Eu já tinha pensado em aprender há muito tempo porque gosto de esportes aquáticos. Mas não tinha tempo de fazer, no máximo conseguia nadar. Acho que tinha interesse desde a adolescência. Agora eu até tenho menos tempo, mas estou mais organizado”, explica.

Mais que exercício

Como todo esporte, o surfe traz benefícios ao corpo, mas vai além. Ele é encarado por muitos como uma filosofia de vida. “Antes da emoção, condicionamento e prazer proporcionado, existe uma forte ligação com a natureza. Ama-se o mar, protege-se as praias, investe-se em qualidade de vida. Nós, surfistas, nos tornamos ambientalistas por vocação e em causa própria: se não cuidarmos do mar, se não alertarmos para a degradação das praias, se não nos alimentarmos bem, seremos nós os mais prejudicados. O surfe é um exercício que transcende o esporte”, defende Marlos. Wellington concorda. “Realmente o desgaste é muito grande, maior do que em outros esportes que já pratiquei, mas tem a questão do bem-estar. Sem dúvidas eu saio da aula mais tranquilo”.

Antes de se lançar no mar com uma prancha, no entanto, são necessários alguns cuidados como consultar um médico e fazer um chek-up. E, durante o surfe, os cuidados indicados pelo instrutor devem ser observados. “O surfe tem, sim, benefícios na parte física, mas como todo esporte, também apresenta lesões em longo prazo, como lordose, tendinites, etc.”, lembra Marlos.

Escola

Para não colocar em risco a saúde e a segurança – afinal, este esporte é praticado no mar – a recomendação é que o surfista iniciante procure uma boa escola. “A escola deve ter professores formados em educação física, primeiros socorros, plano de emergência em caso de acidente, equipamentos novos. Ou seja, segurança e boa metodologia. É na escola de surf que o iniciante saberá qual prancha comprar, onde entrar e sair do mar, as éticas dentro do mar (existem algumas regras na água), detectar qual melhor local para a prática do dia entre outras coisas”, explica Marlos.

Wellington fez isso e não se arrepende. Antes de cair no mar, pesquisou e se matriculou em uma escola com profissionais capacitados. “Achei importante ter a supervisão de um profissional da área, ainda mais estando no mar, segurança é essencial. Mesmo antes de me matricular na escola, pesquisei se os professores tinham formação e só depois entrei em contato.”

Nas primeiras aulas em uma escola de surfe, ninguém sai “dropando”. Levantar e ficar de pé em cima da prancha, leva tempo. Por isso, as primeiras lições são dedicadas aos fundamentos do esporte como remar, sentar na prancha e virar pra pegar a onda. Só depois de muita prática será possível definir o estilo do atleta: Longboard (o famoso pranchão), Pranchinha (hot dog's), Tow In ou Stand Up Paddle Board.

Para maiores informações sobre a Escola Surfe Brasil
acesse : www.surfebrasil.com.br

 

© 2007- Monte Castelo Idéias ® Todos os direitos reservados.
  Criação e desenvolvimento: Café Expresso Design