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A expectativa de
vida tem aumentado em todo o mundo. No Brasil,
na década de 60, essa marca era de
62 anos; hoje, ultrapassa os 70. Se envelhecer
faz parte da vida, como fazer para manter
a qualidade de vida e a saúde em
dia durante a velhice? O fato é que
as atitudes que tomamos hoje refletem diretamente
na terceira idade. Com alguns cuidados básicos,
pode-se mudar de comportamento e reparar
os estragos do fumo, do álcool, da
má alimentação e da
vida sedentária.
Os hábitos
saudáveis sempre fizeram parte da
vida da aposentada Anna Rosa, de 77 anos,
que não dispensa as atividades físicas
diárias e uma boa alimentação.
Ela faz hidroginástica, exercícios
de alongamento, além de caminhar
diariamente. E ainda sobra tempo para se
dedicar aos trabalhos voluntários.
O segredo para tanta energia é a
busca pela qualidade de vida. “Eu
nunca fui uma pessoa muito parada. Sempre
caminhei e, há sete anos, faço
hidroginástica. Recentemente, passei
a fazer aulas de alongamento. Além
disso, valorizo a minha alimentação.
Como legumes, verduras e queijos. Tomo pouco
café e evito doces, sal e gordura”,
conta.
Anna acredita que as atividades são
importantes para criar grupos sociais para
os idosos, especialmente os que moram sozinhos.
“Em cada atividade tenho um grupo
diferente, algumas pessoas viraram amigos
de verdade. As atividades melhoraram meu
estilo de vida e ampliaram o meu relacionamento
com as pessoas, já que eu fiquei
viúva e moro sozinha”, revela.
Com o aumento da expectativa de vida e
o acesso a informação, as
pessoas têm cada vez mais consciência
de que a prevenção é
fundamental para viver com mais saúde
ao envelhecer. “Mais do que o adulto
jovem, o paciente idoso necessita de exercícios
físicos regulares e diários
e alimentação variável
e rica em fibras vegetais, com, ao menos,
cinco refeições de frutas
e duas de legumes e verduras. Além
disso, é preciso procurar atenção
médica preventiva e vacinação”,
explica o geriatra Carlos Paixão,
do Hospital Universitário Clementino
Fraga Filho (RJ).

Exercícios
Pesquisas recentes realizadas pela Escola
de Medicina da Universidade de Harvard,
nos Estados Unidos, indicam que os idosos
- mesmo aqueles que sempre foram sedentários
-, que começaram a praticar uma atividade
física quatro vezes por semana durante
meia hora tinham mais que o dobro de chances
de chegar aos 90 anos do que aqueles que
preferiam não se exercitar. E não
é só. Outro estudo, publicado
pela revista científica Proceedings
of the National Academy of Sciences mostra
que a atividade física em qualquer
idade estimula a formação
de neurônios.
Segundo Carlos Paixão, a prática
de exercício é o principal
fator de proteção para as
doenças mais freqüentes ao envelhecer,
além de trazer uma série de
outros benefícios. “Os exercícios
diminuem a resistência à insulina,
baixando a taxa sangüínea de
glicose; diminuem a pressão arterial;
melhoram o perfil de gorduras; aumentam
a massa muscular e o gasto de energia; aumentam
a massa óssea; diminuem o trabalho
cardíaco e, com isso, seu esforço;
melhoram a atividade cerebral e o humor.
Além disso, as atividades impedem
o encurtamento dos telômeros, responsáveis
pela proteção do DNA das células,
diminuindo o risco de quebra da cadeia do
DNA e, com isso, da morte celular”,
explica.
Caminhada, natação, ioga,
hidroginástica, musculação
e pilates são as atividades mais
indicadas para quem já passou dos
60 anos. O geriatra garante que os melhores
exercícios para os idosos são
os de resistência e de carga, ou seja,
os aeróbicos. A aposentada Idalina
Frazão, de 72 anos, leva a sério
suas atividades físicas e culturais.
Além da caminhada diária,
ela freqüenta o Serviço Social
ao Comércio (SESC), que oferece diversas
atividades para a terceira idade, como passeio,
dança, teatro, arte contemporânea,
informática e pintura. “Todas
as pessoas, especialmente os idosos, deveriam
participar de atividades, porque ajuda muito,
tanto fisicamente quanto socialmente. Eu
me sinto ótima. Acho muito importante
fazer exercícios e me alimentar bem.
Quando chego em casa, estou disposta para
qualquer coisa”, diz.
Memória corporal
Com o sedentarismo e a perda de massa
muscular, ao longo do tempo, os idosos também
tendem a esquecer como são feitos
determinados movimentos. Ficam, portanto,
mais propícios a sofrer quedas e
lesões. E não adianta procurar
qualquer tipo de exercício físico
para prevenir esses males. O ideal é
encontrar uma forma de resgatar a lembrança
dos movimentos abandonados. Para atingir
esse objetivo, especialistas desenvolveram
oficinas de memória corporal. As
técnicas utilizadas exercitam e coordenam
os movimentos naturais da coluna vertebral
e articulações em geral, por
meio de ginástica sobre bola ortopédica
e cintas elásticas.
"São trabalhados movimentos
que automatizem as atividades diárias
como levantar, sentar, deitar, levantar
objetos, desequilibrar e equilibrar, evitando
a queda. Essas ações não
devem ser pensadas. Devem ser respostas
automáticas, obtidas através
de exercícios com repetição
do gesto", conta a fisioterapeuta da
Academia da Coluna, Márcia Chevrand.
Alimentação
Além da prática regular
de exercícios, outro fator importante
que garante a longevidade é a alimentação.
A maioria dos idosos conserva os hábitos
alimentares formados quando eram mais jovens,
mas esquecem que, nessa faixa etária,
correm o risco de desnutrição.
Com o envelhecimento, as necessidades de
energia do corpo diminuem e cresce a demanda
por alguns nutrientes. Segundo Carlos Paixão,
a alimentação deve ser variada
à base de fibras vegetais, frutas,
legumes, verduras e carne branca. Além
disso, é necessário ingerir,
no mínimo, 1,5 litro de líquido
por dia.
Exames
Os problemas mais comuns que acometem
os idosos são doenças cardiovasculares,
câncer, infecções, osteoporose,
doenças degenerativas e doenças
endócrinas, como diabetes e distúrbios
de tireóide. Casos de depressão
em pessoas com mais de 60 anos também
são muito comuns. Uma pesquisa feita
pela USP (Universidade de São Paulo)
e publicada na revista "Cadernos de
Saúde Pública" mostrou
que a presença de duas ou mais doenças
pode dificultar cinco vezes mais as atividades
do dia-a-dia de pessoas com mais de 60 anos
de idade. De acordo com o estudo, dos que
tinham mais de 75 anos, 31,3% apresentaram
dois ou mais problemas de saúde.
Já entre os mais novos, 13,2% tinham
duas ou mais doenças.
As doenças podem ser evitadas ou
amenizadas com o acompanhamento médico
regular. De acordo com o geriatra, a avaliação
periódica é específica
para cada um. “Os exames serão
em função do perfil de cada
paciente, levando em conta as doenças
mais freqüentes. Para pessoas saudáveis,
devem ser feitos uma vez ao ano. Para pessoas
doentes, depende da doença e do órgão
afetado. Quanto mais doente, maior deve
ser a freqüência da ida ao médico.
Não podemos esquecer que exames sem
médicos não servem para nada,
e remédios sem controle tornam-se
venenos. E exercício físico
e boa alimentação não
dependem diretamente do acompanhamento médico”,
diz.
O ideal é investir, desde cedo,
na adoção de um estilo de
vida mais saudável para prevenir
os efeitos do envelhecimento. Mas lembre-se:
nunca é tarde para recomeçar.
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