A saúde de quem bebe

Apesar de a dependência do álcool ser associada ao descontrole, muitas pessoas que alegam beber apenas socialmente também podem ser consideradas dependentes. Conheça os perigos do consumo exagerado da substância e previna-se desses males que, ao contrário da sensação de prazer proporcionada pela euforia passageira, são prejudiciais à saúde.

A questão do alcoolismo ganhou destaque com as recentes mudanças da nova lei de trânsito, que prevê tolerância zero do nível de álcool no sangue do motorista e proibe a venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais. Antes, a concentração máxima permitida era de seis decigramas por litro de sangue. Hoje, é nula. E a quantidade igual ou superior é considerada infração gravíssima, com multa de R$ 957,70, retenção do veículo, recolhimento da carteira de habilitação e suspensão do direito de dirigir por 12 meses.

O rigor das punições reflete o aumento dos acidentes de automóveis e das inúmeras mortes ocorridas devido à combinação bebida e volante. Porém, o que se deve levar em conta é que o álcool é uma droga tão perigosa quanto qualquer outra. Por ser legalizada e popular, não se dá o devido crédito aos seus malefícios, mas a substância vicia e, apesar de a dependência ser associada à violência e ao descontrole, muitas pessoas que alegam beber apenas socialmente também podem ser consideradas dependentes, mesmo que não apresentem esses sintomas.

A eliminação do álcool na nossa circulação sanguínea é realizada através da oxidação, um processo químico que o decompõe em gás carbônico (CO2) e água. Como nesse processo ocorre liberação de energia, um grama de álcool ingerido produz 7,1 kcal. Por isso, as bebidas alcoólicas são completamente eliminadas em programas de emagrecimento. Quanto maior o teor alcoólico de uma bebida, mais calorias ela possui. Uísque e vodka, por exemplo, são mais calóricas do que o vinho.

Como gastamos muita energia neste processo químico, o nosso corpo fica fadigado, por isso, durante a tão temida “ressaca”, ficamos com uma sensação de cansaço e o corpo mole. O etanol inibe a produção do hormônio antidiurético, assim, urinamos mais que o normal e nos desidratamos. Dentre os órgãos, o que mais sofre é o fígado, responsável por remover de 90% a 98% da droga circulante. O resto é eliminado pelos rins, pulmões e pela pele, através da transpiração.

“Após a ingestão, o álcool é absorvido pelo estômago e intestino delgado, sendo distribuído livremente pelo corpo humano. Tecidos corpóreos, como o coração, cérebro e músculos estão expostos à mesma concentração da substância presente no sangue. O álcool é um depressor do Sistema Nervoso Central e age diretamente em diversos órgãos”, explica o biólogo e pesquisador do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) Gabriel Andreuccetti.

A maior problemática é que a eliminação do álcool do organismo é demorada. Por exemplo, um adulto de 70 kg metaboliza de 5 a 10 gramas de álcool por hora e, como um drinque contém em média de 12 a 15 gramas, a substância acumula-se progressivamente no organismo, mesmo bebendo apenas um drinque por hora.
Nas mulheres, as consequências são maiores, pois elas possuem o metabolismo diferente dos homens. Se duas pessoas de sexos opostos tomarem a mesma dose combinada de acordo com o peso corpóreo, a mulher apresentará níveis alcoólicos mais elevados no sangue. Como a mulher possui mais tecido gorduroso e taxas hormonais que oscilam durante o ciclo menstrual, ela se torna mais vulnerável aos efeitos da embriaguez. “A concentração de álcool no sangue tende a ser maior entre as mulheres, que possuem um menor volume sanguíneo”, explica Gabriel.

Também existem diferenças entre os dois sexos na concentração gástrica de desidrogenase alcoólica, uma enzima essencial para o metabolismo do álcool. Por essas razões, as mulheres ficam embriagadas com doses mais baixas e progridem mais rapidamente para o alcoolismo crônico e suas complicações. Para quem toma dois ou três drinques diários, atenção: o risco de hipertensão arterial aumenta em 40%. Mulheres que abusam de álcool desenvolvem também miocardiopatias mesmo usando doses mais baixas do que os homens.

É importante ressaltar que todos os indivíduos estão expostos ao alcoolismo e que, uma vez dependente, a pessoa não poderá realizar o consumo social de álcool como antes costumava se quiser se tratar da doença. “E o uso excessivo pode ocasionar sérios problemas de saúde, doenças cardiovasculares, danos à memória e à capacidade de aprendizagem, cirrose hepática, além de predispor o indivíduo a situações de risco, como acidentes de trânsito e violência”, complementa o biólogo.

Os benefícios do uso moderado de álcool ainda são um assunto de intensa discussão no meio científico. A literatura médica sugere que a moderação está relacionada com a diminuição em geral de mortalidade, com destaque para a diminuição no risco de incidência de doenças cardiovasculares e nas perdas cognitivas decorrentes da idade.

“Ma alguns estudos científicos já mostraram que os benefícios do vinho tinto na redução de risco para doenças cardiovasculares, por exemplo, pode ser atribuído não só ao álcool, e sim às substâncias antioxidantes presentes nesta substância”, diz o especialista. Entretanto, o uso moderado de álcool pode também trazer prejuízos à saúde. De acordo com a literatura médica, a moderação no uso de bebidas alcoólicas pode estar relacionada com o aumento no risco de alguns tipos de câncer, em especial, o de mama. “Nota-se, assim, que o uso moderado pode apresentar tanto conseqüências benéficas quanto prejudiciais à saúde”, finaliza.

Para mais informações, acesse:
www.cisa.org.br
www.alcoolismo.com.br

 


 



© 2007- Monte Castelo Idéias ® Todos os direitos reservados.
  Criação e desenvolvimento: Café Expresso Design