O coração do mundo bate aqui


É carnaval em Salvador. Qual a melhor opção para quem quer cair na folia? Para solteiros e solteiras, a dica é acompanhar os trios elétricos ao som de muita axé music. Mas a programação é bastante diversificda. Que tal acompanhar a magia que envolve os Filhos de Gandhy? Na quarta-feira de cinzas, siga para Morro de São Paulo para relexar.

Em Salvador, tem festa o ano inteiro. Mas é no carnaval que um sem números de turistas e nativos se integram da maneira mais perfeita. Mas engana-se quem pensa que a folia é só para a garotada. As atrações são para os mais diversos gostos e idades, todas abençoadas pela alegria típica do povo baiano e das tradições locais.

Esse ano o tema do carnaval, que começa a agitar os foliões a partir do dia 31 de janeiro, é “O Coração do Mundo Bate Aqui”, uma homenagem à Capoeira, dança/luta que nasceu nas senzalas e está bastante presente no dia-a-dia da cidade até hoje. “Esse tema tem tudo a ver com Salvador. Pois, tudo de bom acontece ali. O coração de todo mundo bate lá. É muita diversão”, brinca, animadíssima a advogada Juliana Ribas, 30 anos, solteira, que está indo pela quarta vez ao carnaval de Salvador.

Blocos

Para solteiros e solteiras que gostam mesmo de cair na folia, a dica é acompanhar os trios elétricos ao som de muito axé music. Há três opções: desfilar nos blocos, pular na “pipoca” ou assistir a grande festa dos camarotes.

Para sair em um bloco é preciso comprar o abadá - espécie de camiseta que dá ao folião livre acesso dentro do bloco e direito a usar carro de apoio, bar, banheiro e posto médico. Já quem pula de graça, ou na famosa “pipoca”, não pode entrar nos limites da corda do bloco. Já os foliões dos camarotes assistem aos desfiles dos blocos do alto, em estruturas montadas em sacadas, hotéis e prédios.

O empresário Ramiro Alves, 29 anos, está indo para o carnaval de Salvador pela terceira vez. Nas duas primeiras foi solteiro, acompanhou vários blocos e quase não teve tempo para conhecer a cidade e seus principais pontos turísticos. Dessa vez, ele garante que vai ser diferente. Acompanhado, pretende fazer um tour pela cidade, desfilar em alguns blocos com abadá, além de “esticar" para o Morro de São Paulo no período da “ressaca”, a partir da quarta-feira de cinzas. “Quando fui à Salvador solteiro não parava quieto um minuto. Mal dava tempo para dormir. Era um bloco atrás do outro. Agora, em 2008, pretendo curtir mais tranquilamente já que vou acompanhado”, conta Ramiro.

Afoxé

A programação de Salvador é bastante diversificada com opções para todos os gostos. Além dos blocos acompanhados por trios elétricos ao som de muita axé music, há o grupo histórico de afoxé Filhos de Gandhy. Fundado por estivadores portuários da cidade na década de 40 tornou-se o maior e dito o mais belo Afoxé do carnaval da Bahia. Hoje, reúne, aproximadamente, mais de 10.000 integrantes.
Formado exclusivamente por homens, e inspirado nos princípios da não-violência e da paz de Mahatma Gandhi, o bloco traz a tradição da religião africana, ritmado pelo agogô e cânticos de ijexá na língua Iorubá. Os participantes utilizam lençóis e toalhas brancas como fantasia, para simbolizar as vestes indianas. “Quando eles passam, chamam a atenção. São muitos homens reunidos e todos de branco. É um desfile bonito e rico historicamente”, afirma Juliana.

Além do turbante e das vestimentas, os Filhos de Gandhy trazem consigo um perfume de alfazema e colares azul e branco. Os colares são conhecidos tradicionalmente por "colar dos filhos de Ghandy", que são oferecidos para os admiradores como forma de desejar-lhes paz durante o carnaval e ao longo do ano. As cores dos colares são um referencial de paz e a dança do afoxé enfoca Oxalá, que é o deus maior. “O ritual deles atrai muitas mulheres. Tenho uma amiga que já teve um relacionamento longo com um dos integrantes. Já eu, tive um contato mais superficial, uma paquera passageira mesmo”, conta Juliana.

Circuitos da Folia

Com o intuito de descentralizar a folia na cidade, a prefeitura disponibiliza três circuitos variados para os foliões: Circuito da Batatinha, Circuito do Dodô e Circuito do Osmar. No primeiro, a concentração acontece no centro histórico da cidade de Salvador. Os blocos seguem pelas ruas e ladeiras do Pelourinho sem a presença de trios elétricos, acompanhados do público, em sua maioria famílias fantasiadas. O circuito é considerado o de menor movimentação da cidade. Ideal para quem não gosta de tumulto.

Já no Circuito do Dodô a concentração acontece no Forte da Barra, seguindo até a praia da Ondina. No percurso, vários blocos com trios elétricos arrastam multidões ao som das principais atrações da música baiana. É chamado por muitos de “circuito alternativo”.

O Circuito do Osmar é o mais animado. Conhecido por muitos como o famoso circuito de blocos da “Avenida”, percorre são 6 km de extensão, passando por Campo Grande, a Avenida Sete de Setembro e o centro de Salvador.

O carioca Lucas Farache, 29 anos, passou o carnaval de 2005 em Salvador com um grupo de trinta pessoas que alugou um apartamento para os dias de folia. Seguindo à risca, desfilaram nos blocos com abadá da quinta-feira pré-carnavalesca até a terça-feira de carnaval.

Para mais dicas e informações sobre blocos, abadás, passeios e hospedagens, acesse:

www.festaseabadas.com.br
www.centraldocarnaval.com.br
www.portaldocarnaval.com.br
www.carnavalemsalvador.com.br
www.foliabahia.com.br

*Alguns nomes foram trocados a pedidos dos entrevistados

 

 



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