Com a ajuda da mãe natureza

Poucos destinos são tão perfeitos para o viajante sozinho quanto o Ceará. Os 573 quilômetros de extensão do estado guardam belezas naturais que vão das falésias coloridas de Morro Branco às deslumbrantes dunas de Jericoacoara e às piscinas naturais de Canoa Quebrada.
Tantas belezas ganharam um reforço extra da mãe natureza: nada menos do que 3 mil horas de sol por ano, o que torna a luminosidade perfeita para destacar as cores do estado. Ficou na vontade? Espere até conhecer o povo cearense, capaz de deixar o visitante desacompanhado se sentindo em casa.

Se você está viajando só e vai ao Ceará, fique tranqüilo: não continuará sozinho por muito tempo. E ainda terá opções fantásticas para curtir, dentro e fora de Fortaleza.

A noite agitada da capital cearense é apenas um coquetel de boas-vindas para o que lhe espera nas praias fora da capital. Há menos badalação, mas em compensação você certamente irá se deslumbrar com as falésias coloridas de Morro Branco, as dunas belíssimas de Jericoacoara e as piscinas naturais de Canoa Quebrada. E ainda cruzará com muitos brasileiros e estrangeiros – vários deles sozinhos, como você.

A mãe natureza caprichou no Ceará: o sol parece que tem preguiça de ir embora, é um dos estados com mais horas em seu dia. E ainda tem outra coisa muito boa – a simpatia do povo cearense, que faz qualquer um se sentir em casa.
O primeiro passo é pela porta de entrada do Estado, a capital Fortaleza, que tem uma das mais famosas noites do Nordeste, com opções diferentes a cada dia da semana, de segunda a domingo.

Nas sextas-feiras, Fortaleza ferve. Vale conferir a boate Mucuripe Club (http://www.mucuripe.com.br), uma das mais procuradas, que oferece nada menos do que seis ambientes, com os mais variados estilos. Mas não é a única opção. Aqui, vale lembrar o velho ditado: quem tem boca, vai a Roma. Pergunte, a cada dia, qual a melhor opção da noite. Não se acanhe, fale com a recepção da pousada ou hotel, ou ainda com os guias das agências de viagem, que inclusive oferecerem uma agenda cultural no final de seus passeios. A gente da terra sabe das boas. Outra boa dica é ir em sites como o da Veja Fortaleza (http://www.veja.abril.com.br/melhor_da_cidade/fortaleza/) e na página “Vai sair?”, do site local Oba! (http://www.oba.com.br).

De dia, é possível contratar pacotes nas agências de turismo que mantêm representantes na Avenida Beira-Mar. Com preços médios de 30 reais, os passeios de um dia têm como destino Morro Branco, onde o visitante percorre um circuito de lindas falésias coloridas, Lagoinha, conhecida como a pequena Jericoacoara, Cumbuco, famosa por suas dunas móveis, e Beach Park. Sem falar nas grandes vedetes Canoa Quebrada e Jericoacoara, aí já indo para longe da Grande Fortaleza, com passeio de três dias, a R$ 200.

Ir à praia não é uma boa em Fortaleza, porque a maioria é poluída. Mas a cidade é ponto de partida para pegar um sol gostoso em locais paradisíacos.

A menos de meia hora fica a Praia do Porto das Dunas, onde se localiza o maior parque aquático da América Latina, o Beach Park, que abre quase todos os dias do ano (confira em http://www.beachpark.com.br). É típico “programa família”, mas conta com resort, lojas, restaurantes típicos, escola de surfe, tenda de massagens e até um Museu da Jangada. Sem contar algumas atrações aquáticas “radicais”, com nomes significativos como “Insano”, “Kalafrio” e “Sarcófago”.

Mas para chegar ao verdadeiro paraíso das praias, é preciso andar um pouco mais – 300 km, umas seis horas de estrada. Mas vale a pena – e como! Jericoacoara foi eleita a praia mais bonita do mundo por um jornal norte-americano e é figurinha fácil nas listas das “mais bonitas do Brasil” entre os jornais e revistas de turismo nacionais.

Jericoacoara já foi conhecida simplesmente como Serrote, um distrito da vizinha Jijoca. Nos anos 80 foi descoberta por turistas europeus, que começaram a ocupar seus terrenos e provocaram uma corrida imobiliária na região. A partir daí, criou-se o Parque Nacional de Jericoacoara, uma reserva ambiental protegida pelo Ibama.
As histórias dos novos moradores vindos da Europa se confundem com a própria identidade do lugar, cheio de lojinhas e pousadas com proprietários europeus, que um dia chegaram como turistas e se apaixonaram pelo lugar. Não se assuste se você, brasileiro, se sentir minoria por lá. E prepare-se para ser fisgado pelos encantos de Jericoacoara e não querer mais ir embora. Os hotéis e bares estão cheios de funcionários nessa situação: chegaram como visitantes temporários, sozinhos ou acompanhados de amigos, e prolongaram a estadia a perder de vista.
O dia-a-dia da viagem – como a visita às lagoas Azul, do Paraíso, da Tatajuba e da Pedra Furada – leva o visitante a encontrar muitos casos como esses, que tornam o passeio ainda mais cheio de histórias. Não hesite em sair para a rua na madrugada, mesmo sozinho. Há pelo menos cinco opções para a noite, que começam a encher por volta das 2h, mas nem todas funcionam todos os dias. A busca pela informação da noitada já é um primeiro passo para conhecer pessoas e sentir-se em casa.

E acredite: aqui não tem pouso para vergonhas e acanhamentos. Se estiver sozinho, pergunte na recepção da pousada se há mais algum hóspede desacompanhado. Viajantes sozinhos estão sempre dispostos a conhecer pessoas e podem ser boas companhias para a noitada e os passeios.

Se você gosta de esportes, praticá-los em Jericoacoara vai tornar a viagem mais gostosa e ajudar a fazer amigos. Todos os dias há um grupo jogando futebol na praia e treinando capoeira, além dos praticantes de kite surf que fazem aulas na Lagoa dos Homens, localizada logo depois da Duna do Pôr-do-Sol. Dê uma olhada no site oficial de Jericoacoara, e confira as múltiplas opções desse paraíso.

Outro destaque do Ceará é a praia de Canoa Quebrada. Freqüentemente descrita como o paraíso dos hippies dos anos 70, Canoa Quebrada ganhou ares de cidade, com o calçamento da pracinha e da principal rua, a Broadway, há cinco anos. Vale a pena reservar pelo menos uma semana para ficar porque os passeios duram boa parte do dia. E prepare-se: praias, dunas, sol todos os dias do ano (quase nunca chove aqui), pôr-de-sol deslumbrante, mar calmo com águas azuis transparentes. No site http://www.canoa-quebrada.es/ há um resumo interessante do que rola em Canoa Quebrada.

A praia de Ponta Grossa, outro pedaço de paraíso a 54 Km ao leste de Canoa Quebrada, guarda uma mistura harmoniosa de cores: o azul do mar e do céu, o branco da areia das dunas e o vermelho e grafite das pedras. No caminho de buggy pela areia, uma seqüência de praias selvagens cercadas por falésias, a maioria avermelhadas.

Seguindo para oeste, as atrações são as dunas, onde formam-se lagoas de água doce ocasionais. O passeio pode ser feito a pé, de buggy ou a cavalo. Neste caso, procure o Cid ou Lobão, do Jeg’s Bar, que vendem drinques na praia, em um simpático carrinho puxado por um jegue e oferecem o serviço de passeios a cavalo.

Outra opção é visitar a foz do Rio Jaguaribe, onde há uma praia de rio pouco explorada pelos turistas e o encontro do rio com o mar. É possível comer um camarão ao alho e óleo fresquinho por apenas R$ 7. Para chegar, é preciso alugar um buggy ou pegar uma kombi até a cidade de Aracati (R$ 1,25) e, de lá, uma van até a Barra (R$ 3), passando por Fortim.

Parte de Canoa Quebrada pode ser explorada a pé, mas os passeios mais distantes, como Ponta Grossa e o Rio Jaguaribe precisam de buggy, van ou carro 4x4. Para o viajante desacompanhado, o grupo formado no buggy pode ser uma ótima oportunidade de conhecer pessoas, com os mais variados perfis. Informe-se na associação dos bugueiros, que fica na Broadway. É nesta rua também que se localizam as casas noturnas, todas com entrada gratuita e ritmos que vão do reagge e forró à bossa nova. Além da programação diária, todas as sextas-feiras e domingos acontece um luau, com muito reagge, no quiosque Freedom, que fica na praia.

O imaginário popular de Canoa também tem forte ligação com a Europa. A miscigenação entre nativos e europeus foi intensa nos anos 70 e 80 e o resultado está na mistura surpreendente de biotipos e culturas.

Mas nunca se esqueça: no Ceará, o mais importante é bater papo e conhecer gente. Essa é a melhor forma para curtir todo o astral desse estado lindo e não ficar sozinho.



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