Uma gigante chamada China

Para quem já esteve pelas bandas do oriente, nem precisaria do motivo olímpico para ir à China. Mas nada melhor do que unir a emoção de assistir aos Jogos à satisfação de conhecer de perto a história milenar chinesa. Os brasileiros que planejam aproveitar as Olimpíadas para conhecer mais sobre a cultura do país devem estar atentos às facilidades e dificuldades de estar do outro lado do mundo.

Os Jogos Olímpicos que acontecem este ano serão um excelente motivo para os brasileiros conhecerem a China, uma das maiores potências mundiais da atualidade. Faltando alguns dias para o início das competições, muitos turistas já começam a desembarcar na capital Pequim para ver de perto a cultura e a história milenar chinesa. Segundo previsões das autoridades turísticas, a cidade deve receber cerca de 450 mil turistas estrangeiros durante os Jogos Olímpicos, que deixarão, pelo menos, US$ 400 milhões na China. Os hotéis de primeira classe - principalmente os dos bairros históricos de Pequim – já estão com 75% da capacidade reservada e os hotéis quatro estrelas, com 50%.

Para o presidente executivo da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), Paul Liu, o país é muito mais barato do que a Europa na comparação de custos, hospedagem e alimentação, por exemplo. A China quer aproveitar bem a atenção do mundo durante as Olimpíadas para aumentar o seu potencial turístico. Segundo a Associação Nacional de Turismo da China, o país vai ser o maior destino turístico do mundo em 2017. Com o objetivo de causar boa impressão, está investindo fortemente em infra-estrutura e na modernização do país, especialmente da capital.

Segundo o jornalista brasileiro, Richard Amante, que mora na China desde 2006, o número de turistas tem aumentado muito, principalmente de pessoas que vêm trabalhar nas Olimpíadas. “O governo está restringindo o visto para a China nessa época. Quem não tem ingresso encontra barreiras para conseguir o visto. Muitos estrangeiros também estão indo embora. Em bares e boates, o movimento diminuiu nas últimas 3 semanas, mas deve aumentar a partir de agora. Já conheci voluntários do mundo inteiro que vêm para trabalhar, passear e se divertir por aqui”, explica.

Dificuldades

Por ter uma cultura tão diferente da brasileira, não é tão fácil se adaptar aos costumes da China. Richard elege as principais facilidades e dificuldades do país. “A maior facilidade é a segurança. Pequim é extremamente segura quando se trata de assaltos, crimes, brigas e drogas. Mas as principais dificuldades são a língua e a alimentação. Tem muita pimenta na comida e muita coisa que comemos com sal no Brasil, como feijão e salame, aqui eles comem com doces”, sugere o jornalista que também dá conselhos sobre o que não se deve fazer por lá. “Os turistas devem evitar confusões com a polícia, não se meter em brigas, não beber água da torneira e desconfiar das chinesas que falam inglês muito bem”, aconselha.

Os brasileiros avessos a comidas diferentes podem procurar restaurantes tipicamente brasileiros ou churrascarias pelas ruas de Pequim. O restaurante Alameda, por exemplo, localizado no bairro de Sanlitun, é freqüentado por brasileiros que não perdem o hábito de comer e conversar, conversar e comer, até que acabe a sobremesa e venham os cafés e mais assuntos.

O idioma é outro assunto complicado no país. A língua falada é o mandarim e poucas pessoas falam o inglês. Os turistas estrangeiros precisam de ajuda para identificar placas na rua, ler mapas e até mesmo saber o itinerário dos transportes públicos. Segundo Richard, a melhor opção é tentar encontrar um guia ou motorista que fale inglês, ou pedir auxílio para os porteiros dos hotéis. Já para encontrar um conterrâneo por lá, é preciso sorte. A maior comunidade de brasileiros da China, e uma das maiores da Ásia, está em Dongguan, onde vivem entre 2.000 e 3.000 deles. Pequim tem cerca de 500 brasileiros. E Xangai, o centro econômico, pouco mais de 1.000.

Atrações

Independente das diferentes competições esportivas que acontecerão na capital, os visitantes não podem deixar de conhecer as principais atrações do país. Uma visita obrigatória é a Grande Muralha da China, com 6.700 km de extensão. A construção original data de 221-207 a.C., mas grande parte do que se visita hoje foi construído na dinastia Ming (1368-1644). Em sua longa extensão misturam-se turistas do mundo inteiro, aventureiros e muitos vendedores locais. Se você realmente não deseja comprar nenhum souvenir, terá bastante trabalho para convencer os simpáticos vendedores. Além da Muralha, há outros lugares belíssimos, como Xangai, Tibet, Xian (a noroeste do país), as cidades cortadas pelas altas montanhas, e o Rio Yangtsê, que abriga a Barragem de Três Gargantas.

Richard Amante destaca alguns lugares na capital que os brasileiros não devem deixar de visitar. “Existem alguns passeios imperdíveis por aqui, como a Muralha da China (Mutianyu ou Simatai); a Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial; o Palácio de verão; o Zhonguancun, para comprar eletrônicos; o Silk Market, para comprar roupas, calçados e lembranças chinesas; o Wanfujing, com comidas exóticas; o Sanlitun, região de bares e restaurantes para visitar à noite; o Houhai, lago rodeado de bares e restaurantes; e o Gulou, região com construções antigas que abrigam locais de entretenimento, bares, restaurantes, shows”, diz.
Para os brasileiros que pretendem aproveitar ao máximo os dias que passarem no oriente, o jornalista dá outras dicas. “Não se iludam: a Pequim que verão nos jogos não é a normal. Agora, está muito mais bonita, vazia e chata. Aproveitem para conhecer a cultura chinesa ao máximo e experimentem tudo que tiverem vontade. Existem excelentes casas de massagem espalhadas pela cidade, por exemplo. Outra coisa: andem sempre com muito dinheiro no bolso. Poucos lugares aceitam cartão de crédito e os que aceitam cobram taxa de 4%”, ensina.

Saiba mais sobre a China

- A República Popular da China é o terceiro maior país do mundo em área e o mais populoso do planeta, ocupando uma parte considerável da Ásia oriental. O Partido Comunista da China (PCC) governa o país por meio de um sistema de partido único desde a fundação da República Popular, em 1949.

- A viagem entre o Brasil e a China, com embarque a partir de São Paulo ou Rio de Janeiro, dura em média 30 horas em vôos transatlânticos de no mínimo duas conexões.

- A China tem cinco mil anos de história e ainda usa pouco a língua inglesa para se comunicar. O mandarim ainda é a língua mais falada.

- O clima em Pequim é seco, quase nunca chove e venta muito. Logo que se chega na capital, a garganta seca e os olhos ardem, reflexo da mistura de clima e poluição. Por conta disso, é comum ver pessoas andando nas ruas com garrafas de água ou chá.

- Há várias maneiras de se locomover em Pequim: a pé, de bicicleta, ônibus, metrô ou táxi. Em qualquer uma delas, é bom usar o mapa, pra não se perder. Em cada ponto de ônibus há uma placa mostrando o itinerário de todas as linhas que param ali, em chinês. E os ônibus param em todos os pontos indicados. Não adianta procurar a cordinha e nem esticar o braço. Você paga na hora que entra. O valor depende de quantos pontos vai percorrer.

- A moeda na China é o Renminbi, que significa “dinheiro do povo”. A unidade do Renminbi é o Yuan. É muito fácil encontrar dinheiro falso. Fique atento quando receber notas de 50 e 100. Trocar moeda estrangeira é simples, basta levar o passaporte. Pode ser feito em qualquer agência bancária, mas nem sempre é possível encontrar um funcionário que fale inglês.

- A comida chinesa sólida é degustada com pauzinhos chineses (hashis) e os líquidos com uma colher larga e plana (normalmente de cerâmica). Uma fonte de carboidratos (arroz, talharim) são normalmente o ingrediente principal de uma comida chinesa.

Dicas importantes:

- Não há preocupação em seguir filas. Para pegar táxi, metrô ou ônibus, a regra é chegar primeiro;
- Os chineses falam alto, e o barulho é ensurdecedor nos lugares onde há multidão;
- É comum os chineses cuspirem ou escarrarem na rua. O governo faz campanha para extinguir esses hábitos, mas eles ainda são correntes. De acordo com a cultura local, escarrar e cuspir significam limpar o corpo;
- Comer fazendo barulho e arrotar após a refeição, mesmo em locais públicos, significam satisfação com a comida;
- As mesas costumam ser divididas entre desconhecidos nos restaurantes. Não se surpreenda se alguém pedir para experimentar sua comida. Nem adianta reclamar do cigarro em ambientes fechados, inclusive em restaurantes;
- A culinária chinesa tem uma grande diversidade de ingredientes. Há pratos feitos com barbatana de tubarão, escorpião e pomba;
- Os pratos chineses costumam abusar da pimenta e de raízes fortes, como gengibre;
- A água das torneiras em Pequim não é potável. Só beba água mineral lacrada. Evite tomar água -mesmo gelo- de procedência desconhecida;
- É bom sempre olhar para os lados, para a frente, para a retaguarda e na diagonal ao atravessar a rua em Pequim. Bicicletas e outros veículos surgem de todas as partes. Todo cuidado é pouco;
- Os quarteirões em Pequim têm 1 km de comprimento. Andar duas quadras pode não ser tão perto quanto parece

 



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