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Uma crise
no casamento, a falta de satisfação
com o marido ou, até mesmo, no caso
dos solteiros, o medo do desconhecido e
da rejeição, faz com que as
pessoas busquem outras formas de prazer.
Ela liga
a webcam e, do outro lado, um desconhecido
pede que ela tire toda a roupa. Ela se despe
devagar, solta o cabelo e vai tirando cada
peça, o salto alto, a lingerie preta
e a cinta-liga da maneira mais cinematográfica
possível. Isso tudo como se alguém
estivesse ali, ao lado com ela. Até
está, mais do outro lado da tela
do computador. E nada de imaginar um jogo
eletrônico. A cena é real e
acontece entre um homem e uma mulher. Os
dois são solteiros, maduros, aparentemente
“sociáveis” e profissionalmente
bem-sucedidos.
A situação descrita acima
mistura o virtual e o real e está
tornando-se cada vez mais comum no mundo...real.
Uma pesquisa divulgada recentemente pelo
Conselho
Nacional de Compulsão Sexual dos
Estados unidos revelou que
existem cerca de dois milhões de
pessoas viciadas em sexo pela internet,
que chegam a ficar de 15 a 25 horas por
semana navegando em sites relacionados.
No Brasil, apesar de não haver
estatísticas oficiais sobre o tema,
a busca por parceiros em salas de bate-papo
já é uma realidade. Para a
sexóloga e psicoterapeuta Giovana
Pessanha, o contato virtual tem sido uma
das maneiras encontradas para as pessoas
maquiarem a solidão. “Uma crise
no casamento, a falta de satisfação
com o marido ou, até mesmo, no caso
dos solteiros, o medo do desconhecido e
da rejeição, faz com que as
pessoas busquem outras formas de prazer”,
explica Giovana.
Luana Cantinho* ficou adepta do sexo virtual
por um acaso. A design de moda diz que,
em um sábado à noite, chuvoso,
estava se sentindo meio sozinha e resolveu
entrar no Messenger. Encontrou um amigo
de São Paulo e o clima acabou esquentando
entre os dois. “Acho que naquele dia
plantei uma pimentinha no meu computador
porque hoje eu não vivo sem ele”,
brinca Luana. Não deu outra. A design,
de 35 anos, conta que hoje não sente
falta de encontrar um par real e que, quando
está carente, é no computador
que ela se resolve.
Além de facilitar o contato para
quem não consegue ir adiante numa
relação real, o anonimato
e a distância comuns do mundo virtual
pode ser um facilitador para as pessoas
satisfazerem seus desejos. “Nas salas
de bate-papo vale tudo: falar palavrões,
bater, inventar nomes, brincar com os desejos.
O detalhe é que os internautas podem
fazer o que quiserem sem medo da rejeição”,
acrescenta a sexóloga. Qualquer instatisfação,
diz ela, basta clicar no teclado e o contato
com o outro acaba.
Para interagir via computador, vale tudo
para aumentar a sensação de
prazer: sensores, aparelhos de massagem,
jogos eletrônicos e até mesmo
roupas sensitivas são os objetos
de desejo para quem tem aproveitado o sexo
à distância. Conectados ao
computador pela entrada USB (uma espécie
de tomada que liga periféricos à
máquina), alguns produtos já
permitem que o parceiro “sinta”
o toque do outro através de sensores
ópticos. Uma outra brincadeira que
já faz sucesso entre os adeptos do
sexo virtual é o vibrador com uma
microcâmera acoplada. “Nós
chamamos de big brother do sexo. A pessoa
pode filmar e introduzir o aparelinho aonde
quiser que aparece tudo na tela”,
explica Waleria Albuquerque, diretora da
Megastore
Eroticpoint, uma das maiores
distribuidoras de produtos eróticos
no País.
Segundo Waleria, apesar da indústria
do sexo estar mais criativa do que nunca,
a procura por esses apetrechos ainda está
engatinhando. “O mercado brasileiro
ainda está atrasado em relação
a outros países. A Eroticpoint, por
exemplo, só começou a importar
aparelhos desse tipo há pouco tempo”,
afirma. Um dos motivos, diz Waleria, é
que alguns aparelhos são muito avançados
e exigem máquinas potentes. “A
maioria dos internautas brasileiros não
tem computadores com capacidade para usá-los”,
diz. E, enquanto essa tecnologia não
está em todos os computadores, cada
um se diverte em frente a tela como deseja.
E sem limites.
* o nome foi modificado a pedido da
entrevistada.
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