Só por uma noite

Professor da UFRJ afirma que muitos homens na fase adulta recorrem à prostituição em busca dos gloriosos anos da juventude. Além da vantagem da falta de compromisso, o sexo fácil revela ainda a dificuldade que muitos homens têm de relacionar-se com suas parceiras.

É válido contratar os serviços de uma garota de programa? Muitos homens buscam simplesmente uma aventura, outros acreditam que essa é a maneira mais fácil de alcançar o prazer sem ter que sorrir e dizer “bom dia” depois do orgasmo. Enfim, são numerosos os caminhos que levam a esse tipo de relacionamento. Mas uma coisa é certa: por trás da falta de compromisso, o sexo fácil revela ainda a dificuldade que muitos homens têm de relacionar-se com suas parceiras.

O professor do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica da UFRJ, Paulo Coletty, explica que, mesmo após iniciarem a vida adulta, muitos homens continuam a buscar sexo através da prostituição. “É um costume. Na juventude das pessoas com mais de 30, 40 anos, a prostituição foi a forma que eles tinham para ter suas primeiras experiências sexuais. Pelo que tenho visto nos relatos dos meus pacientes, é que essa é uma forma também de resgatar a juventude. Eles buscam uma aventura, como faziam na época em que eram jovens”, conta o professor.

Para o técnico de informática, Lauro Martins, de 33 anos, freqüentar termas ou até mesmo contratar os serviços de uma garota de programa na rua é uma espécie de fuga. Casado há cinco anos, ele confessa que costuma recorrer à prostituição. “Não há qualquer tipo de compromisso. Não preciso agradar a mulher, dar presente ou coisa parecida para me satisfazer”, diz Lauro, acrescentando que o ato de ir num “centro de lazer” ou “inferninho” é envolto em um clima bastante divertido. “Nunca fui sozinho num lugar desses. É sempre com os amigos. Vamos lá pra conversar, beber e encontrar mulheres bonitas”, conta.

O professor da UFRJ ressalta que a repressão sexual nas décadas passadas facilitou que os homens, em seus anos de juventude, procurassem com freqüência as garotas de programa. Mas Paulo Coletty disgnostica ainda outro problema dessa geração: a falta de costume em usar preservativo. “Eles não precisavam de camisinha quando iniciaram a vida sexual já que não havia tanta divulgação sobre as DSTs. Para essas pessoas, é difícil mudar esse comportamento”, conta.

O músico Bernardo Galhardo, de 41 anos, apesar de já ter freqüentado algumas casas de prostituição, afirma que hoje em dia não vai mais a esses lugares.

Solteiro, ele conta que suas experiências com garotas de programa foram ruins. “A sensação de que elas estão ali por dinheiro é muito ruim. Elas se tornam frias. Enquanto você está lá curtindo, ela quer que tudo termine logo para o próximo programa começar”, avalia Bernardo.

É notório que o “sexo por dinheiro” é bastante procurado. Basta passar pelo calçadão da orla de Copacabana, tradicional ponto de prostituição, onde durante a noite e madrugada, de segunda a segunda. Para Paulo Coletty, cada pessoa é capaz de avaliar se o sexo com garotas de programa é benéfico ou não. “Tem gente que pode ter certa dificuldade em arrumar uma parceira ou parceiro. Outros fazem simplesmente por costume”, explica.

 

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