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A saúde
sexual não passa exclusivamente por
questões orgânicas. Mas estas
podem ser a origem de dificuldades emocionais.
Quando existe algum problema e nem mesmo
se consegue identificá-lo, a terapia
sexual pode ser um importante instrumento.
Quando
o assunto é sexo, os tabus não
têm fim. Até mesmo os tratamentos,
como a terapia sexual, sofrem com o preconceito.
No imaginário de muita gente, o tratamento
pode estar ligado à exposição,
vergonha ou até mesmo a demonstrações
explícitas de sexo para o terapeuta.
Nada disso, no entanto, faz parte da realidade.
O que está em questão neste
tipo de terapia sexual é o benefício
da saúde sexual do paciente, que
engloba a vida social, a família,
o trabalho e, principalmente, a forma como
vemos e lidamos com a nossa auto-imagem.
O ginecologista e especialista em terapia
sexual e de casal Amaury Mendes Junior explica
que o início da terapia sexual se
dá com muita conversa, para que se
possa fazer um levantamento do histórico
do paciente. Todos nós nascemos com
um potencial erótico, em maior ou
menor grau, e é o histórico
de vida de cada um que vai determinar seu
desenvolvimento. Família, religião,
educação e a sociedade são
elementos que influenciam nesse processo.
Com uma investigação objetiva,
breve e focal, pode-se direcionar o procedimento
a ser tomado.
“O tratamento que iniciamos trabalha
com uma psicodinâmica, não
é uma psicanálise. O terapeuta
vai trabalhar com o aparente, com a situação.
Ele precisa unir a parte emocional com a
parte física. Primeiramente estudamos
a sua vida, como foi a primeira relação,
se houveram traumas, abusos sexuais. Assim,
com base em um questionário, traçamos
o perfil do paciente para podermos auxiliá-lo
em seu tratamento”, explica o terapeuta.
A parte orgânica da terapia sexual
consiste em exames de medição
das dosagens hormonais e neurotransmissores,
além de ultra-som de órgãos
específicos. “O lado físico
corresponde ao emocional. Por exemplo, um
paciente com disfunção erétil
pode se afastar da mulher e ela, por não
saber a causa disso, começa a pensar
que o problema está em si. Assim,
se inicia um processo que irá dificultar
a relação deles. A função
do terapeuta é intervir nessa questão
sem incomodar o modo de vida dos pacientes”,
diz Mendes.
Mal-entendidos
Segundo o terapeuta sexual, o maior receio
do homem é falhar na hora H e decepcionar
a parceira. Já a mulher se preocupa
mais com o relacionamento. Ela tem medo
de ser rejeitada pelo companheiro, de não
conseguir mais seduzi-lo ou atraí-lo.
Quando se sente abandonada, ela fica insegura,
o que só facilita para que se trave
sexualmente. Assim, quando uma relação
é fria, sem cumplicidade entre o
casal, os problemas externos são
refletidos na cama, contribuindo para um
sexo de péssima qualidade. Com tudo
isso, a estabilidade da relação
começa a ruir. “A pessoa pode
chegar a trair, pois quer saber se estes
problemas só acontecem com seu parceiro”,
diz o terapeuta.
Entre o casal, o homem é quem mais
reluta em procurar ajuda. “Muitos
homens decidem procurar ajuda depois de
se sentirem frustrados, como por exemplo,
ao não conseguirem uma ereção
mesmo utilizando o Viagra ou medicamentos
semelhantes. É válido lembrar
que estes remédios servem para manter
a ereção e não para
criar uma. Quem possui este tipo de disfunção
não conseguirá curar com estes
medicamentos”, explica Mendes. Felizmente,
este cenário está mudando.
Aos poucos, as barreiras masculinas ao tratamento
vão diminuindo. De acordo com recente
pesquisa, hoje os homens demoram ente 1
ano e 1 ano e meio para procurarem tratamento
terapêutico. Antes, esse tempo se
estendia até 5 anos.
Já a mulher ainda enfrenta questionamentos
culturais, que levam à insegurança
de lidar com seu próprio prazer sem
submetê-lo à necessidade de
satisfazer seu parceiro. “A mulher
sempre dependeu do desejo do homem. Ela
faz sexo quantas vezes o parceiro a procura.
Infelizmente, a mulher está acostumada
a não ter orgasmo. Há apenas
60 anos ela tem o direito de gozar. Só
agora é que ela começa a descobrir
que o seu prazer não depende só
do homem, ela pode e deve correr atrás
do seu prazer”, explica o ginecologista.
Para Mendes, ninguém deve se sentir
responsável pelo prazer do outro.
É preciso que todos tenham liberdade
para dizer o que querem e fazer apenas o
que sintam vontade. Conversar é fundamental,
ter respeito para com o outro, essencial.
Embora o homem ainda possa ser preconceituoso
em relação à independência
sexual feminina, sua insegurança
com o próprio desempenho não
pode atrapalhar a vida do casal. “A
exemplo de hoje, a garotada não se
preocupa em manter uma relação
sólida, eles querem é mostrar
que possuem um bom desempenho e conseguem
ter várias relações
em uma noite. A cama virou um palco de demonstrações,
o que no futuro acarretará em alguns
problemas, pois todos nós precisamos
de afeto, senão a relação
fica vazia”, diz Mendes.
Uma maior aproximação do
casal e a percepção de que
sexo é muito mais que penetração
podem trazer de volta a libido, o interesse
pelo parceiro e a sensação
de ser amado. Para atingir estes objetivos,
exercícios comportamentais como exposição
erótica, posições sexuais,
atividades para estimular o toque e re-ensinamentos
de conhecimento do corpo são realizados
durante as sessões de terapia sexual.
Segundo Mendes, quando o paciente ou o casal
compreende a razão que desencadeou
os problemas, a cura está próxima.
Vencendo o tabu
Algumas atitudes são muito úteis
para vencer as dificuldades e convencer
seu parceiro a acompanhá-la em uma
sessão de terapia sexual. Primeiro,
seja franca. Tenha uma conversa séria
e aberta, explique o quão importante
o tratamento é para você. Afinal,
se há sentimentos, um tentará
compreender o outro. Peça que seu
parceiro se comprometa a ir, apenas, a uma
sessão e só depois avalie
se irá voltar ou não.
Uma vez no consultório, deixe o
nervosismo de lado. O profissional está
ali para te ouvir e não para julgar.
Ele escutará as queixas e avaliará
a situação do ponto de vista
médico. Um bom especialista é
aquele que consegue deixar o paciente confortável.
Caso você se sinta mal, procure outro
profissional, não se sinta obrigado
a continuar um tratamento que não
te agrada. Lembre-se: se preocupar só
dificultará a cura.
O importante é ter em mente que
a maioria dos problemas sexuais possui cura.
Alguns podem ser tratados rapidamente, em
apenas alguns meses. Então para que
sofrer mais? Pense em seu bem-estar e não
deixe que a vergonha atrapalhe a busca pela
recuperação do prazer.
Para conhecer o trabalho do ginecologista
e terapeuta sexual Amaury Mendes Junior
acesse www.amaurysexologo.med.br
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