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Cientistas divulgam pesquisa em que afirmam que a duração ideal de uma relação sexual varia entre três e 13 minutos. Mas será mesmo que é possível fixar padrão de tempo para uma transa?

Em abril deste ano, uma pesquisa publicada na revista Journal of Sexual Medicine chamou a atenção até mesmo de quem não se interessa por ciência. Pesquisadores da Universidade Penn State, no estado americano da Pensilvânia, recolheram, através de 50 integrantes americanos e canadenses da Sociedade de Pesquisa e Terapia Sexual, dados de milhares de pacientes durante décadas e chegaram à uma conclusão: um ato sexual "adequado" dura entre três e sete minutos.

A pesquisa afirmou ainda que uma relação sexual entre sete e 13 minutos seria classificada como "desejável", e uma entre dez e 30 minutos como “muito longa”. Já um ato entre um e dois minutos seria taxado de "curto demais".

Expectativas lá e cá

Como pesquisas anteriores pelas bandas dos países do norte indicavam que uma grande porcentagem de homens e mulheres gostaria que a relação sexual durasse 30 minutos ou mais, Eric Corty, que liderou o estudo, declarou que um dos objetivos da pesquisa seria ajudar essas pessoas a criarem expectativas mais realistas.

“Com essa pesquisa, esperamos dissipar essas fantasias e encorajar homens e mulheres com informações realistas a respeito de relações sexuais aceitáveis, evitando decepções e problemas sexuais", disse Corty.

Já por aqui, a pesquisa parece não ter obtido efeito sob as expectativas “fantasiosas” dos brasileiros. Após a divulgação do estudo, o site Globo Online perguntou a seus leitores qual seria a duração ideal de uma transa. Mais de 45% dos participantes escolheram de 15 a 45 minutos como sendo o ideal. E mais: outros 17,4% dos internautas declararam que acima de 45 minutos seria melhor.

Ideal para quem?

Mas, muito além de uma discussão sobre as diferenças entre os americanos e os brasileiros, Regina Moura, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestre em sexologia, chama a atenção para a criação de padrões para a relação sexual. Segundo ela, longe de ajudar na resolução de problemas sexuais, pesquisas como a da Universidade Penn State impõe mais um estereótipo entre os tantos que já assombram os casais quando o assunto é sexo.

“A resposta para essa pergunta na verdade é depende. Ideal para quem? Quando? Essa questão é uma coisa fundamentalmente individual. Já existem muitos estereótipos a se cumprir. As pessoas não podem funcionar de acordo com o que se estabelece numa pesquisa, tudo depende do casal”, diz Regina.

A sexóloga lembra ainda que a pesquisa considera como relação sexual apenas o intervalo entre a penetração e o orgasmo, descartando um importante componente da relação, que são as preliminares, e impondo a penetração como fundamental ao ato sexual.

“O sexo não começa quando tem a penetração e não precisa necessariamente de penetração. Quando você determina isso, estabelece um tempo mínimo, vai passar a classificar quem faz em menos tempo como ejaculador precoce. Se uma pesquisa estabelece que duas a três relações por semana com penetração é satisfatório, não significa que a pessoa está satisfeita. Quando se resolve estabelecer o que é normal é para que as pessoas se enquadrem, mas você pode querer mais ou menos. As pessoas se comportam de diferentes maneiras”, completa Regina.

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