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Atendendo a uma sugestão de um cadastrado, nós do Solteiros e Solteiras fomos atrás de esclarecimentos sobre os mistérios que cercam o orgasmo feminino e conversamos com duas especialistas no assunto. O Manuel do Prazer para os solteiros tem como objetivo desvendar mitos e ensinar truques para uma vida sexual mais prazerosa. Confira.
Homens X Mulheres
Para entender bem o que se passa na cabeça de homens e mulheres na hora do sexo é fundamental saber as diferenças, que vão além das físicas e interferem diretamente na forma como cada um sente prazer. No entanto, a presidente do Instituto Kaplan de Estudos da Sexualidade, Maria Helena Vilela, afirma que a sensação de prazer que o homem sente não é diferente da sentida pela mulher. “A diferença é que quando os homens atingem o clímax é comum ejacular junto. A ejaculação causa um desgaste físico muito intenso no organismo masculino, provocando a perda de ereção imediata e a necessidade do corpo descansar. Como o organismo da mulher não precisa se recuperar de um orgasmo para que ela tenha outro, ao invés de um único orgasmo ela pode conseguir ter vários”, explica.
Enquanto para o homem basta um pequeno toque para que ele se sinta excitado, a mulher precisa de mais tempo. A orientadora sexual Denise Capanema diz que para receber a penetração do pênis, a mulher precisa de lubrificação e para isso o corpo feminino precisa de mais estímulo que o masculino. E é por esse motivo que as mulheres gostam mais das preliminares do que os homens. “Os rapazes que pretendem dar prazer a suas parceiras devem dedicar mais atenção às preliminares e ajudá-las a relaxar antes da penetração”, aconselha.
Outra característica dessa comparação é que no aspecto físico o pênis é um órgão que está exposto, sendo visível a sua excitação. Já a vagina é interna, somente a mulher sabe quando está excitada. Para Maria Helena, isso pode interferir na forma como homens e mulheres vêem o ato sexual e na maneira como se comportam diante do assunto. “É mais fácil para os homens lidarem com o assunto, pois a estimulação no corpo é visível. A mulher tem ainda uma criação mais reprimida e expor que está excitada não é bem aceito, é considerado algo incomum”, explica.
A incógnita do prazer
Se fazer sexo é, hoje, constatado como causa de grandes benefícios para o bem estar do corpo, da saúde e como prova de amor e união, por que tantas mulheres ainda se sentem reprimidas em buscar seu prazer pessoal? Maria Helena explica que esse fato tem causa social. Para ela, a vontade de fazer sexo do homem sempre foi aceita pela sociedade, enquanto a mulher possuía o papel reprodutivo e o ato sexual era como cumprir um dever. “Essa é uma dificuldade sócio-cultural e física. Até meados do século XX, a mulher que assumisse seu desejo sexual era discriminada, banida de qualquer roda de amizade e jamais escolhida para ser uma boa esposa. Isso foi impregnado na nossa cultura há milhares de anos e ainda deixa seqüelas”, conta.
A maior problemática da inibição e da dependência sexual da mulher se encontra em conceitos passados pela educação, por medo da reação do marido ou até por falta de conhecimento. Por isso, muitas mulheres nunca tiveram um orgasmo e algumas delas nem sabem o que é isso. “O medo da entrega, a perda de controle da situação, o desconhecimento do corpo e de seus direitos sexuais fazem a mulher ignorar que pode ter uma vida sexual prazerosa e sem maiores problemas”, diz Maria Helena.
Mas como mudar esse cenário? Maria Helena aconselha obter informações, conversar sobre sexo com o parceiro e amigas e dizer ao amado quais são as partes do corpo onde sente mais prazer. E caso a falta de orgasmo seja um problema recorrente, o ideal é procurar ajuda médica. Denise reforça que as causas físicas são passíveis de consultas com especialistas. Segundo ela, algumas são tratáveis e outras não. “As causas emocionais são inúmeras e também devem ser tratadas com especialistas no assunto que vão avaliar se o problema vem da infância, de tabus, de abusos, da baixa autoestima, de ansiedade etc. Porém, o mais importante é a mulher querer enfrentar o problema e estar disposta a encontrar o seu prazer”, conta.
Identificando o orgasmo
Mas, como acontece o orgasmo feminino? Na hora do ápice, as mulheres sentem uma forte contração vaginal, um aceleramento cardíaco e dilatação das pupilas. “Nesse momento, a mulher sente uma sensação forte de entrega, um aumento da pulsação e dos batimentos cardíacos, contração dos músculos pélvicos, um arrepio pelo corpo e aumento do suor. Essas são as sensações comumente sentidas pelas mulheres ao alcançarem o orgasmo”, conta Maria Helena.
Mitos
Alguns mitos atrapalham ou impedem as mulheres de alcançarem o orgasmo. Para Denise, “muita gente acredita que a mulher só atinge o orgasmo se estiver apaixonada ou ainda que o homem é o responsável pelo prazer da mulher. A falta de informação é o principal fator que leva a mulher a não conseguir ter um orgasmo”.
Segundo a orientadora sexual, acreditar que só existem dois tipos de orgasmo também impede a mulher de buscar coisas novas na cama. “Achar que o orgasmo é mais prazeroso quando atingido ao mesmo tempo que o parceiro e que na menopausa a mulher perde o desejo sexual também são pensamentos que só prejudicam a busca do prazer”, diz.
Para eles: Como levar uma mulher ao êxtase
Àqueles que procuram deixar sua parceira sem fôlego e se tornarem conquistadores, atenção às reações das mulheres durante o sexo e procurem sempre dar a elas o que querem.
Para Maria Helena, o machismo tem diminuído e se dependesse do desejo dos homens todas as mulheres estariam satisfeitas. “Nem só o desejo e a iniciativa do homem favorecem o orgasmo feminino. É preciso que eles aprendam e gostem de fazer sexo com elas e que elas ensinem e se entreguem às sensações sexuais”, complementa.
Para a mulher chegar ao orgasmo ela precisa estar muito excitada, pois a lubrificação ajuda a dilatar a vagina e, assim, as paredes do órgão sexual feminino ficam mais sensíveis durante a penetração. “Por isso, o homem só deve fazer a penetração quando a sua parceira estiver excitada o suficiente”, explica.
A principal maneira de o homem agradar uma mulher é não ter pressa. A pressa é inimiga do prazer. “O desejo no homem é facilmente despertado e ele atinge um alto grau de excitação em pouquíssimo tempo de tal forma que o estímulo direto no pênis provoca rapidamente a vontade de ejacular. Já a mulher precisa de uma tensão maior e de mais contato físico que explorem seu corpo”, esclarece. A dica é: brincar com o corpo da mulher e ficar atento a como ela reage aos pontos tocados. “Os lugares que dão mais prazer é na região dos seios, na parte interna dos braços e coxas, nos pequenos lábios e clitóris”.
Mas atenção, muitas vezes a mulher, para agradar o namorado ou para terminar logo, finge que teve um orgasmo. Denise garante que para quem conhece bem o corpo feminino é possível saber se a mulher está mentindo ou não. “Quando a mulher tem orgasmo, há uma série de contrações involuntárias de toda a musculatura pélvica, se o homem não possui conhecimento da anatomia feminina e não consegue perceber os fortes espasmos que acompanham o orgasmo, nem o aumento na quantidade da lubrificação, fica muito fácil fingir orgasmos”, diz.
Para elas: Como chegar ao paraíso
A primeira regra para chegar ao orgasmo é conhecer o seu próprio corpo. Só assim, a mulher poderá pedir ao seu parceiro que faça aquilo que mais gosta. Denise defende a bandeira do autoconhecimento. “As mulheres podem ter diversos tipos de orgasmos, que dependem dos estímulos recebidos durante o ato sexual. Por isso, é essencial se conhecer e saber suas preferências”, conta.
Dessa forma, não tenha vergonha de se masturbar. A masturbação é vista como algo proibido e errado, por causa de uma imagem deturpada que foi construída pelos preconceitos em relação aos desejos femininos. “É preciso combater essa idéia equivocada sobre a masturbação. Mulher pode sim buscar prazer sozinha. Isso é um ato de cumplicidade com o seu próprio corpo. E é desse jeito que muitas mulheres descobrem que conseguem ter orgasmos múltiplos, vaginais, clitorianos e anais”, conta.
Como a mulher dá mais valor às preliminares, uma boa dica é inovar no sexo oral. “O toque e as atividades de sexo oral ou masturbatórias são importantes facilitadores orgásticos”. Se você preferir, em lojas de sex shop existem produtos que ajudam a estimular o prazer. Os óleos aromatizantes são uma boa opção.
O corpo feminino ainda guarda uma importante arma secreta: o Ponto G. Sim, ele existe. “O tão procurado ponto G (ou ponto de Grafenberg) é uma região de excitação. Essa zona erógena varia de mulher para mulher, tanto na localização, no tamanho, na textura ou na espessura. Invisível aos olhos e não muito fácil ao tato, situa-se logo abaixo do osso púbico, profundamente na parede anterior da vagina entre sua abertura e o colo do útero”, explica Denise. Para descobrir as sensações do Ponto G nada mais excitante do que propor ao seu parceiro uma ‘caça ao tesouro’, não?
Outro problema na hora da transa é que muitas mulheres reclamam da falta de lubrificação e o incômodo que isso pode causar. Mas Denise garante que isso tem solução e avisa que existem no mercado diversos lubrificantes e gel a base de água que auxiliam durante a penetração.
Exercícios e posições
Depois de toda a teoria, é hora de partir para a prática. Alguns exercícios podem ajudar a mulher a ter mais prazer. “Existem exercícios que fortalecem a musculatura pélvica como a dança do ventre e o pompoarismo (técnica oriental que consiste em contrair e relaxar a musculatura do períneo). Mas, uma dica é experimentar fazer movimentos com a pelves, como aquele que se faz quando se quer segurar o xixi, contraindo a vagina durante a penetração”, aconselha.
Para Maria Helena, a melhor posição é aquela que a pessoa se sente confortável, pois o desconforto desconcentra e diminui a excitação. Já Denise recomenda explorar posições que entrem em contato com as regiões mais sensíveis do corpo. “A glande do clitóris, assim como a do pênis, é rica em terminações nervosas e possui grande sensibilidade. Os grandes lábios também possuem estruturas responsáveis por imenso prazer. Essas duas partes devem ser estimuladas e pressionadas por outro corpo ou pelas mãos. Assim, o fluxo sanguíneo aumenta, inchando os tecidos da entrada da vagina e facilitando o orgasmo durante a penetração”, diz.
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