Sexo sem compromisso

Transar ou não no primeiro encontro é uma discussão ultrapassada. A banalização da nudez, o comportamento liberal das mulheres e o exagero do debate sobre sexo, virou a página das polêmicas que giram em torno do tema, criando uma questão mais atual: a falta de compromisso depois que o outro vira pro lado e dorme. (Leia reportagem sobre o assunto)

Hoje, a falta de compromisso virou compromisso. Esperar um telefone na manhã seguinte de uma transa inesquecível é romantismo. Receber flores, então, chega quase a ser um crime na cartilha que rege os “descompromissados” de plantão. Mas se você curtiu uma transa e não se transformou em “abóbora” depois da meia-noite, fique calmo. Segundo especialistas, o sexo casual faz parte de um momento na vida de cada um e não tem, necessariamente, a ver com uma descrença no amor. O que move mesmo os adeptos é a satisfação do ímpeto sexual, sem a obrigação de que esse parceiro ocasional vire um (a) namorado (a).
“O desejo é igual para os dois. Se eu estou solteira, não quero ficar sem sexo. Do mesmo jeito que o homem procura opções fora do compromisso, a mulher também. Mas é um momento da vida, não uma escolha para a vida”, afirma Úrsula Resende, de 34 anos. “Eu queria estar apaixonado mas, não estando, quero uma relação que não me obrigue a estar sempre junto de uma pessoa. Prefiro a hipótese do sexo casual, desde que haja respeito. Mas sem cobranças”, revela o jornalista Nuno Virgílio Neto, de 30 anos.

A tendência abre possibilidades de experimentar diferentes parceiros e conhecer seus próprios gostos no sexo (veja manual do sexo saudável). Mas mesmo começando sem maiores pretensões, a relação casual pode levar a um envolvimento emocional. O que fazer quando a casualidade ganha freqüência e um dos dois começa a querer algo mais? (confira o teste para saber se seu namoro vai dar certo)

Nesses casos, há quem prefira pôr fim à brincadeira para evitar corações machucados. Diminuir a freqüência dos encontros também pode ser uma saída ou ainda buscar um novo parceiro, com ou sem amor. Para a engenheira Roberta Vale, de 32 anos, a casualidade da situação esvazia a relação com o tempo: “Se ganha alguma freqüência, perde o caráter do sem compromisso. É conveniente até uma certa hora. Ou não dá em nada ou leva ao sofrimento. Para o homem até funciona, mas para a mulher, continuar nessa sem nenhum envolvimento afetivo cansa”, acredita.

Fugir do padrão tradicional do namoro, sem a demarcação dos princípios do compromisso, já é recorrente mas ainda é um comportamento relativamente novo, com o qual homens e mulheres estão aprendendo a lidar. O sexo casual ainda é sinônimo de brincar com fogo, porque o perigo de errar na dose, seja dos sentimentos ou do descomprometimento, é sempre presente. O homem ainda não inventou uma máquina para dominar seu coração e os descaminhos do amor encontram novas vias com a mudança de comportamento nos relacionamentos. Com tanta liberdade, ainda existem regras? (Confira os mitos sobre como arranjar um namorado). “É ruim quando existe falta de respeito, mentira ou quando alguém entra num relacionamento que não quer só para ter a transa na semana seguinte”, afirma o empresário Augusto Reis.

O risco de sofrer, inerente ao amor, continua presente, mesmo num relacionamento em que o descompromisso é a maior regra. A aceitação do sexo fora dos modelos tradicionais do namoro e do casamento abre inúmeras possibilidades de interação entre homens e mulheres, mas os limites ainda não estão claramente delineados. “A tendência é o sexo deixar de estar ligado unicamente ao amor. Isso também traz muito sofrimento porque os caminhos não são claros e confundem. Estamos em uma fase de aprendizado”, acredita a psicanalista Ana Lila Lejarraga, professora do instituto de Psicologia da UFRJ.

 

 



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