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Medo de contrair
DST faz com que solteiros fiquem mais cautelosos
na hora de se relacionar.
A liberdade
sexual festejada nos anos 60 foi abalada
pelo surgimento do vírus HIV. A incurabilidade
da Aids fez com que, a partir da década
de 90, homens e mulheres ficassem mais cuidadosos
com seus relacionamentos sexuais. Além
de se prevenir contra a Aids, também
é necessário se precaver contra
as doenças sexualmente transmissíveis
(DST). Para os solteiros, por mais liberais
que sejam, ficou mais difícil confiar
nos parceiros. Sexo seguro é a reivindicação
da maioria deles, principalmente das mulheres.
A paranóia gerada pelo HIV e pelas
DST tira a espontaneidade dos relacionamentos
e coloca os solteiros em alerta.
A Organização Mundial de
Saúde estima que ocorram, no mundo,
cerca de 340 milhões de casos de
DST por ano, sem contar os casos de herpes
genital e HPV. No Brasil, as DST de maior
ocorrência são clamídia
(1,9 milhão de casos), gonorréia
(1,5 milhão), sífilis (937
mil), HPV (685 mil) e herpes genital (640
mil). No Brasil, pesquisas indicam que cerca
de 593 mil pessoas, entre 15 a 49 anos de
idade, vivem com Aids. Dados do Ministério
da Saúde revelam que entre os anos
de 1996 e 2005, houve crescimento da epidemia
nas pessoas com 50 anos ou mais.
A forma mais eficaz de prevenção
de DST e Aids é o uso do preservativo,
masculino ou feminino. Mas nem todos têm
essa consciência. “Conheço
alguns caras que, mesmo sem me conhecer
direito, insistem em ter relação
sem camisinha. E, muitas vezes, depois de
muita negociação, acabam ‘falhando’
na hora de colocar a camisinha”, conta
a advogada Silvia Bastos.
As queixas masculinas já são
conhecidas das mulheres. “Eles dizem
que a camisinha reduz a sensibilidade, mas
nenhum prazer vale mais do que minha saúde.
Com isso, deixo de ter relações
com muitos caras”, relata a advogada,
que se diz mais desanimada do que paranóica
com a situação.
“Depois de namorar muito tempo,
fico na paranóia de contrair alguma
DST. Fiquei seis anos com o mesmo cara.
De repente você termina, começa
a conhecer outras pessoas. Só que
essas pessoas se relacionam com um monte
de pessoas também. Você não
pode exigir nada, nem fidelidade e nem comprometimento.
De repente, você fica um tempo só
transando com aquele cara, mas aí
aquele cara transou com uma menina, que
transou com não sei quantos... Não
dá para arriscar”, afirma a
jornalista Beatriz Marques.
Ela conta que usa camisinha sempre. “Isso
pra mim é regra. Se não tiver
camisinha, não faço. E não
é por gravidez, é por doença
mesmo. A gente sempre acha que não
vai acontecer com a gente, que aquele cara
lindo e super-saudável que a gente
está saindo não tem nada.
Mas, sem camisinha, não rola”,
enfatiza.
Para Beatriz, os homens têm mais resistência
à camisinha. “Nunca aconteceu
do cara se recusar terminantemente em usar,
mas, na maioria das vezes, parte de mim
pedir. Sinto que por eles não é
algo tão primordial assim”,
explica. Segundo ela, a resistência
explicita a conduta do parceiro. “Se
ele diz que com você é diferente,
pode se preparar pra uma surpresa. Quem
não usa com a gente, provavelmente
não usa com as outras também”,
completa.
Quando o assunto é resistência
à camisinha, o escritor Denis Silva
confirma a opinião das mulheres.
“Não uso preservativo sempre.
A camisinha inibe o prazer, diminui a sensação
do contato físico. É muito
melhor transar sem a película de
plástico”, faz graça
o escritor. Ele se justifica dizendo que
se previne verificando se a parceira tem
sangramento ou corrimento.
No entanto, isso não impede que
a paranóia atinja a “cabeça-fresca”
de Denis. “Numa festa, fiquei com
uma menina e acabamos transando diversas
vezes. Algumas sem camisinha. Dias depois
fiquei sabendo que ela tinha transado com
dois caras ao mesmo tempo. Por ter transado
com ela sem camisinha, julguei que ela teria
feito o mesmo com os outros parceiros. Fiquei
apreensivo e fui ao médico ver se
estava tudo certo. E, ainda bem, estava”,
conclui.
A dispensa da camisinha só costuma
acontecer em relacionamentos estáveis.
“Só deixo de me prevenir em
uma relação em que exista
o comprometimento de que eu sou a única
mulher com quem ele transa naquele momento.
Caso contrário, pode ser lindo, maravilhoso,
gostoso, o último homem do mundo,
que eu não abro mão de deitar
a minha cabeça no travesseiro e dormir
tranqüila”, afirma Beatriz.
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