Esporte, paixão e aventura

Para se aproveitar os dias livres, o que não faltam são opções. Tem gente que prefere ver um filminho em casa, colocar a leitura em dia, curtir os filhos. Mas, para os solteiros, os dias livres são perfeitos para conhecer gente nova. E fugindo dos habituais encontros sociais e baladas, alguns têm preferido o contato com a natureza para cuidar da saúde e encontrar pessoas interessantes, tudo de uma única vez.

Profissional do setor de informática e esportista radical, Silvia Hargreaves, de 28 anos, interessou-se por corrida de aventura após ver uma matéria jornalística. Ela, que já praticava montanhismo, escalada e surf, decidiu experimentar o novo esporte e acabou tornando-se uma praticante assídua. Por causa de uns amigos em comum, Silvia conheceu João Bandeira, que já praticava o esporte há anos.

Entre trilhas, pedaladas e corredeiras, a relação entre os dois melhorou tanto que, anos depois, o que era uma simples troca de olhares entre uma etapa e outra acabou em casamento. “O João já tinha uma equipe e era muito profissional para que eu o acompanhasse, mas sempre conversava com ele sobre as provas e os desafios. Por incentivo dele, participei da primeira prova com um outro amigo meu. Desde então, tenho participado de inúmeras corridas e já possuo a minha própria equipe”, explica Silvia.

Parece história de novela, mas as corridas de aventura, que até bem pouco tempo atrás não passava de uma prática restrita aos amantes de esportes radicais, vem cada vez mais conquistando adeptos e, de quebra, tornando-se um point diferente para encontrar gente interessante. Além de proibir que as equipes sejam formadas por pessoas do mesmo sexo, o esporte incentiva, naturalmente, a interação entre homens e mulheres, que equilibram resistência, raciocínio rápido e estratégia. Ambos os sexos passam a conviver de igual para igual, o que ajuda a integração natural de todos os participantes.

O esporte passou a ser praticado no Brasil em 1998, quando foi organizado a Expedição Mata Atlântica (EMA), mas teve início na década de 80, na Nova Zelândia, após a criação da Coast to Coast, uma prova que reunia canoagem, corrida em montanha e moutain bike. A idéia das equipes mistas na competição era de que a disputa não fosse apenas uma competição em que o fator físico fosse determinante para a vitória.

A interação entre os participantes, inclusive com adversários, já começa na noite anterior à largada, quando os organizadores fazem uma reunião para explicar a localização dos postos de controle, chamados também de PCs, as modalidades de cada etapa e as dicas de segurança. Nada é falado sobre o caminho. É hora de analisar o mapa e começar a traçar a estratégia que será executada durante o percurso da corrida. A largada, geralmente, é conturbada pelo excesso de pessoas pedalando na mesma direção. Guiando-se pela estratégia traçada, as equipes vão passando pelo PCs e mudando de etapa (canoa, trekking, técnicas verticais etc). É preciso muito espírito de equipe e, se um integrante desistir, todos são desclassificados.

Com a experiência de quem encontrou sua cara-metade em situação tão adversa, Silvia aconselha que as pessoas têm que procurar parceiros com as mesmas afinidades: “Se você gosta de aventura, não adianta procurar na night. É totalmente incompatível”, opina. O casamento vai bem, obrigado e, mesmo depois de casada, ela continuou a praticar corrida de aventura, só que em uma equipe diferente da de João. “Continuamos competindo, chegamos a fazer algumas provas juntos, mas achamos melhor cada um ter a sua própria equipe. Assim, conseguimos viajar juntos, treinar juntos e curtir cada um a sua prova”, conta.

Miro Mendonça, de 37 anos, organizador do Carioca Adventure e que introduziu o esporte no Rio de Janeiro há cinco anos, conta que as mulheres preferem se relacionar com homens que também sejam atletas do esporte. “Na corrida de aventura, a pessoa tem que treinar pesado, geralmente seis horas num mesmo dia. Às vezes também tem treino noturno. Então é bom ter alguém que se disponha a isso. Não é a questão de querer ter o namorado por perto. Também tem a questão da afinidade. Todo mundo gosta que a pessoa seja parecida consigo”, disse Miro, que acrescentou ainda que a grande maioria das mulheres que conhece e pratica a corrida são casadas ou namoram com atletas do esporte. Questionado se entre uma competição e outra há tempo para a paquera, Miro foi claro: “Espaço tem. Todo lugar que tem homem e mulher misturado vai ter espaço para paquera”, diz.

O Rio de Janeiro e seus rumos

O Rio de Janeiro oferece cenários paradisíacos para a prática desses esportes: há as Paineiras, que recebe quase todas as modalidades radicais e a Mesa do Imperador, que fica depois da Vista Chinesa. Os preferidos dos atletas para as caminhadas são Pico da Tijuca e Pedra da Gávea, que proporciona caminhos de pouca ou grande dificuldade. Em lugares como a Urca, Grajaú e Barrinha são feitas as escaladas em rocha. Na Urca, inclusive, tem-se o contato direto com um dos mais belos cartões-postais da cidade e uma visão inesquecível da Baía de Guanabara. A extensa Lagoa Rodrigo de Freitas abriga a canoagem e corridas de grupo, que também podem ser praticadas nas praias.

Saiba mais sobre o esporte

Advencult – Turismo e Aventura

http://www.advencult.com

Terra Vista

www.terravistatour.com.br

Tamandoa Adventure

www.tamandoaadventure.com.br

Tribo Aventura

http://www.triboaventura.com



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