A qualquer hora do dia

Foi-se o tempo em que tomar chá era um programa de vovó. Preparamos um roteiro Rio-São Paulo de casas onde a bebida é servida a qualquer hora do dia para embalar encontros românticos ou um animado bate-papo com os amigos. Tudo isso num ambiente aconchegante e acompanhado de uma mesa farta de iguarias de dar água na boca.

O país do cafezinho rendeu-se aos encantos do chá. Para emagrecer, melhorar a digestão, retardar o envelhecimento ou “limpar” o organismo, são muitos os benefícios medicinais do hábito que popularizou-se como um ritual inglês mas que, hoje, já é praticado a qualquer hora do dia em várias partes do mundo. Se a infusão vem acompanhada de uma mesa de fartas guloseimas e é servido em um lugar aconchegante, aí a coisa muda de figura: um simples costume torna-se um ótimo programa para casais de namorados ou, simplesmente, embalar um animado bate papo com os amigos.

História

A origem do chá vem da lenda do imperador chinês Shên Nung. No ano 2.737 a.C., após um passeio, o imperador descansava embaixo de uma árvore enquanto seus servos ferviam um pouco de água. Dessa árvore caíram algumas folhas dentro da água fervente, o aroma despertou a atenção do imperador, que provou a bebida e gostou muito. Na Europa, o chá só foi disseminado no século XVII, trazido pelos holandeses através de seus comércios com o Oriente. Mas foi na Inglaterra que a bebida mais se popularizou, sendo símbolo de requinte e educação.

Para os japoneses, hoje, o ato de beber chá é mais do que um momento prazeroso: é uma arte. É lá que nasceram as cerimônias do chá, ou chanoyu, ritual inspirado nas filosofias Zen, doutrinas que pregam a espiritualidade e a pureza do corpo e da alma. O chá servido nos rituais é o "matcha", um chá verde pulverizado.

Dependendo do tipo de tratamento a que as folhas são submetidas é possível dividir o chá em quatro categorias: Verde, preto, oolong aromatizado. No chá verde, as folhas são apenas passadas pelo calor, imediatamente após a colheita. O japonês Gyokuro é considerado um dos melhores. No preto, as folhas sofrem um processo de fermentação que confere ao líquido um tom avermelhado escuro e um sabor intenso. As folhas são colocadas em tanques fechados até fermentarem. Depois, são aquecidas e desidratada.

Já o chamado oolong sofre um processo de fermentação muito curto. Uma secagem rápida das folhas é feita logo após a colheita. Depois, elas vão para um tanque, para fermentar, mas o processo é interrompido no início. O sabor é suave. Qualquer chá, independentemente do tratamento pelo qual tenha passado, pode receber a adição de outras folhas, frutas secas ou flores, cujo sabor se mistura ao seu, tornando-se aromatizado.

As propriedades saudáveis do chá fazem com que a bebida possa ser tomada sempre e a qualquer hora. Para os dias quentes, a bebida também pode ser tomada gelada. Indústrias, como a Lipton e a Matte Leão, já investiram em produtos para se tomar frio. Nos últimos anos, a categoria de bebida que mais cresceu no Brasil, dentro do segmento não alcoólicas, foi a do chá gelado, que é uma ótima opção para quem não pode ou quer parar de tomar refrigerantes.

Onde

No centro do Rio de Janeiro, a confeitaria Colombo, considerada patrimônio cultural e artístico, é um dos pontos mais legais para se apreciar um chá no final da tarde. Fundada em 1894, a casa, que conta com uma belíssima decoração, já foi ponto de encontro de ilustres personalidades, como Olavo Bilac, Chiquinha Gonzaga e Villa Lobos. A filial do Forte de Copacabana tem o diferencial de possuir uma das mais belas vistas da cidade, a praia de Copacabana, o que também vem atraindo muitas pessoas desde a sua inauguração. É uma ótima pedida para relaxar e assistir ao pôr-do-sol. Para quem gosta de luxo, a Casa Julieta de Serpa também serve um gostoso chá colonial no Salon D´or, lugar mais belo do palacete.

O salão de chá do Centro Cultural do Banco do Brasil, famoso por abrigar boas exposições, cinema e performances culturais, é o melhor lugar para um programa no meio da tarde, segundo Natália Tosta. “O salão de chá do CCBB é muito charmoso. Eu já fui lá com a minha mãe e minha avó. É ótimo para conversar e aproveitar o dia com pessoas que se gosta, além de servir variedades de chás e lanches gostosos para comer, como tortas e folheados. Minha preferida é a torta Charlotte”, conta.

Vai tomar um chá?

RIO DE JANEIRO

Casa Julieta de Serpa
Chá – Salon D´or – De terça a sexta das 16h às 19h
Praia do Flamengo – 340 Tel: (21) 2551-1278

CCBB – Centro Cultural do Banco do Brasil
Salão de Chá - Terça a domingo, das 15h às 21h - 2o andar
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro Tel.: (21) 3808-2090

Confeitaria Colombo
Café do Forte – De terça a domingo, das 10h às 20h
Forte de Copacabana - Praça Coronel Eugênio Franco, 1
Tel: (21) 3201-4049

Eliane Carvalho
De terça a sábado das 10h às 20h e Domingo das 11h às 17h
Rua Dias Ferreira ,242 – Leblon - Tel: (21) 2540-5438

Café Rosário - Livraria Argumento
De segunda a sexta das 9h às 20h
Travessa do Ouvidor, 21 – Centro - Tel: (21) 2252-7888

Copacabana Palace
Restaurante Pérgula
Avenida Atlântica 1702 - Copacabana
Tel: (21) 2545-8790

SÃO PAULO

Fundação Maria Luísa e Oscar Americano
De terça a domingo das 10h às 17:30h
Avenida Morumbi, 4077 - Morumbi,
Tel: (11) 3742-0077
O chá da tarde pode ser combinado com um agradável passeio pelo bosque e pelo museu da fundação.

As Noviças
De terça a quinta das 15h às 23h, sexta e sábado até meia-noite.
Rua Cotovia, 611 - Moema,
Tel: (11) 5561-3513. 15h/23h (sex. e sáb. até 0h; fecha seg.).
O diferencial da casa está na decoração que lembra um convento, onde as garçonetes usam hábitos de freiras. Possui 22 variedades de chá, entre quentes e gelados.

Quinta do Museu
De terça a sexta a partir das 15:30h às 18h.
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 (Museu da Casa Brasileira) – Jardim Paulista
Tel: (11) 3031-0005

 



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