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Pode-se
dizer que no Rio de Janeiro tem mais histórias
no botequim do que em um museu. Quantos
refrões já não saíram
dos botecos? Quantas declarações
escritas no guardanapo? E quantos sambinhas
batucados na mesa? No melhor estilo “pé-sujo”,
os botecos cariocas caíram no gosto
popular e atraem freqüentadores de
todos os tipos.
Paris
tem seus charmosos cafés, com mesinhas
nas calçadas. Londres tornou famosos
seus pubs, com cervejas em copos grandes.
No Rio de Janeiro, o que faz sucesso mesmo
entre os boêmios são os botequins,
especialmente os tradicionais “pés-sujos”.
Depois do trabalho, ou antes de cair na
noite, os botecos cariocas são o
point preferido dos amantes de
um petisco saboroso, da cerveja de garrafa
gelada, e barata, e de uma boa conversa.
O consumo de chope no Rio é duas
vezes maior do que a média nacional.
Além das altas temperaturas, os moradores
têm um motivo a mais para estar sempre
com uma “gelada” na mão:
existe praticamente um botequim em cada
esquina nos bairros das zonas Sul, Norte,
Leste e Oeste da cidade. “Os botequins
são centros de integração
social, espaços democráticos
freqüentados por qualquer tipo de pessoa.
Neles, a vizinhança se encontra,
convive e é onde fazem novas amizades
na companhia de um chope bem gelado e de
um prato de petisco. Também é
no botequim que o carioca pensa na vida,
bebe e namora”, diz o engenheiro Arnô
Ângelo, de 55 anos, que freqüenta
diversos botecos no Centro da Cidade.
A maioria segue o mesmo padrão
que caiu no gosto dos cariocas: balcões
de mármore, azulejos azuis e o aviso
de "não vendemos fiado"
na parede. Alguns ficaram tão conhecidos
que viraram tradição na cidade.
Um bom exemplo é o bar Arco Íris,
na Lapa. Funcionando desde 1960, este simpático
"pé-sujo" é sempre
uma boa opção. O bar concentra
pessoas de todas as tribos, antes de qualquer
evento. É dos mais conhecidos pontos
de encontro da região. Por noite,
chegam a passar mais de 500 pessoas por
lá. Além do chope tradicional,
o preferido do público é o
pastel de camarão.
O bar Picote é um dos mais tradicionais
do Flamengo. No típico botequim,
o bolinho de bacalhau é o petisco
preferido dos freqüentadores, que tomam
chope em pé, na calçada. Já
os moradores de Vila Isabel ou estudantes
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj) apreciam a cerveja gelada no bar
Loreninha. Em dias de clássico no
futebol, o Clipper no Leblon é um
dos mais concorridos. Quando é jogo
de decisão, a comemoração
se estende pela rua, que fica lotada. A
picanha fatiada é a grande pedida
para acompanhar o chope.
O Pavão Azul, em Copacabana, foi
eleito algumas vezes pela revista Rio Show,
do Jornal O Globo, como o melhor “pé-sujo”
do Rio. Os destaques são a qualidade
da comida e da cerveja, o atendimento igual
para clientes das antigas e mais novos e
a simpatia da família que gerencia.
“O Pavão Azul continua o mesmo
há 30 anos, sob o comando das irmãs
Bete e Vera, seus filhos e netos. Ainda
bem. Por isso, as tradicionais cervejas
de garrafa seguem geladas, os pastéis
deliciosos e o risoto de camarão
divino. Cresci em Copacabana e sempre passei
pelo balcão para comer os doces.
Hoje, no mesmo balcão, os pedidos
passaram a ser outros.”, diverte-se
Bruno Cruz, de 36 anos.
Ainda em Copacabana, o Bip-Bip é
um pé-sujo de classe, onde se reúnem,
com disciplina e pouco barulho, os melhores
sambistas cariocas, desconhecidos e talentosos
instrumentistas, junto a nomes consagrados,
como Beth Carvalho e Paulinho da Viola,
que costumam aparecer por lá. O próprio
cliente vai anotando o que bebe. Seu Alfredo,
o dono, faz a soma da conta no final.
Há mais de 50 anos, o bar do Oswaldo
serve vários tipos de batidas já
famosas entre os freqüentadores da
casa, na Barra da Tijuca. São treze
sabores. As mais pedidas são coco,
amendoim e maracujá. No cardápio,
os petiscos também são uma
boa pedida. A sugestão da casa é
o filé aperitivo ou queijo derretido
na chapa. Para os fins de semana, o caldinho
de feijão. Para Janaína Santos,
de 33 anos, o bar já virou símbolo
da região. “Todo mundo conhece
as batidas do Oswaldo, que são as
melhores da cidade. A minha preferida é
a de chocolate. Quando o tempo está
mais frio é a melhor coisa. No calor,
a gente fica mesmo na boa e velha cerveja”,
conta.
Para os amantes do jogo de bilhar, a boa
pedida é o Sinuca da Lapa. O bar
oferece boas mesas de tamanhos variados.
O ambiente é informal, sempre cheio
e animado. Nas primeiras mesas, normalmente
tem um jogo disputado pelos freqüentadores
assíduos da Sinuca da Lapa. Uma bela
pedida para o fim de tarde, para aquecer
antes do agito, e para esquecer da vida
e ficar por lá mesmo, jogando sinuca
madrugada adentro.
Onde encontrar os tradicionais
“pés-sujos”:
Arco-íris
Avenida Mem de Sá 72, loja B –
Lapa
Tel.: 2253-8908
Bar do Oswaldo
Estrada do Joá, 3.896 – Barra
da Tijuca
Tel.: 2493-1840
Bip-Bip
Rua Almirante Gonçalves, 50 - loja
D – Copacabana
Tel.: 2267-9696
Clipper
Rua Carlos Góis, 263 - Leblon
Tel.: 2540-6087.
Loreninha
Rua São Francisco Xavier, 553 A -
Maracanã
Pavão Azul
Rua Hilário de Gouveia, 71A-B - Copacabana
Tel.: 2236-2381
Picote
Rua Marquês de Paraná, 128
Flamengo - Zona Sul
Tel.: 2552-1799
Sinuca da Lapa
Rua do Riachuelo, 44 – Lapa
Tel.: 2222-4424
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