50 anos de Bossa Nova

Neste ano o gênero musical que consagrou a música brasileira completa meio século. Desde o lançamento de ‘Chega de saudade’ até hoje muita coisa mudou, mas a bossa nova ainda permanece na nossa cultura com aquele jeitinho brasileiro. Para comemorar o aniversário do gênero, diversos locais programaram apresentações, cursos e exposições durante todo o ano.

A palavra 'bossa' era uma gíria carioca que significava 'jeito', 'maneira', 'modo'. Quando alguém fazia algo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que esse alguém tinha 'bossa'. A expressão 'bossa nova' surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava superado e antigo. Os jovens cariocas da época se diziam cansados dos sambas-canção e boleros melancólicos que eram tocados nas rádios de então. A tristeza das letras era algo que não combinava com seus estilos de vida. Adolescentes da Zona Sul do Rio de Janeiro adoravam o sol, a praia e os bares. Assim, a bossa nova veio da boemia carioca, das famosas reuniões na casa de Nara Leão e da ousadia de novos artistas que buscavam algo diferente.

A inovação do gênero musical era a batida. Um ritmo peculiar, com uma batida de violão forte acompanhada por um canto falado, baixinho, com um texto bem pronunciado e coloquial. Estas características deixaram de lado a valorização de uma grande voz e contribuíram para compor todo um cenário. A composição e a letra eram uma fusão de tudo que se ouvia na época. Algo entre jazz, bolero, samba e influências norte-americanas.

O marco para a afirmação do estilo musical foi o lançamento do compacto do violonista baiano João Gilberto, em agosto de 1958. Embora, alguns meses antes João tenha participado de um álbum com canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, interpretadas por Elizeth Cardoso, foi a sua gravação com a famosa “Chega de Saudade”, também de Tom e Vinícius, que marca o início de um novo cenário na música brasileira.

A bossa nova ganhou espaço no mundo em 1962 quando alguns artistas como Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Chico Feitosa, Tom Jobim, entre outros, subiram ao palco do Carnegie Hall, em Nova Iorque, para um concerto do que chamavam na época de ‘New Brazilian Jazz’. Mas o que consagrou a apreciação do gênero em outros países foi o convite de Frank Sinatra, apelidado de ‘A Voz’, a Tom Jobim para a gravação de um disco com clássicos da bossa nova. Sinatra, considerado o cantor mais popular de todo o mundo, abriu portas para a música brasileira ganhar créditos em outras culturas ao se declarar fã do trabalho de Tom.

Meio século depois, o espírito da bossa nova ainda existe, embora com alterações. Há pouco tempo, na Europa e no Japão teve início um movimento que misturou a bossa nova à música eletrônica e aos arranjos dos DJs. Com isto, várias composições foram regravadas com batidas inovadoras, surgindo, assim, uma nova moda entre os milhares de jovens que hoje dançam e escutam o estilo em boates e bares de todo país. Por aqui, novos cantores e artistas têm surgido com o estilo como repertório. Bebel Gilberto, Maria Rita, Céu, Turma da Bossa, entre outros tantos vem dando uma nova roupagem ao estilo e conquistando novos adeptos e fãs. Estas reformulações são necessárias, pois acompanham a evolução cultural e dão espaço para o surgimento de inovações.

No Rio, em São Paulo, no mundo...

O Beco da Garrafa, uma rua com três boates e um bar night club em Copacabana, era o templo da bossa nova. Ali se deram os primeiros encontros dos artistas que começariam o movimento musical no final da década de 50. Localizado na Rua Duviver, em uma travessa sem saída, o lugar será revitalizado e a reformulação coordenada pelo produtor e diretor musical Luiz Carlos Miéle. A previsão para a reinauguração é outubro deste ano. A idéia é trazer de volta os pocket-shows que aconteciam nas tardes de domingo, transformando o Beco das Garrafas em um ponto turístico do Rio.

Desde o início do ano, diversos lugares estão comemorando os 50 anos da bossa nova com apresentações, shows, palestras, exposições, filmes, entre outras atrações. Em abril, foi lançado o CD ‘Um cantinho, um violão e bossa nova’, pela Som Livre, com 14 gravações inéditas de canções que marcaram a história da música popular brasileira. Com Leila Pinheiro, Nana Caymmi, Marcos Valle, Daniel Jobim, Roberto Menescal, entre outros.

Neste mês de julho, no Rio de Janeiro, o Centro Cultural Light apresentará dois shows com o tema ‘Sempre Bossa Nova – 50 anos’, nos dias 17, com Alaíde Costa, e 31 com o Quarteto em Cy. As apresentações são gratuitas e as senhas serão distribuídas uma hora antes das apresentações. Ao mesmo tempo, acontece no espaço para exibições a exposição fotográfica "50 Anos de bossa nova, na mira da Rolley Flex", do repórter fotográfico Antonio Nery. São 21 fotos em preto e branco, do Beco das Garrafas e suas boates, além de registros históricos de importantes apresentações.

Ainda no Rio de janeiro, a Toca do Vinícius, que já contava com exposição permanente apresentará, entre 23 e 26 de julho, o Encontro Bossa Nova Rio. O evento terá palestras, oficinas, depoimentos, concertos e mostrará a fundo a história da bossa e da cidade carioca. As inscrições já estão abertas e custam R$ 180. Já o Vinicius Piano Bar terá no palco a cantora Malu Rocha apresentando o show Outras Bossas na próxima terça, 15 de julho.

Em Agosto, o Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, será local para duas apresentações de João Gilberto, nos dias 14 e 15 de agosto, e para um show duplo de Roberto Carlos e Caetano Veloso, nos dias 25 e 26 de agosto. No Rio, o rei Roberto e Caetano tocam juntos no Theatro Municipal no dia 15. Os ingressos começam a ser vendidos a partir do dia 5 pelo site Ticket Master ou pelo número (11) 6846-6000, em São Paulo e 0300-789-6846 nos demais estados.

Os três shows são patrocinados pelo banco Itaú, que também lança este mês a exposição “Itaúbrasil – 50 anos da Bossa Nova”. O mega evento tecnológico ficará por dois meses na Oca do Ibirapuera, em São Paulo. A arquitetura do local criado por Oscar Niemeyer parece combinar com o gênero musical, em suas curvas, linhas e contornos. A mostra contará a história da bossa nova e seus integrantes de forma interativa e dinâmica. Serão exibidos vídeos, acervo audiovisual, depoimentos e performances marcantes, a maioria inéditas. Quem coordena o projeto é Marcello Dantas, artista responsável pelo moderno Museu da Língua Portuguesa, e o reconhecido videomaker Carlos Nader. A interação com o público será dada através dos recursos de tecnologia de última geração assim como métodos conhecidos das antigas gerações. Os visitantes, por exemplo, poderão escolher músicas nas várias jukeboxes espalhadas por todo o evento.

A bossa nova também será tema da Bienal de São Paulo deste ano. A mostra ‘Bossa 50’ contará com palestras, entrevistas gravadas em vídeos, uma exposição de capas de discos e uma série de 20 figurinos do estilista Ronaldo Fraga inspirados na música. A mostra ficará no pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera, dos dias 15 de julho a 24 de agosto, com entrada franca.

Serviço

São Paulo

OCA - Parque do Ibirapuera
www.ticketmaster.com.br
Parque do Ibirapuera - Ibirapuera
(11) 5574-5177

Bossa 50 – Bienal
Pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera
De terça a domingo, das 10h às 20h


Rio de Janeiro

Centro Cultural Light
Av. Marechal Floriano, 168 – Centro
(21) 2211-4515

Vinicius Piano Bar
Rua Vinicius de Moraes, 39 - Ipanema
(21) 2523-4757

Toca do Vinicius
www.tocadovinicius.com.br
Rua Vinicius de Moraes, 129 – Loja C – Ipanema
(21) 2247-5227

 



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