Meu Rio
PH de Noronha
 
 

Gula Carioca (2)

E dando continuidade à sessão “Hummmm... que delícia...”, aí vão mais algumas dicas de quem já tá de novo na faixa dos 100 quilos e não consegue largar um doce...

Pudim de leite é a sobremesa que mais peço em restaurante. Recomendo três: o do Villarino, na Av. Presidente Wilson, o do Belmonte do Jardim Botânico e o da Fiorentina, no Leme. São maravilhosos porque tem a doçura no ponto certo, são macios e é uma delícia esmagá-los suavemente dentro da boca, deixando descer goela abaixo aquela textura macia de leite e açúcar. É que quando eu era pequeno minha mãe e suas empregadas sempre faziam sobremesas caseiras que até hoje me dão água na boca só de lembrar: era pudim de leite condensado, torta de banana com suspiro, bolos e tinha um pudim de pão maravilhoso, feito no fim de semana com as sobras de pão do café da manhã e do lanche, que mamãe cuidadosamente guardava ao longo da semana.

Japa também tem guloseima. O Manekineko, que anda meio carinho e metido a chic, mas ainda é de ótima qualidade (só freqüento o da Cobal do Humaitá), tem um harumaki de banana, com sorvete de creme, que é tudo de bom. Harumaki nada mais é que a banana empanada. Só que a casquinha crocante é muito saborosa e a canela espalhada entre o harumaki e o sorvete deixa a coisa ainda mais gostosa. E à medida que o sorvete vai derretendo e se mistura à canela e aos pedaços de banana harumakiada...

O Safran é um restaurante pequenino, de três andares apertadinhos, na Rua do Carmo, próximo à Sete de Setembro. Inicialmente tinha um cardápio com pratos sírios diferentes e a preços acessíveis, mas parece que o negócio não pegou muito e eles sucumbiram ao cardápio tradicional de tantos outros restaurantes de comida rápida do Centro, com pratos abaixo dos R$ 20. Mas restou uma iguaria do outro mundo: o bolo de chocolate com calda de chocolate. Dito assim parece nada demais, mas é muito bom... e o bolo vem muito bem servido, com calda a rodo...

Falando em bolo... não me canso de recomendar o bolo de laranja do Café Severio da Argumento, no Leblon. Quem não comer um antes de morrer não vai pro céu, vejam lá a responsa...

Agora uma bem óbvia: comprar um potinho de Häagen-Dazsno Zona Sul. Eu gosto do Belgian. Caro como a coisa, mas vale. Tem um potinho de quase 500 gramas que custa uns R$ 18 que é ideal para se levar pra casa e dividir com a parceira ou parceiro depois do jantar. Por falar em Häagen-Dazs, minha memória gulosa jamais me deixará esquecer o milk-shake que tomei numa loja deles em Los Angeles, Califórnia...

Banana frita é outra sobremesa da minha infância. Com açúcar e canela, claro. E depois ainda aproveito a mistura açúcar-canela pra adoçar o cafezinho. Costumo comer com muito gosto no Capela (Av. Mem de Sá) e no Paz e Amor (Nascimento Silva esquina com Garcia D’Ávila, em Ipanema). Nem tem no cardápio, mas é só pedir que os caras fazem. Mais recentemente experimentei a do Joaquina, na Cobal do Humaitá, e aprovei. Pode-se pedir com sorvete. No Manuel & Joaquim antigamente vinha em prato grande com duas bolas de sorvete no meio, e várias colheres, pra dividir na mesa. Muito bom...

Aliás, recomendo também a pizza de banana com canela do Pizza Park da Cobal do Humaitá. Parece exótico, pizza com banana, mas é bom pra burro...

Sabe onde tem uma legítima sobremesa mineira? No Sobrenatural, de Santa Teresa. Doce de leite de Tiradentes, com pedacinhos endurecidos, com queijo mineiro curado. Muito, muito bom... mas nem sempre tem, é preciso ter sorte.

Tem ainda o capítulo sorvetes... A vida não se resume a Häagen-Dazs. O Mil Frutas, caro como a necessidade, é imbatível. Mas tem também a Sorveteria Brasil na Maria Quitéria, quase esquina com Barão da Torre, na Praça N. S. da Paz em Ipanema, e o Sandukas do Humaitá, e o Alex da N. S. de Copacabana, e o Morais de Ipanema...

Lembra daquele chocolate “Sem parar” da Nestlé? Tinha aquela musiquinha: “Sem parar, sem parar, você não pára de comer...”. Pois eu descobri o verdadeiro Sem parar. É um coockie suíço feito pela Torteria Petrópolis e que vende numa decliatessen numa galeriazinha que fica na esquina da Santa Luzia com Graça Aranha, do outro lado da rua dos prédios da Vale e da Firjan. É simplesmente um sanduíche de coockie pequeninho, do tamanho de um dedão, todo pretinho de chocolate e com uma pitada de chocolate cremoso dentro. É uma delícia indescritível e viciante. Você come um, come outro, e mais outro e quando chega no décimo terceiro dá um berro: “Deus meu, afasta de mim essa coisa do demo que eu não consigo parar de comer!!”.

Aliás, na mesma lojinha natureba da Cobal que eu já falei aqui, tem uns coockies orgânicos de chocolate, que vêm numa caixa verde, que são maravilhosos. São light, sem açúcar e engordam pouco – desde que você não ataque a caixa inteira de uma só vez, um risco perfeitamente possível de acontecer...

Por fim, uma sobremesa sem açúcar, totalmente óbvia, mas que é uma delícia, principalmente no verão. Salada de frutas. Minha preferida é a do BB Lanches, no Baixo Leblon. Ótima para me hidratar quando ando de bicicleta por aquelas bandas. E também pra fechar a noite, de madrugada, depois de beber todas, especialmente no verão quente. Vem num potão, dá tranquilamente pra duas pessoas, geladinha e com frutas fresquíssimas, e custa apenas R$ 4. Minha mulher recomenda a do Hortifruti do Largo do Machado. E mandou que eu botasse isso na crônica. Já diz o samba: “Tudo que ela quer tenho que dar sem reclamar, porque senão ela chora, e diz que vai embora, ôôô... diz que vai embora...”. Fiz minha parte.

Até a próxima crônica!
E cuidado com o excesso de calorias... olha o colesterol... cuidado com a diabetes...

 

Paulo Henrique de Noronha é jornalista

Para falar com o colunista envie mensagem para meurio@solteirosesolteiras.com.br

 






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