Meu Rio
PH de Noronha
 
 

Romantismo à carioca (1)

As belezas do Rio de Janeiro já foram cantadas em prosa e verso. E o que não falta é lugar para se paquerar, namorar, seduzir e conquistar uma moça ou rapaz que se deseje.
Mas outro dia me deparei com um dilema: aonde levar uma moça com quem eu desejava estar com tranqüilidade? Eu precisava de um ambiente para conversar, ter prazer juntos, relaxar para permitir que o coração dela se abrisse para receber propostas com primeiras e segundas intenções. Acho que ando namorando pouco, devo ter perdido o romantismo em algum samba da Lapa, sei lá, porque tive dificuldade. Mas acabei conseguindo achar um lugar especial. E só de parar para pensar e escrever essa crônica, me toquei que as opções são muitas.

Era uma noite de segunda-feira, tradicionalmente sem grandes atrativos culturais, e acabei indo ao Gula Gula da rua Alexandre Ferreira, esquina com a Maria Angélica, pequeno pólo gastronômico do Jardim Botânico. Lá, nos fundos do restaurante, tem um canto a luz de vela, que não enche tanto quanto a entrada da casa, mais concorrida e iluminada. Foi ótimo: propiciou um papo aconchegante com uma ex-namorada, com poucos ruídos externos. Condições boas de privacidade e intimidade para se colocar os pingos nos is de uma conversa a dois. E a comida também foi ótima. Eu estava com uma infecção intestinal e pude tomar um delicioso creme de couve-flor. Na sobremesa, dividimos um pudim de leite que estava divino. E tomei um suco diferente, delicioso: iogurte com abacaxi e gengibre.

Outro restaurante que eu escolheria para levar uma namorada ou prospect para uma noite romântica seria o pequenino Togu, na Rua Dias Ferreira. Além da comida boa, ele tem uma decoração intimista e relaxante, com pouca luz e de muito bom gosto. Mas, dependendo do estilo da moça, eu subiria a ladeira em direção ao Jasmim Manga, em pleno Largo dos Guimarães de Santa Teresa, que já tem um jeito mais alternativo – como convém ao bairro – mas mantém o clima gostoso para uma conversa de homem para mulher. E se estiver a pé, recomendo ir de bondinho, o que por si só já é uma delícia de passeio.

Porém, se a oportunidade que pintar for um almoço “executivo”, no Centro, durante a semana útil, já descobri um lugar bacana. O que é difícil, pois a grande maioria dos restaurantes do Centro tem dois problemas: enchem no almoço e são ruidosos, não têm tratamento acústico e é preciso falar alto para se comunicar em meio à barulheira de todo mundo falando.
Minha opção fica na Rua Gonçalves Dias, no segundo quarteirão, quase em frente à tradicional Colombo. Lá tem uma butique da Folic. Entre, pegue o elevador no meio da loja e vá ao terceiro andar. Lá há um delicioso restaurante, em ambiente elegante e agradável, com saladas que têm substância para substituir um almoço na faixa dos R$ 20 e sobremesas de dar água na boca. E as moças que gostam de levar o cartão de crédito para dar uma voltinha na hora do almoço ainda ficam com os olhinhos brilhando com as roupas da Folic, que realmente são de muito bom gosto e contam com uma lojinha off no segundo piso.

“Mudando de pato para ganso”, como gosta de dizer uma jornalista amiga minha, no meio da semana, se você tiver tempo, tenho uma sugestão al mare para se levar uma pessoa que oferece, acima de tudo, discrição. Na hora do almoço, durante a semana, a Fiorentina do Leme fica literalmente vazia, mas mantém a cozinha variada e de qualidade e, se for um dia de sol, é facílimo pegar uma mesa na janela, com aquele visual sensacional da Princesinha do Mar, a Praia de Copacabana. Se o parceiro ou parceira não conhecer a Fiorentina, será mais interessante ainda. O ambiente é charmoso, com muitas fotos e autógrafos de artistas e gente conhecida nas paredes. E todos os pratos do cardápio (que não são poucos) levam nomes de celebridades. A propósito, o cardápio pode ser levado como lembrança. E lá não é muito caro: os pratos estão na casa dos R$ 30, R$ 40.

Bom, não é preciso comer e beber para se paquerar ou namorar no Rio. Por isso, na próxima crônica vou dar algumas dicas diferentes de locais para se levar aquela pessoa que, no momento, é especial. E tomara que ela fique ainda mais especial depois do próximo encontro.

Até lá!

Paulo Henrique de Noronha é jornalista

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