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Expectativas
para 2008
É de lei. Todo ano novo, lá
vêm os astrólogos, videntes,
palpiteiros e personalidades falando o que
esperam para os próximos 12 meses.
Este ano, até escritores fizeram
suas previsões, só que de
forma literária, na última
revista dominical de “O Globo”.
Ficou excelente, bela idéia editorial!.
Bom, esse lugar comum me deu a deixa para
a primeira coluna de 2008, de um ponto de
vista carioca.
Janeiro deste ano vai
ser um mês corrido para os cariocas,
por causa do Carnaval. Sábado de
Carnaval é 2 de fevereiro (“...dia
de festa no mar, eu quero ser o primeiro,
a saudar Iemanjá...”).
Isso significa que duas semanas antes, no
dia 19 de janeiro, já saem na rua
os primeiros blocos de tradição,
o Imprensa que eu Gamo (no Mercadinho São
José, em Laranjeiras) e o Nem Muda
Nem Sai de Cima (na Rua Garibaldi, na Muda).
Em outras palavras: o carnaval de rua do
Rio começa no meio de janeiro. Até
lá, haja ensaios de blocos e de escolas
de sambas, shows, venda de camisetas, corrida
ao Saara para comprar peças da fantasia
de folião. E tudo isso em meio a
dias de trabalho “normal”, com
um calor africano que já começa
a se manifestar.
Mês seguinte, Fevereiro,
começa com a orgia carnavalesca mas
depois, fica esquisito. As aulas já
terão começado e a turma da
folia vai ficar com um gostinho estranho
na boca, um “Mas já acabou?”,
ou um “Puxa, o carnaval foi tão
curto...”. Vai ter muita gente de
cara amarrada e triste no trabalho por algumas
semanas. Em tempo: a primeira segunda-feira
depois do carnaval é 11 de fevereiro.
Março o carioca
já entra de olho na Semana Santa,
que também será mais cedo:
começa no dia 21, sexta-feira da
Paixão, com lua cheia. Ano passado,
em Santa Teresa, o pessoal do Céu
na Terra – um dos melhores blocos
de rua, especializado em marchinhas antigas
e que acaba de lançar seu primeiro
CD, excelente ¬– fez um Auto da
Paixão nas ruas do bairro que foi
emocionante, misturando elementos de teatro,
carnaval, música brasileira e ritos
tradicionais do catolicismo popular. É
imperdível.
Em condições normais de
temperatura e pressão, as águas
de março seriam uma preocupação.
Mas com o tal do aquecimento global didaticamente
apresentado pelo Al Gore, ninguém
mais dá isso como certo. Ano passado,
por exemplo, teve noite de janeiro que eu
tive que me cobrir com edredon, e teve dia
de inverno com sol de 30 graus...
Abril, para os cariocas,
tem um significado especial: o Dia de São
Jorge, 23 de abril – que cairá
em uma quarta-feira, apenas dois dias depois
do feriado de Tiradentes. Na cidade do Rio
de Janeiro, é feriado municipal.
Percebeu? Teremos feriado de Tiradentes
na segunda e de São Jorge na quarta.
Acabou a semana, eis aí um feriadaço...
Não sei como está o projeto
do Deputado Estadual Jorge Babu (PT) para
transformar o 23 de abril em feriado estadual...
se bobear, já foi até votado...
Mas o carioca ama São Jorge. Há
camisetas de grife com a imagem do santo
guerreiro da Capadócia e festas homéricas
no seu dia. A melhor de todas é no
Campo de Santana, onde uma verdadeira quermesse
de religião, samba e comes-e-bebes
acontece do lado de fora da Igreja do santo.
Em Santa Teresa, o Dj Zod deve repetir sua
festa Camdomblack, com música negra
brasileira e estrangeira, em homenagem a
São Jorge. Alfredo Del Penho deve
cantar, na roda do Semente, o já
tradicional “O cavalo de São
Jorge foi passear na areia, vamos cantar
samba enquanto o cavalo de Ogum passeia...”.
No Rio, São Jorge é Ogum.
Na Bahia, é Oxossi. Aprendi isso
num samba: “Na Bahia é São
Jorge, no Rio, São Sebastião.
Oxossi é quem manda nas bandas do
meu coração...”.
Aí vamos para Maio.
Mês das noivas... será que
ainda tem noivas que se programam para casar
em maio? Mesmo que não tenha, certo
é que as revistas de moda e cadernos
de mulher dos jornais cariocas terão,
indefectivelmente, ao menos uma reportagem
sobre vestidos de noiva, festas de casamento
e afins. Maio também terá
o Dia das Mães (em 11/5) data chave
para o comércio em geral, com promoções
a mil. E um feriadinho bem localizado, o
Corpus Christi no dia 22, uma quinta-feira
– feriadão à vista.
Junho não tem
nenhum feriado, mas deveria. Dia 12 é
o Dia dos Namorados. Sacanagem não
ser feriado, para todos poderem namorar
bastante. E para quem não tem namorado
ou namorada, ano passado eu criei o Dia
dos Desnamorados, que cai no mesmo dia 12,
para que os sozinhos e abandonados possam
se divertir também. E, quem sabe,
mudarem de categoria. Uma semana depois,
dia 19, é aniversário de Chico
Buarque de Hollanda. Tinha que ser feriado
e ir todo mundo pra praça ouvir o
bloco das Mulheres de Chico cantando “Eu
estava à toa na vida, o meu amor
me chamou...”
Julho tem férias
escolares (para quem estuda, não
para vagabundos como eu, que trabalham e
pagam inteira no cinema...) e é outro
mês sem feriados. Mas julho automaticamente
lembra frio. Se vai fazer frio ou não,
são outros quinhentos, tem que ver
aquele vídeo do Al Gore para entender.
Porém, se quer calor, compre uma
passagem para ver a Disneyland na Califórnia,
em Los Angeles, na alta temporada e em pleno
verão nos Estados Unidos: garanto
que vai estar quente pacas e vai ter muita
fila.
Agosto pode ser bom para
os pais atletas, que são chegados
a um esporte. O Dia dos Pais, 10 de agosto,
acontece dois dias depois da cerimônia
oficial da abertura da Olimpíada
de Pequim. Uma ótima deixa para escolher
um presente para o papai, né?
Carioca se amarra em Olimpíadas,
inda mais depois da experiência emocionante
do Pan, que mexeu com a cidade. Tenho um
grande amigo, carioca da gema que foi parar
em São Paulo (e o que é pior,
está gostando...) que mantinha um
hábito insólito: toda Olimpíada
ou Jogos Panamericanos ele avisava para
a namorada para esquecê-lo durante
duas semanas, pois passaria o dia inteiro
vendo os jogos na TV. Dito e feito. Ele,
que jogou no basquete juvenil do Botafogo,
ama esportes, adora competições
de todos os esportes e ainda fica babando
com as atletas mais belas, se amarra em
uma musculosa bonita, como aquelas jogadoras
russas de vôlei com belos corpos torneados
e rostinho de Sharapova.
Setembro marca o início
da Primavera, a cidade começa a ficar
mais florida. Este ano, desgraçadamente,
o 7 de setembro cai num domingo. Não
vai ter feriado. Mas o Aterro certamente
vai se encher de gente para ver a parada
militar. Claro, se tiver mil militares desfilando
lá, com certeza haverá umas
10 pessoas para ver cada um deles, entre
parentes e amigos, garantindo o quorum.
Mas o povão também gosta,
e é programa gratuito. Carioca se
amarra em desfile. Quando, nos idos de 1943
e 1944, os pracinhas foram para a Itália
marchando pelas ruas do Rio até os
navios na Praça Mauá, multidões
se aglomeravam para aplaudi-los. Nas escolas
de samba, a coisa ferve também em
setembro, pois já acontecem os ensaios
para a escolha do samba enredo, que nas
finais costumam ir até 5h da manhã
do dia seguinte.
Outubro tem eleição
municipal. Imagino que seja no dia 5 de
outubro, primeiro domingo do mês.
Este ano o Rio está mal parado. Finalmente
vamos nos livrar de César Maia, que
não pode mais se reeleger, mas os
candidatos que andam se apresentando...
ô pobreza. E se tivermos um segundo
turno apertado, o mês inteiro será
tomado pela discussão eleitoral.
E nem contaremos com o feriado de 12 de
outubro para dar um refresco, pois cairá
num domingo. Coisa chata, né? Mas
a democracia é necessária,
melhor com ela, mesmo capenga, do que com
uma ditadura prendendo e arrebentando.
Novembro, se você
está contando com aquele festival
de feriados, pode tirar o cavalo da chuva.
Finados cai num domingo e o 15 de novembro
num sábado. Resta apenas o Dia de
Zumbi, 19, que será numa quarta –
não dá nem para emendar. No
final de novembro, eu e outros sagitarianos
do primeiro decanato, como a Vera Fischer,
a Angélica e a Luiza Erundina, comemoramos
aniversário. O meu cairá num
domingo e nem tenho dúvidas: vou
para a roda de samba do Semente, com o grupo
Escangalha Maçaneta, com a bela Elisa
Adoor dando um banho como intérprete,
acompanhada de uma cozinha da pesada composta
por Edu Krieger (violão e voz), Rafhael
dos Santos (cavaco), Jade Perrone (pandeiro),
Chris Mourão (surdo e percussão)
e muitas, muitas canjas de gente de responsa,
como Moyseis Marques, Alfredo Del Penho
e Tereza Cristina.
Aí, em Dezembro,
completa-se mais um ano. Natal e reveillon
nos proporcionarão feriadaços,
pois caem numa quarta e quinta-feiras, implicando
no enforcamento da sexta-feira. Em compensação,
o Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro,
será numa terça-feira, dificultando
a viagem no Trem do Samba para quem trabalha.
O veículo ferroviário parte
da Central do Brasil até Oswaldo
Cruz, onde a festa do samba toma as ruas
com dezenas de barraquinhas e rodas. Mas
olho vivo, faro fino: no último 2
de dezembro cresceu o número de furtos
da galera Zona Sul que se despencou até
Oswaldo Cruz, celulares e carteiras dançaram
direto...
Mas ainda mal entramos em janeiro. Como
2007 não foi lá essas coisas,
vamos todos cantar juntos: “Este ano
não vai ser igual àquele que
passou, eu não brinquei, você
também não brincou...”
Feliz 2008 a todos!!!
E-mails para o colunista: phdenoronha@yahoo.com.br
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