 |
Romantismo
à carioca (2)
O Rio de Janeiro é riquíssimo
em opções e lugares para se
curtir a dois, conquistar uma pretendente
ou um pretendente, e até mesmo para
chorar as mágoas de um amor terminado.
Um programa que mais de uma vez eu já
fiz foi levar uma moça desejada no
fim de semana para passar o fim de tarde
no Centro Cultural Banco do Brasil, o popular
CCBB.
Cá entre nós: funcionou...
O prédio é um convite ao relaxamento
movido a cultura da melhor qualidade. E,
naturalmente, leva à aproximação,
propicia a conversa entre dois seres a fim
de alguma coisa. Tem uma casa de chá
com jeito de antigamente que por si já
é um charme romântico, para
um lanche ou mesmo uma refeição.
Passear com a moça ou rapaz pretendido
pelas exposições – sempre
ótimas, a programação
é de excelente qualidade –
permite várias chances de se chegar
mais, pela via intelectual e estética.
Além de ser uma boa oportunidade
para se checar se a loura é burra,
ou se o moreno é insensível
à arte...
Ainda nessa linha intelectual, as livrarias
com cafés são outra opção
bacana. Já falei em mais de uma crônica
sobre a Argumento, no Leblon, e seu charmoso
e delicioso Café Severino. Lá
é quase um quintal da minha casa,
gosto muito do lugar. Mas não é
a única. A nova Travessa, que fica
no segundo andar do igualmente novo Shopping
Leblon, é uma livraria grande mas
aconchegante, com um acervo invejável
de livros de todos os tipos e atendentes
eficientes que entendem do riscado. Dá
para se perder um bom tempo passeando por
obras e autores de todos os gêneros
em suas prateleiras. E, para emendar, tem
um mezanino com um restaurante da Bazaar,
que conta com uma decoração
simples e chic, de luz suave – ótima
para papos check to check. Nesses tempos
invernais, recomendo pedir a sopa de tomate
com gruyere, que é daquelas que você
bota uma colher na boca e diz “hummmm...
que delícia...”. Peça
também uma taça de vinho para
acompanhar, a carta da casa oferece várias
opções, começando por
um nacional Marson tinto a R$ 8,50. E as
torradinhas temperadas que acompanham a
sopa são outro must, mais “hummmm....”.
Tanto um quanto outro desses programas
pode começar, num sábado,
com uma ida antes ao chorinho da Praça
General Glicério, em Laranjeiras,
em meio à feira livre, começando
às 11h e não passando das
15h. Gente bacana, música boa, barraquinhas
de pastéis, de cds de samba &
choro, de artesanato, de comidinhas caseiras,
um clima de Rio Antigo em meio a muita gente
antenada e bonita. Tudo isso regada à
excelente música da galera do Choro
da Praça, uma turma da pesada comandada
pelo casal Marcelo e Inês.
Mas se você não está
num clima de se concentrar em cultura e
arte, que tal curtir a natureza carioca?
São tantas opções...
Num dia bonito, o pôr-do-sol do
Arpoador, visto lá de cima das pedras,
é um privilégio. Ver a Praia
de Ipanema, o morro Dois Irmãos ao
fundo, a Pedra da Gávea e o sol se
escondendo atrás dos morros... é
o momento para abraçar a moça
(ou o rapaz) e chegar junto pra valer. No
verão, a cena é ainda mais
espetacular: o sol vai entrando no mar,
até morrer e deixar uma luz de fim
de dia indescritível. Pode bater
palmas, a turma de Ipanema aplaude o sol
sem a menor cerimônia, sinta-se à
vontade.
Outra possibilidade bacana, mas que exige
um pouco mais de esforço, é
caminhar no Silvestre nos domingos e feriados,
quando a pista dos carros fica interrompida
e casais, adolescentes, atletas de fim de
semana, corredores solitários e famílias
inteiras sobem a ladeira para respirar ar
puro e praticar um trottoir super saudável
em meio a uma das matas mais exuberantes
do planeta. Com o bônus de vistas
sensacionais da Cidade Maravilhosa que surgem
feito mágica entre as folhas e galhos.
Faz um bem danado para a alma, mesmo se
você estiver sozinho. Agora, imagine
a dois... E se o casal for valente, pode
encarar o banho de ducha natural, lá
no alto do caminho. O problema é
que nessa época a água tá
gelada pra burro, é coisa para macho...
Para se chegar no Silvestre, um carro
é importante, pode ser até
de táxi (desde que se combine direitinho
a volta). Basta subir pelos paralelepípedos
do final do Cosme Velho até a estrada
asfaltada e, chegando lá, virar à
esquerda em direção ao Cristo.
Depois dessa caminhada lá em cima,
sabe outro canto gostoso para onde se levar
a parceira ou parceiro? O Caminho dos Pescadores,
no final do Leme. Tome uma água de
coco a dois, sente-se na murada para ver
as ondas e ouvir o barulho gostoso do mar.
Depois vá até o final do caminho,
para ver a turma viciada em pesca. É
um passeio que também pode ser feito
de noite, inclusive nas altas horas, com
bastante segurança. Só não
se arrisque debaixo de chuva forte e ressaca,
já teve gente arrastada pelas ondas
e que perdeu a vida.
E pra encerrar essa pequena coletânea
de dicas não tão óbvias,
mas eficientes, coloque na agenda um programa
para todo o fim de semana: dias 4, 5 e 6
de julho acontece o Santa Teresa de Portas
Abertas, um festival de arte, culinária
e cultura ao ar livre, que toma as ruas
do bairro mais charmoso do Rio.
Todo ano, Santa Teresa tira um fim de
semana para mostrar a arte de seus múltiplos
criadores. São dezenas de galerias
improvisadas em casas e apartamentos. O
grande barato é ir pra lá
na hora do almoço ou início
da tarde e andar, percorrer as mostras uma
a uma e ir descobrindo o que a turma anda
fazendo de arte. Dá para se comprar
roupas, quadros, bijouterias, fotos, pão
integral, brownie orgânico, cachaça
artesanal, peças decorativas. E se
não quiser comprar nada, é
só apreciar. E ficar atento às
atrações artísticas:
música, poetas, esquetes teatrais,
performances multimídias, quando
menos se espera, algo pode acontecer, nas
ruas ou nas galerias.
O bairro fica cheio de gente interessante
e é um programa genial, ímpar,
que só acontece uma vez por ano.
A dois, é melhor ainda. Se estiver
de carro, pode ter alguma dificuldade para
achar vaga. Uma dica: vá de bondinho
e, na volta, ligue para a Santaxi (21 2222-2792
e 2507-6905), a cooperativa de taxistas
do bairro que resolveu um problema crônico
de condução de Santa Teresa.
Táxi no Rio é bem mais barato
do que em São Paulo ou Brasília.
E eu já dei muito amasso gostoso
no banco de trás do táxi...
ah se não tivesse o taxista...
Paulo Henrique de Noronha é
jornalista
Para falar com o colunista envie mensagem
para
meurio@solteirosesolteiras.com.br
|
 |