Meu Rio
PH de Noronha
 
 

Gula carioca


Formigão, guloso, glutão, insaciável, obsessivo, comilão. De tudo isso já me chamaram. Tudo porque não abro mão de uma sobremesa, um docinho, um chocolatinho. Sou carente de açúcar, embora minha propensão familiar ao diabetes e minha barriga cada vez mais parecida com árvore de cemitério (aquela que faz sombra pro homem morto...) me obriguem a tentar controlar o que é doce. Me dou super bem com adoçantes e sempre que posso uso um Finn, Adocyl ou Stévia pra evitar explodir de gordo.

Mas o açúcar me acalma, me acorda, me dá energia. Acima de tudo, me dá uma sensação gostosa de bem-estar, um pré-orgasmo que faz bem à cabeça de cima do meu corpo humano masculino.


Fiz um check-up completo em 2005 que salvou minha vida, descobri que já havia passado dos 100 quilos, estava com colesterol fora de controle e com gordura no fígado. Cortei algumas guloseimas das quais eu abusava, particularmente biscotos de chocolate (Tostines, Oreo, Bono, Bis etc.) e também o sorvete, quase sempre de chocolate, sem falar no milk-shake de Ovomaltine do Bob’s (moro do lado de um Bob’s 24 horas...).

Daí, aprendi com minha endocrinologista predileta que existe uma tal de gordura hidrogenada em todas essas coisas que é um veneno para a saúde humana. Cortei, e troquei por coisas menos nocivas, como banana-passa, torradas integrais, iogurtes light etc. Mas não cortei meu açúcar totalmente. Ainda sou dependente químico dele.


Mas vamos deixar minha dieta de lado porque o que eu vou falar aqui não tem nada a ver com dieta. É uma pequena lista para quem quer ficar com um gostinho doce na boca e na garganta, sem medo de ser feliz e sem culpa no cartório das calorias. É a minha lista de guloseimas testadas e aprovadas (por mim mesmo) na Cidade Maravilhosa.
Vamos lá.


• Começo pelo Chocolate (com “C” maiúsculo) da Koppenhagen. É, provavelmente, um dos melhores do mundo. Eu gosto do ao leite, o mais simples. Mas o que não falta lá é variedade, e todos que eu já tive o prazer de provar são maravilhosos. Já ganhei uma caixa de bombons, daquelas de 80 reais, com bombonzinhos variados de amêndoas, nozes, avelãs, tudo espetacular. Nas lojas tem também uns coockies de chocolates divinos. Recomendo o de canela.
E o chocolate líquido, quente, é um must. Até o cafezinho de lá é bom. Experimente também a Lajotinha, que nada mais é que um Bis com chocolate Koppenhagen. Mas cuidado, tudo lá custa uma fortuna. Vale cada real gasto, mas é preciso ter muitos reais na carteira.


• Agora algumas cafeterias e delicatessen da cidade têm esse chocolate cremoso, parecido com o da Koppenhagen. Cai muito bem substituindo o cafezinho depois do almoço (especialmente para quem, como eu, sofre de gastrite e tem que racionar o café...). O da Torta & Cia da Cobal do Humaitá é espetacular, mas não é barato, algo tipo R$ 6 a xícara.


• Na mesma Torta & Cia, você pode pedir uma dentre várias tortas maravilhosas que eles expõem na vitrine para atiçar a gula de qualquer cristão. Tem a trufada, muito forte, que acompanha super bem um cafezinho; tem a de chocolate com Nutella, que é um manjar dos deuses; tem a de chocobaba, a de chocolate com nozes; e um toucinho que é literalmente dos céus. Até o quindim de lá é um dos melhores que já comi. Mas cuidado com os preços: outro dia eu e minha dileta pedimos apenas dois chocolates quentes cremosos e uma torta para dividir e gastamos quase R$ 20.


• Ainda na Cobal do Humaitá, tem uma lojinha de produtos orgânicos (que é do mesmo dono do ótimo restaurante natureba em frente a ela, ambos ficam dentro da Cobal, bem no meião das barracas de legumes, verduras e frutas). A lojinha é uma das poucas do Rio que vendem um delícia difícil de se achar: o brownie orgânico. É uma coisa! Delicioso, esfarela na boca e deixa todo mundo deslumbrado com a delicadeza de seu gosto. Ele é feito em Itaipava ou Petrópolis, por essas bandas da serra. E não é caro, custa uns R$ 2 e pouco.


• Por falar em produtos naturais, na Mundo Verde, uma rede de lojas naturais que tem pelo menos uma em cada bairro do Rio (é o Starbucks natureba dos cariocas...), é possível encontrar a melhor banana-passa que eu conheço, a Banacéu. Tem várias marcas de banana-passa e da sua prima-irmã mariola, mas a Banacéu é imbatível, seja na forma tradicional, seja como bala de banana ou mariola. E, reza a lenda, não tem açúcar, engorda pouquíssimo e é energética. Eu tenho sempre algumas em minha mesa de trabalho.


• E o Starbucks, hein? Dizem que vai abrir um no Shopping Leblon. Hummmm... já sei o que vou pedir: White Chocolate Mocha! Tomara que seja igual aos que tomei em New York. Experimentem. E tem também na versão gelada.


• No quesito milk-shake, além do Ovomaltine do Bob”s, tenho duas recomendações: o de chocolate do Chaika, que é deliciosamente doce e saboroso, e o de chocolate com café do Café Severino, da Livraria Argumento, no Leblon, que é qualquer coisa. Aliás, na mesma Argumento, vale o sorvete de creme com calda de chocolate. E não se esqueça de pedir um chorinho na calda – as garçonetes, sempre simpáticas, atenderão com prazer. A calda é o diferencial: calda com jeito de que foi feita em casa por uma doceira com mãos de ouro. É de babar e se ajoelhar para agradecer ao divino...


• Por falar em chocolate, a tradicional Casa Villarino, na rua Franklin Roosevelt, que tem muitos quitutes importados, vende um quadradinho de chocolate suíço Villars a 1 real (antes da crise, não passei lá ainda para ver o impacto do dólar acima dos R$ 2 nos chocolates suíços...). É caro pra burro, não deve ter nem dez gramas, mas é o suficiente para nos proporcionar um rápido passeio nas nuvens por menos de 1 dólar... Cai super bem acompanhando o cafezinho pós-almoço.


• Apfelstrudel, com creme ou sem creme, é outra preciosidade açucarada que faz bem à alma. Recomendo as do Bar Lagoa, do Bar Luís e a da Adega do Pimenta, em Santa Teresa. Todas de responsa e com pedigree germânico.


• Doces portugueses também são o que há. Meu preferido é o pastel de Belém da Cavé (pronuncia-se “Cavê”...), a tradicional loja de doces da Sete de Setembro quase esquina com Uruguaiana. Ele vem quentinho e acompanha super bem o café. Aliás, na mesma Cavé, tinha uma das minhas diversões prediletas quando eu trabalhava no Centro. Depois do almoço, passava lá e comprava uns R$ 10 de casadinho de doce de leite a granel e levava pra dividir com o pessoal do escritório. Ótimo para testar a força de vontade das meninas, sempre empenhadíssimas em suas dietas super criativas. Elas me xingavam muito, mas atacavam os casadinhos sem a menor cerimônia...


• E os doces árabes? Normalmente acho enjoativos, excesso de açúcar e mel, mas outro dia comi um de amêndoas no Arab (na Praia de Copacabana quase esquina com República do Peru) que era de abalar a estrutura da criatura, parecia um quindim de amêndoas, delicioso...


• Mas, voltando aos chocolates, o brownie com recheio de chocolate líquido da cafeteria do subsolo do Ed. Av. Central – e que também é vendido como uma das sobremesas no restaurante Zazariba, um a quilo chic do Centro do Rio – é uma coisa de gostoso. Chama-se Chocobrownie e é impossível não se ouvir um “Hummmmm....” de cada pessoa à primeira mordida.

Antes que vocês engordem demais, vou ficando por aqui. Mas só por um tempo. Na próxima crônica, “Gula carioca 2 – A missão”, vocês verão.
Até lá!

Paulo Henrique de Noronha é jornalista

Para falar com o colunista envie mensagem para meurio@solteirosesolteiras.com.br






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