É fome ou vontade de comer?

Que tipo de relação você tem com a comida?
Essa resposta é o que indicará se o alimento está sendo ingerido por fome ou compulsão.
Pesquisada desde o final dos anos 50, a compulsão alimentar é um distúrbio psiquiátrico – como as já conhecidas bulimia e anorexia nervosa.

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que está com vontade de comer? O desejo, que é diferente de sentir fome, é um assunto que merece atenção nesta época, já que há menos de um mês foi comemorado o Dia Mundial da Alimentação e, este mês, a mídia discute o Dia Mundial do Diabetes, comemorado no dia 14 de novembro.

A “vontade de comer” é sempre relacionada a alimentos ricos em açúcar e gordura. Dessa forma, além da discussão sobre o que é ou não saudável, a questão é avaliar que tipo de relação cada pessoa tem com a comida. Essa diferença é o que indicará se o alimento está sendo ingerido por fome ou compulsão.

Pesquisada desde o final dos anos 50, a compulsão alimentar é um distúrbio psiquiátrico – como as já conhecidas bulimia e a anorexia nervosa – enquadrado em uma nova categoria de transtornos alimentares: o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).

Segundo a psicóloga Yara Daros, criadora do método de emagrecimento Forma Leve e colunista do site Solteiros e Solteiras, esse transtorno tem como característica principal a ingestão exagerada de alimentos. “Não há indução de vômitos, como na bulimia; nem uso de laxantes, como no casos de pessoas com anorexia. O portador de compulsão alimentar usa a comida como meio de substituir vazios, na maioria das vezes, de afeto e/ou prazer, e controlar a ansiedade”, diz. As mulheres são as maiores vítimas. Entre os obesos, estima-se que 30% sofra de compulsão alimentar.

Yara alerta que muitas pessoas descontam na comida os momentos de estresse com o estudo ou trabalho e garante que a principal receita para superar o problema é manter a tranqüilidade. “Manter o corpo relaxado e a cabeça tranqüila são os melhores remédios para evitar a compulsão. O ideal nos momentos de pressão é tirar um intervalo para se distrair e, principalmente, retirar as guloseimas de perto para evitar que se tornem o seu consolo”, indica Yara.

A analista de logística, Amanda Azevedo, é um exemplo de que o estresse causado pela pressão dos estudos pode resultar no ganho de peso. Amanda engordou mais de 6 quilos em 2006, quando começou a estudar para concorrer a uma vaga em um curso de pós-graduação. “Ainda na faculdade, quando aumentei a carga horária de estudos e trabalhava ao mesmo tempo, comecei a engordar. De lá para cá esse processo só piorou. Por causa do estresse, me refugiei na comida. Foi como uma válvula de escape”, lembra. Amanda procurou o Forma Leve para tratar a compulsão e, em três meses, perdeu 5 quilos.

Segundo Yara Daros, o sucesso para quem está estudando para algum tipo de concurso depende da conjugação de vários fatores, como um sono de qualidade, alimentação adequada e a prática de exercícios físicos, que aumentam a disposição. A psicóloga ressalta, ainda, que a compulsão alimentar deve ser tratada assim que for diagnosticada. “Normalmente, a pessoa que está estudando ou trabalhando muito fica a maior parte do tempo sentada e parada e sem tempo para fazer outras coisas. Por isso, procura alimentos saborosos que estejam por perto para compensar. É assim que se inicia a compulsão alimentar. Um tratamento psicológico aliado a um relaxamento diário para evitar o estresse são os primeiros passos para evitar o problema”, afirma.

O QUE É O FORMA LEVE?

Com a abordagem de que para emagrecer é preciso “cuidar da cabeça”, a psicóloga Yara Daros criou o Programa Forma Leve. Há onze anos, Yara trabalha reeducação alimentar e mudança de estilo de vida através da transformação da relação do indivíduo com os alimentos. Nesse tempo, o Forma Leve já emagreceu 9 toneladas nos 5 mil pacientes submetidos ao tratamento. Em média, 90% são mulheres, todas entre 30 e 50 anos. Já o percentual de homens está todo acima dos 40 anos.
O método funciona através de reuniões semanais com grupos de dez a trinta pessoas, quando cada um discute seus impulsos alimentares e angústias. Numa terapia de grupo, a relação com a comida é tratada de forma global, e não somente como uma questão estética. “Com o tratamento, as pessoas conseguem perder de 1 Kg a 1,5 Kg por semana”, conta Yara.

Compulsão - Yara explica que a compulsão – aquela vontade de comer que não é fome – dura de três a oito minutos, e sugere que as pessoas busquem atividades pra “distrair o cérebro”. Durante os encontros, Yara comanda um debate com temas que provocam uma reflexão sobre o comportamento compulsivo de comer. Assim, ao falar do transtorno, os pacientes podem observá-lo com maior clareza, perceber a gravidade da doença e entender que o processo de emagrecimento vai além dos 15 dias de sopas milagrosas.

As reuniões duram, em média, uma hora e também contam com a participação de um nutricionista, que ajuda na elaboração de receitas saudáveis. Cada inscrito recebe um livro com dicas e sugestões de alimentação equilibrada, para auxiliar no processo.

CONFIRA ALGUMAS DICAS DO FORMA LEVE

1 – Preste atenção naqueles alimentos que você “não consegue comer um só”. Tire-os de sua vida.
2 – Tome bastante água. Saiba que o ideal gira em torno de dois litros por dia, mas se você não está acostumado (a), comece aos poucos, aumentando a quantidade.
3 – Evite frituras, pele de frango, carnes gordurosas e outras preparações ricas em gorduras, pois estas podem comprometer sua saúde e seu peso.
4 – VOCÊ NÃO ESTÁ DE DIETA.
5 – Inclua o máximo possível de fibras na sua alimentação diária. Sempre que possível substitua os alimentos por suas versões integrais. Além disso, acrescente também algum tipo de farelo.
6 – Pense que você vai se alimentar corretamente “hoje”. Isto vai lhe dar forças para outros dias.
7 – PARE para comer, não coma com pressa.


DICAS DE CARDÁPIO FORMA LEVE

Desjejum

- Leite desnatado ou iogurte desnatado – uma xícara ou um copo.
- Um pão francês sem miolo/ ou duas fatias de pão de fôrma sem as bordas/ ou três biscoitos cream-cracker/ ou duas colheres de aveia/ ou uma xícara de flocos crus.
- Uma fatia de queijo/ ou presunto/ ou peito de peru/ ou uma colher de requeijão.
- Uma colher de chá de manteiga.
- Uma porção de fruta.

Almoço e jantar

- Vegetal do grupo A à vontade:
Agrião, rúcula, chicória, alface, etc.
- Proteína:
Uma porção de carne magra/ ou frango sem pele/ ou peixe, etc.
- Carboidrato:
Uma porção de arroz/ ou macarrão/ ou batata/ ou aipim, etc.
- Vegetal do grupo B:
Uma porção de cenoura refogada/ ou vagem/ ou chuchu/ ou berinjela, etc.

PALAVRA DE SOLTEIRA

“Emagreci 12kg depois que passei a cuidar da minha cabeça”
Rosângela Ferreira, 32 anos

Desde criança, sempre vivi problemas com a balança. Engravidei aos 16 anos e, depois do meu segundo filho, comecei a engordar muito. Até então, achava que estava bem com meu corpo, mesmo quando as pessoas diziam que eu tinha engordado. Tenho 1,56 de altura e, na época, pesava 72 kg. Só percebi que estava “gordinha” quando precisei comprar uma calça jeans e a única que me serviu foi a tamanho 46. Decidi que não compraria a calça e saí da loja com a idéia fixa de que essa situação mudaria.

Comecei a fazer de tudo para perder peso. Fiz todas as dietas possíveis: da lua, do abacaxi, da sopa e muitas outras. Fui à nutricionista e tomei fórmulas com anfetamina. Até emagreci um pouco, mas não conseguia chegar ao meu objetivo e muitas vezes voltava a engordar. Além disso, por conta dos remédios, desenvolvi um problema renal.

Há 3 anos, me separei e entrei num processo forte de estresse emocional. Sou técnica em enfermagem e trabalho num hospital. Comecei a me interessar muito por artigos que um médico psiquiatra, colega de trabalho, escrevia para o site do hospital, principalmente os que falavam sobre co-dependência afetiva. Era minha história escrita ali! Foi quando percebi que estava com problemas e precisava me tratar.

“Tentei comprar uma calça e só a 46 me serviu”

Em 2005, conheci o método de emagrecimento Forma Leve através de minha irmã, que já freqüentava as reuniões. Quando cheguei, estava com 68 kg.

Durante os encontros, que abordam o transtorno, podemos observá-lo com maior clareza, perceber a gravidade da doença e entender que o processo de emagrecimento vai além dos 15 dias de sopas milagrosas.

Depois do Forma Leve, cheguei ao meu peso ideal – 60 Kg – em um ano. Já estou há dois anos no programa, mas atualmente é só para manter a forma e porque gosto das reuniões. Desde de que comecei a frenquentá-las, nunca mais fiz dieta. Simplesmente mudei meus hábitos alimentares aos poucos, de forma saudável e equilibrada. Hoje não tem óleo e açúcar na minha casa e nem alho e cebola eu refogo na gordura! A alimentação serviu para melhorar minha saúde, pele, cabelo.

“Nunca pensei que poderia correr 21 km”

Além da reeducação alimentar, o Forma Leve também me ajudou a retomar as atividades físicas. Assim que entrei no programa, comecei a fazer caminhada três vezes por semana durante três meses. Aos poucos, caminhar ficou chato e com incentivo de amigos passei a correr e isso se tornou uma paixão. Atualmente, participo de algumas provas de corrida. Já corri a mini-maratona de 10 km, em julho de 2005, e em setembro passado corri a meia maratona do Rio. Era uma prova de 21 km. O meu maior objetivo era terminar e eu consegui, em 2 horas e 32 minutos. Foi um momento de total superação!

Hoje sou outra pessoa, mudei o visual e a maneira de me comportar. Consigo perceber que o mais importante é gostar de nós mesmos. Eu estou em primeiro lugar.



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