Espelho
Fernanda Machado
 
 

Uma invenção bombástica

Se há um setor do vestuário em que o Brasil pode se orgulhar é o de moda praia. Além de ser o país que mais fabrica (e consome) essa moda, o avanço em modelagem e, principalmente, tecnologia, nas últimas décadas, foi tão arrebatador que podemos dizer que somos o número 1 nesse setor.

Mas, apesar de ser reconhecido internacionalmente pela ousadia dos cortes, pela criatividade e pela qualidade, o biquíni não foi uma invenção nacional. Foi o francês Louis Réard que batizou sua invenção com o nome do pequeno atol de Bikini, no Pacífico, onde os americanos haviam realizado uma série de testes com bombas atômicas. Na época, Louis precisou contratar uma stripper do Cassino de Paris para vestir a peça numa piscina da cidade, já que nenhuma modelo profissional encarava o desafio.

Apesar de toda euforia em torno do novo traje, a peça não emplacou. Só 15 anos mais tarde, em 1956, com a revolução sexual, o biquíni deixou de ser encarado como obsceno e teve sua primeira aparição, no filme E Deus Criou a Mulher, com a atriz francesa Brigitte Bardot. No Rio, a grande pioneira da orla foi Ira Etz, filha de alemães que, no final dos anos 50, diminuía na tesoura os biquínis comprados em lojas cariocas. Logo ela virou o retrato da geração feminina que se liberava e mito nas areias do Arpoador, onde costumava tomar sol.

Em 1959, a Du Pont criou a Lycra, fibra sintética elástica ideal para a fabricação de biquínis. Cerca de dez anos depois, o biquíni ganhava diferentes versões e a moda praia imperava nas areias de Ipanema. Nos anos 80, o biquíni acompanhou as passarelas e, com modelagens menores, ganhava cores de neon. Nos anos 90, a moda praia brasileira ganhou mais espaço e passou a ocupar lugar privilegiado no cenário fashion mundial.

E o negócio virou moda, literalmente. Um verdadeiro arsenal, entre roupas e acessórios passaram a fazer parte dos trajes de banho, como a saída de praia, as sacolas coloridas, os chinelos, óculos, chapéus e cangas. Os modelos se multiplicaram e a evolução tecnológica possibilitou o surgimento de tecidos cada vez mais resistentes e apropriados ao banho.

Mas para quem não quer ficar longe dessa “praia”, é preciso seguir algumas dicas para não fazer feio nas areias. Seja até o final do verão, quando o clima começa a mudar em algumas regiões, seja durante o ano todo, com o sol que insiste em reinar em outros cantos do país, o fato é que, como a praia não pede exageros, a aparência – com pouco pano - merece capricho.
Confira:

* Escolha um biquíni que seja favorável ao seu tipo físico e que a deixe confortável. Neste verão, as calcinhas estão maiores e as modelagens cheias de recortes.

* Se você tem muito busto, use o maiô clássico com recorte sob os seios que dá sustentação. Baixinhas e gordinhas devem usar recortes pespontados no sentido vertical, que ajudam a alongar a silhueta. Para as mulheres altas, o sutiã tomara-que-caia ajuda a disfarçar a altura. Seios pequenos peden um maiô com recorte sob o busto ou um sutiã com bojo delicado. Para disfarçar a barriga, aposte no maiô com forro ou use um biquíni com calcinha maior. Para aquelas que estão com alguns quilinhos a mais pelo corpo, é preciso tomar cuidado com os elásticos que apertam e fazem saltar as gordurinhas.

* Dica definitiva: o sutiã cortininha é ideal para qualquer tipo de busto. E, o melhor: é também o mais fácil de usar.

* No mais, esqueça os microbiquínis. A beachwear agora é adepta da elegância. Por isso, as partes de baixo estão maiores, quase sunkinis e, entre os sutiãs, destaques para os tomara-que-caia e retorcidos. Aposte no glamour com cores fortes e neutras, estampas gráficas, recortes geométricos e biquínis com tecidos de efeitos brilhantes.

E lembre-se que ainda dá tempo de arrasar nas areias...

Fernanda Machado é personal stylist

 



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