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Tá
tudo azul?
Nas ruas, nas passarelas,
nas vitrines, de diferentes modelos, ele
agrada a todos. De algumas décadas
para cá, tornou-se uma verdadeira
febre. Achou que eu estivesse falando de
um acessório, né? É
quase isso. Na verdade, é um modelo
de sucesso na moda: o jeans. Quem não
tem um no armário?
Apesar dele ser conhecido
como o “Índigo blue jeans”
(como eternizou a música de Gil),
o tecido criado por Levi Strauss não
foi sempre azul. No auge da corrida do ouro
e da conquista do oeste americano, por volta
de 1850, muitos comerciantes aproveitavam
para vender os produtos usados na mineração
e exploração, como ferramentas,
mantimentos, roupas e lonas. Mas com o mercado
saturado, os comerciantes viram-se obrigados
a criar alternativas para se desfazerem
de algumas peças. Foi aí que
Strauss, um mercadante com grande estoque
de lonas, procurou outra aplicação
para o produto. Ele observou que os mineradores
tinham que substituir freqüentemente
as roupas utilizadas e isso lhes custava
caro. Levi confeccionou algumas peças
reforçadas com a lona que possuía,
deu-as a mineradores e o sucesso foi imediato.
Altamente resistentes, as peças não
estragavam com facilidade. Estava criado
o jeanswear, que, na época, era feito
com lona de barraca.
Com o tempo, Strauss, sempre
preocupado com a opinião da clientela,
pesquisou e encontrou um tecido melhor.
Produzido com algodão, o que parecia
uma espécie de sarja ou estopa bem
trançada, era na verdade brim, mais
resistente e, ainda assim, mais flexível.
A cor azul veio por conta de mais uma moda
de Strauss. O alemão resolveu tingir
o brim com uma plantinha chamada Indigus,
que continha na sua raiz um forte corante
capaz de dar ao tecido, originalmente branco,
aquela cor que ficou universalmente conhecida.
Já o nome, Jeans, vem de outro canto.
Os marinheiros genoveses se referiam às
calças que usavam para exercer seu
ofício pelo apelido carinhoso de
Genes. Experimente agora falar essa palavra
com o sotaque italiano. Percebeu de onde
veio a palavra mais famosa da moda?
O tempo passou e a indústria
da moda foi adotando o Jeans em suas linhas
de produção. Apesar do sucesso,
a peça só passou a ser usada
no dia-a-dia no século XX, nos idos
da década de 50. Queridinhos do cinema,
do rádio e TV começaram a
adotar a peça como uma segunda pele.
Ao vê-lo colado nas pernas de James
Dean, Elvis Presley, Marlon Brando e Marilyn
Monroe, a turma mais fashion pirou. Os pop
stars só não imaginavam que
o que vestiam se tornaria uma espécie
de ícone da moda. Literalmente.
Calvin Klein foi o primeiro
estilista a colocar o jeans na passarela,
na década de 70. A propaganda de
Klein, na época, tornou-se famosa:
Brooke Shields, então a ninfeta do
momento, num imenso outdoor em plena Times
Square, Nova York, declarando: “Entre
eu e o jeans não existe mais nada”.
A ousadia provocou os mais conservadores,
mas a tendência foi seguida pelos
outros estilistas da época e o jeans
definitivamente conquistou seu espaço
na sociedade.
No Brasil – assim
como em todos os lugares do mundo -, o sucesso
não é diferente. Somos o segundo
mercado de jeans no mundo, perdendo apenas
para os Estados Unidos. Nosso consumo ultrapassa
a casa dos 100 milhões de peças
vendidas anualmente. E nossa produção
trilha os mesmos caminhos de prosperidade.
Os fabricantes poderiam dizer que, no quesito
exportação, tudo anda azul,
azulzinho. E no seu armário, tá
tudo azul?
Dicas da Fê
O jeans na próxima
estação é a matéria-prima,
da bolsa ao sobretudo. Confira:
• As pantalonas são
o hit do próximo Inverno. Quanto
maiores, melhor.
• As calças skinny, com cintura
muito alta, permanecem na próxima
estação.
• Matelassado e com furinhos, o
jeans ganhou nova cara no último
desfile da Zoomp.
• A coleção verão
2008 da D&G levou às passarelas
peças de patchwork de jeans em
clima flower power.
• Os jeans coloridos também
são “febre” no mundo
todo.
• E como não podia deixar
de ser, o jeans da próxima estação
aparece também no estilo country
(relembre a coluna sobre chapéu).
Fernanda
Machado é personal stylist
Para falar com
a colunista envie mensagem para
espelho@solteirosesolteiras.com.br
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