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Quando
a perda é um trauma
Habitualmente, o término
de uma relação afetiva costuma
ser doloroso para um ou para ambos os parceiros,
pois representa a quebra de uma série
de expectativas que foram depositadas nesta
relação. Como toda perda,
gera um sentimento de frustração
que, por sua vez, desencadeia na estrutura
psíquica os sentimentos contraditórios
de raiva e tristeza que, se bem elaborados,
colaboram para o crescimento pessoal, através
da elaboração do “luto”
e sua incorporação ao rol
de experiências vividas.
O ideal em uma relação
é que, ao longo de sua permanência,
os parceiros possam trocar experiências
pessoais importantes para que, caso ocorra
o término, cada um deles saia mais
fortalecido, mais enriquecido com aquilo
que aprendeu com o outro. Porém,
infelizmente, não é sempre
assim que ocorre. Dependendo da forma como
se deu o rompimento, dos motivos que o desencadearam,
da estrutura psicológica de cada
um dos parceiros, a ruptura pode seguir
vários caminhos.
Quando há um motivo
real, a descoberta de uma traição,
por exemplo, o sentimento que aparece é
o de raiva, de um lado, e o de culpa ou
arrependimento, do outro. De qualquer forma,
há um sofrimento e isto pode se desdobrar
na busca de justificativas hipotéticas.
As mais comuns são os pensamentos
de que “a fidelidade não tem
mais valor nos dias de hoje”. Ou,
no caso de quem traiu, acaba reconhecendo
que “não vale a pena viver
um momento de prazer e pôr tudo a
perder”. Em geral, as mulheres chegam
até mesmo àquela idéia
extrema de que “um homem não
pode ter todas as mulheres do mundo, mas
é seu dever, pelo menos, tentar!”.
Há, ainda, uma questão
bastante particular e especial que é
a daquela pessoa que se sente como “meia
pessoa”, isto é, vive em busca
da “outra metade da laranja”,
da “tampa da panela”. Para estas
pessoas, que, na verdade, se sentem incompletas,
a necessidade de um parceiro é o
que faz dar sentido à sua vida e,
portanto, a perda do outro significa a perda
de si mesmo ou, ao menos, de parte de si
mesmo. Nestes casos, à perda se segue
um profundo luto, um sentimento de que a
vida perdeu o sentido, de que nada mais
vale a pena. Enfim, de fato, perder o outro
é um verdadeiro trauma na vida, que
pode produzir transtornos psicológicos
importantes tais como uma depressão.
Sem dúvida, o término
de uma relação afetiva, seja
por que motivo for, sempre será motivo
para uma reflexão sobre si mesmo
e seu comportamento na vida em geral. Por
que será que não vivo sem
alguém ao meu lado? Por que me vejo
quase que compelido a trair sem motivo aparente?
Será que estou dando motivos para
ser traído (a)? O que verdadeiramente
estou aprendendo e ensinando ao meu parceiro
nesta relação? O quanto estou
crescendo (ou não) com este envolvimento?
Esses questionamentos fazem
perceber que o importante é aprender
com a experiência de perda e entender
que esse é mais um exercício
de vida. Servem para encarar como um aprendizado
que vai trazer mais consciência de
si mesmo e para evitar novas armadilhas.
Conhecer melhor a si mesmo é o ideal
para que se possa viver como dono de si,
procurando num parceiro apenas os valores
que vão acrescentar algo na formação
pessoal. E, nessa busca, que se possa, de
fato, encontrar alguém que traga
felicidade.
Como disse o poeta Vinicius
de Moraes é importante viver o amor
“que não é eterno, posto
que é chama, mas que seja infinito
enquanto dure”.
Eduardo Ferreira-Santos é
Psiquiatra e Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia
Clínica e Doutor em Ciências
Médicas
Site: www.ferreira-santos.med.br
Para falar com o colunista envie mensagem
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parouimpar@solteirosesolteiras.com.br
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