Par ou Ímpar
Dr. Eduardo Ferreira
 
 

As mulheres preferem homens mais jovens?

Pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, publicada pelo jornal “O Globo”, revela que tem aumentado o número de relações estáveis em que a mulher possui idade superior a do parceiro. Surpreendente? Aparentemente sim, pois o que corre de boca em boca é que os homens estão cada vez mais trocando suas mulheres de 50 anos por duas de 25 ou, pelo menos, por uma que seja bem mais jovem e atraente. Mas, a verdade, é que ambas as situações ocorrem e podem ser compreendidas considerando-se desde o aspecto da vaidade ou até pela situação econômica propriamente, passando pela sexualidade.

Sempre se soube que mulheres mais jovens se dão bem sexualmente com homens mais maduros e vice-versa. A explicação para este fato sempre foi sinalizadora da valorização da “qualidade” da relação sexual. Enquanto mulheres mais jovens e inexperientes (acreditem, ainda existe este tipo raro) procuram por um parceiro que não seja tão “afobado” e que saiba dar valores aos carinhos e preliminares aprendidos com a experiência, mulheres mais velhas sentem-se mais “afogueadas” e preferem a força e a virilidade da juventude para satisfazê-las na sexualidade, que “explode” ao redor dos 40 anos de idade, talvez devido às variações hormonais que começam a surgir nesta idade.

Para ambos, homens e mulheres, a vaidade de conquistar e exibir alguém mais jovem também pode, no plano psicológico, passar a impressão para si mesmos e para os outros que ainda se é jovem e mantém o vigor da juventude que, tecnicamente, já se vai esvaindo. Mas, talvez a realidade mais cruel, desmoralizadora de qualquer romantismo, seja apontada por outra pesquisa do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ao indicar a importância do potencial financeiro e econômico do parceiro como fator determinante para o estabelecimento ou o rompimento de relações conjugais. Pela análise, o sucesso dos casamentos está diretamente relacionado ao poder aquisitivo do(a) parceiro(a).

Assim, pode-se imaginar que homens mais jovens, com dificuldades para se firmar no competitivo mercado de trabalho procurem mulheres mais velhas, já estabelecidas financeiramente e carentes na afetividade. E, do outro lado, meninas inseguras no âmbito emocional e financeiramente dependentes irão procurar homens que já tenham construído seu patrimônio econômico, mas não o afetivo.
Portanto, nos dias de hoje, pelas observações coletadas, parece que não importa muito a faixa etária, mas sim a quantidade de dinheiro que está em jogo nestas relações. Isto é absolutamente “politicamente incorreto”, mas não será a verdade?

Eduardo Ferreira-Santos é Psiquiatra e Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia Clínica e Doutor em Ciências Médicas

Site: www.ferreira-santos.med.br

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