Par ou Ímpar
Dr. Eduardo Ferreira
 
 

Optar pela solteirice! Por que não?

Desde os primórdios da civilização, as relações humanas são marcadas por um roteiro que mais lembra a predestinação: nascer, crescer, casar, ter filhos e morrer. Há até quem distraidamente diga ‘quando’ eu casar e ‘se’ eu morrer. Embora as questões antropológicas e biológicas — o ser humano é um ser social e necessita propagar a espécie — sejam indiscutíveis, não há nada que o obrigue a conviver maritalmente com alguém.

A igreja impõe o casamento como um sacramento e profetiza que “o que Deus uniu, o homem não separa”. Diariamente somos atacados por “comerciais de margarina” que vendem a doce e suave imagem da família feliz ao redor da mesa, vivendo a plena harmonia do lar. Além disso, tem a cobrança. Sempre aparece uma tia chata que pergunta, numa festa qualquer, entre sorrisos maliciosos, para quando está marcado o casório. Portanto, é árdua a luta contra tanta informação quase que fundida ao nosso código genético ao longo da vida.

Optar por não casar, não constituir família, não ter filhos é uma ação que requer muita energia de quem escolhe esse padrão de vida. O homem enfrentará, além de tudo, os comentários maldosos sobre sua sexualidade duvidosa; a mulher, “coitadinha”, será vista como aquela que, se ninguém quer, é porque deve ter algum problema grave. Enfim, o “rolo compressor social” é esmagador e há ainda que se conviver com a secreta inveja daqueles “amarrados” em suas situações conjugais infelizes.

Mas tudo isto, se encarado com coragem e determinação, pode ser vencido com a convicção de que viver sozinho, optando pela solteirice, é mesmo o que há de bom na vida. Saber administrar e usufruir da liberdade de morar só implica também na tarefa de construir uma sólida estrutura pessoal e social. É aprender a ser um indivíduo uno e completo, cujas necessidades de relacionamento podem muito bem ser supridas na escolha de amizades fiéis e solidárias.

É o caso de Simone de Beauvoir, ícone do feminismo intelectual, que ao ser questionada, quase ao fim da vida, sobre o por quê escolhera não ter filhos para acompanhá-la na velhice, respondeu: “Filhos pra que? Tenho tantos amigos”.

No papel de pais, tios, amigos, nos cabe a incumbência de desfazer todo o estigma que cerca a solteirice. E defender a idéia de deixar-se levar por uma vida comprometida com si mesmo e a sua felicidade! Boa Sorte!

Eduardo Ferreira-Santos é Psiquiatra e Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia Clínica e Doutor em Ciências Médicas

Site: www.ferreira-santos.med.br

Para falar com o colunista envie mensagem para

parouimpar@solteirosesolteiras.com.br

 



© 2007- Monte Castelo Idéias ® Todos os direitos reservados.
  Criação e desenvolvimento: Café Expresso Design