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Optar
pela solteirice! Por que não?
Desde os primórdios
da civilização, as relações
humanas são marcadas por um roteiro
que mais lembra a predestinação:
nascer, crescer, casar, ter filhos e morrer.
Há até quem distraidamente
diga ‘quando’ eu casar e ‘se’
eu morrer. Embora as questões antropológicas
e biológicas — o ser humano
é um ser social e necessita propagar
a espécie — sejam indiscutíveis,
não há nada que o obrigue
a conviver maritalmente com alguém.
A igreja impõe o
casamento como um sacramento e profetiza
que “o que Deus uniu, o homem não
separa”. Diariamente somos atacados
por “comerciais de margarina”
que vendem a doce e suave imagem da família
feliz ao redor da mesa, vivendo a plena
harmonia do lar. Além disso, tem
a cobrança. Sempre aparece uma tia
chata que pergunta, numa festa qualquer,
entre sorrisos maliciosos, para quando está
marcado o casório. Portanto, é
árdua a luta contra tanta informação
quase que fundida ao nosso código
genético ao longo da vida.
Optar por não casar,
não constituir família, não
ter filhos é uma ação
que requer muita energia de quem escolhe
esse padrão de vida. O homem enfrentará,
além de tudo, os comentários
maldosos sobre sua sexualidade duvidosa;
a mulher, “coitadinha”, será
vista como aquela que, se ninguém
quer, é porque deve ter algum problema
grave. Enfim, o “rolo compressor social”
é esmagador e há ainda que
se conviver com a secreta inveja daqueles
“amarrados” em suas situações
conjugais infelizes.
Mas tudo isto, se encarado
com coragem e determinação,
pode ser vencido com a convicção
de que viver sozinho, optando pela solteirice,
é mesmo o que há de bom na
vida. Saber administrar e usufruir da liberdade
de morar só implica também
na tarefa de construir uma sólida
estrutura pessoal e social. É aprender
a ser um indivíduo uno e completo,
cujas necessidades de relacionamento podem
muito bem ser supridas na escolha de amizades
fiéis e solidárias.
É o caso de Simone
de Beauvoir, ícone do feminismo intelectual,
que ao ser questionada, quase ao fim da
vida, sobre o por quê escolhera não
ter filhos para acompanhá-la na velhice,
respondeu: “Filhos pra que? Tenho
tantos amigos”.
No papel de pais, tios,
amigos, nos cabe a incumbência de
desfazer todo o estigma que cerca a solteirice.
E defender a idéia de deixar-se levar
por uma vida comprometida com si mesmo e
a sua felicidade! Boa Sorte!
Eduardo Ferreira-Santos é
Psiquiatra e Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia
Clínica e Doutor em Ciências
Médicas
Site: www.ferreira-santos.med.br
Para falar com o colunista envie mensagem
para
parouimpar@solteirosesolteiras.com.br
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