Viva os 40 !

Entrar na fase dos ‘enta’ não é nem um pouco fácil e assusta muita gente. Pensando em auxiliar mulheres a passarem por esta transição sem crise, a jornalista Andrea Franco lançou o manual “40 sim, e daí? – Um Guia de Qualidade de Vida para as Mulheres Depois dos Quarenta Anos” com dicas imperdíveis de bem-estar, trabalho e saúde.


  Solteiras e Solteiras - Como foi escrever um guia para esse público? E como surgiu essa idéia?
Andrea Franco – Escrever o livro foi muito gratificante, principalmente pelas informações dadas pelos especialistas, que enriqueceram muito o meu trabalho. A ideia surgiu do meu grande interesse por tudo relacionado à qualidade de vida: saúde, alimentação, yoga. Adoro ler sobre esses assuntos. Um dia, já com a ideia na cabeça, eu estava em uma livraria e vi uma revista estrangeira chamada More que tinha como slogan Fabulous After 40 (“Maravilhosa depois dos 40”).
Pelas chamadas de capa percebi que era uma publicação totalmente voltada para esse público. Achei muito bacana e pensei em fazer um livro sobre qualidade de vida para a mulher de 40. Outra coisa que me motivou foi o fato de vivermos em uma sociedade machista em que mulher de quarenta anos muitas vezes é considerada “velha”. Eu quis mostrar que não é assim.

Solteiras e Solteiras - Como foram realizadas as entrevistas para compor o material do livro?
Andrea Franco - Eu entrevistei 44 profissionais, entre médicos (ginecologistas, dermatologistas,endocrinologistas, geriatras, cardiologistas, etc), psicólogos, nutricionistas, professores de Educação Física e Yoga, fisioterapeutas, profissionais de terapias alternativas e especialistas de Recursos Humanos - já que há um capítulo sobre carreira. Todos deram orientações sobre o que a mulher deve saber e fazer a partir dessa fase da vida. Também entrevistei mulheres (famosas e anônimas) com idade a partir dos 40 anos para saber como elas vivem e o que pensam.

Solteiras e Solteiras – Qual a importância de um guia para as mulheres enfrentarem essa fase?
Andrea Franco - Acho importante um livro como esse porque essa é uma fase marcada por muitas mudanças, tanto físicas quanto emocionais, e que costuma vir acompanhada de diversas dúvidas. Muitas mulheres chegam a esse período da vida sem conhecer o próprio corpo, sem saber como lidar com os transtornos emocionais. Muitas mulheres, por exemplo, não sabem o que é “climatério”, “perimenopausa” ou até mesmo terapia de reposição hormonal. É importante também sob o ponto de vista motivacional: o objetivo do livro é estimular a autoestima da mulher madura, promovendo saúde e bem-estar. Também valoriza a mulher dessa faixa etária, mostrando que essa etapa pode ser enriquecedora e feliz. A mulher precisa perceber que a maturidade pode fazer muito bem, sim! E munida de informações ela terá as ferramentas para fazer dessa a melhor fase da vida.

Solteiras e Solteiras - Qual o tamanho do peso que as mulheres enfrentam quando chegam aos quarenta?
Andrea Franco - Acredito que esse “peso” esteja mais relacionado ao aspecto social. Há muita cobrança! A mulher sempre foi, e ainda é, mais cobrada do que o homem em vários, ou em todos, aspectos e, entre eles, sem dúvida, está a questão da idade. Esse é um fator que não se pode negar. Há a cobrança de manter a beleza física, o que não acontece com os homens, aliada à cobrança de realizar metas ainda não alcançadas. Uma mulher sem um par é desvalorizada, para a sociedade ela é uma coitada, enquanto que um homem na mesma situação está “curtindo a vida”.  Homem grisalho é charmoso e mulher grisalha é “relaxada”. Estas coisas ainda existem!

Solteiras e Solteiras - Como aproveitar melhor essa fase?
Andrea Franco - O que eu aprendi com os profissionais e com as entrevistadas é que a melhor maneira de aproveitar essa fase é estar atenta ao novo, em vez de ficar pensando nas perdas, comprometendo-se consigo mesma, com a vida e com as possibilidades de crescimento e reconhecendo seus talentos, o que há de melhor em si. A gente precisa enxergar nos 40 anos a oportunidade de seguir adiante e trabalhar para se transformar em uma pessoa melhor, em um ser humano mais realizado, em uma mulher mais inteira. Buscar novos desafios e dar valor ao que está vivendo agora, e não ficar presa à idéia de que o melhor já aconteceu. É importante o brilho nos olhos, o amor pela vida. Se a mulher ficar presa ao passado da juventude, vai entrar em depressão. Como disse uma das minhas entrevistadas: “Pense nos próximos 40 anos e comece a produzir como nunca!”.

Solteiras e Solteiras - Antigamente, mulheres com quarenta anos eram vistas como avós. Hoje, é possível encontrar muitas quarentonas com corpão, lindas e namorando homens mais novos. A que se deve essa mudança? O mundo já aceita melhor esse fato ou ainda existe muito preconceito?
Andrea Franco - Eu acredito que a mudança se deve à entrada da mulher no mercado de trabalho e, consequentemente, à emancipação feminina. Tendo um trabalho e uma carreira, a mulher precisa cuidar da sua imagem, da aparência, que é seu “cartão de visitas”. A independência financeira permitiu o acesso à academia de ginástica e a procedimentos estéticos avançados, que proporcionam longevidade, deixando a mulher mais bonita e mais jovem por mais tempo. É fato que as “quarentonas” de hoje já não são como as de antigamente. Em relação a namorar homens mais novos é que, muitas vezes, a mulher madura é tida como “sexy” pelos rapazes. O mundo já vem aceitando melhor esse fato, mas ainda há um certo preconceito.

Solteiras e Solteiras - O quê assusta mais nas mulheres quando os ‘enta’ vão se aproximando? Por que tanto medo?
Andrea Franco – Com a proximidade dos “enta” passa pela cabeça de muitas mulheres as seguintes questões: “E agora?”, “Como será daqui para frente?”, “Será que eu fiz tudo o que eu queria?”.  Acho que muitas pensam que nada mais vai acontecer em suas vidas. É um temor que é muito ligado ao fato de vivermos numa cultura machista, que cobra demais das mulheres. Mas há um receio também em relação às alterações hormonais da menopausa e, consequentemente, com a mudança do corpo.

Solteiras e Solteiras - Como é o amor na era dos ‘enta’? O que muda?
Andrea Franco - Eu ainda estou chegando lá. Estou com 38 anos e, apesar de não ter feito essa pergunta às minhas entrevistadas, posso citar o que a apresentadora Rosana Hermann me disse. “Se você tiver amadurecido no tempo certo, você terá todas as necessidades naturais de ser amada e desejada, mas só pelos homens que elege”.  Então, o amor nessa fase é mais maduro, sem briguinhas por qualquer coisa. A mulher não espera mais o príncipe encantado.

Solteiras e Solteiras - É mais difícil encontrar alguém na fase mais madura?
Andrea Franco - Já ouvi algumas mulheres reclamarem que é mesmo mais difícil sim, mas, ao mesmo tempo, acho que isso é relativo, já que muitas mulheres dessa idade estão acompanhadas, vivendo histórias bacanas com os seus companheiros.

Solteiras e Solteiras - Qual a melhor e a pior coisa de ter quarenta anos?         Andrea Franco - Segundo as minhas entrevistadas, a melhor coisa dos 40 anos é a maturidade. Você já sabe do que é capaz e pode administrar os seus bens internos e externos com sabedoria. A mulher madura já sabe quem ela é e tem a tranqüilidade para tomar decisões. A partir dessa idade só fica o que interessa. A mulher sabe o que quer da vida, é mais autêntica, centrada, objetiva. Há o poder de escolha, de fazer só o que deseja. Ela é dona do seu nariz e não se importa mais com a opinião dos outros. Já o pior são os problemas que vêm com a passagem do tempo: as limitações físicas, a ação da gravidade, os problemas hormonais, o cansaço, as oscilações de humor, o medo de não ser mais atraente e de não conseguir mais emprego.


 

 



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