“90% das empresas não levam em consideração o
estado civil do candidato”

Para saber se o estado civil de um candidato a uma vaga de emprego influencia na hora da seleção, o Solteiros e Solteiras foi atrás de uma especialista em mercado de trabalho. Andréa Bavier, gerente de RH do Grupo Foco, diz, nestra entrevista, que, apesar de ainda existir certos tipos de preconceito no mercado, o estado civil do profissional é um dos fatores que menos contam na hora da contratação. Confira.

Solteiros e Solteiras - Existe, hoje, nas empresas, preferência por pessoas solteiras?

Andréa – Geralmente o estado civil do profissional não é um fator relevante na escolha. Pelo contrário, o que vemos hoje é um mercado de trabalho cada vez mais heterogêneo, com as diferenças entre homens ou mulheres, por exemplo, equilibradas no preenchimento das vagas. Posso dizer que 90% das empresas não levam em consideração o estado civil do candidato. Até acontece de, se houver dois ou mais candidatos com igualdade de experiência, formação e capacidade técnica, as empresas tendem a optar por pessoas solteiras por acreditar numa disponibilidade maior para o trabalho. Mas o mercado não está indicando isso. O que eles indicam é a opção por profissionais competentes e independentes, característica que vai além do estado civil ou da maternidade, no caso das mulheres.

Solteiros e Solteiras - E o que significa essa independência?

Andréa - Pessoas que, independente do seu estado civil, conseguem administrar o acúmulo de tarefas no trabalho e a administração do próprio lar. Se uma mulher com 10 filhos tem uma estrutura que a permite atender as demandas no trabalho, ótimo, ela terá mais chances dentro de uma organização em relação a outra que não tem a mesma estrutura emocional. Ainda é comum vermos empresas insatisfeitas com homens e mulheres quando precisam sair mais cedo ou adiar algum compromisso por conta da família. Mas há também solteiros que levam muito problema para as empresas; enquanto há casados que só agregam às companhias. Portanto, o que está em evidência é o histórico da pessoa, as conquistas e os resultados profissionais que ela obteve, quais as empresas que ela trabalhou, todo o network que ela possui; coisas que são inerentes ao estado civil.

Solteiros e Solteiras - Mas e o contrário, a preferência por pessoas casadas, acontece?

Andréa - Depende da vaga, mas esse fator também não faz parte de nenhuma estatística alarmante. Para algumas vagas operacionais, por exemplo, que precisam de uma dedicação específica, algumas empresas até sugerem uma preferência por candidatos casados. Mas não é nada muito explícito.

Solteiros e Solteiras - Então, concluindo, para o mercado, não há diferença entre contratar solteiros ou casados?

Andréa - Não, isso pelo menos não está explícito até agora. Hoje, não cabe à organização avaliar a habilidade do profissional em gerenciar as tarefas domésticas se ela está dando resultados para a empresa. E não existem regras. Teoricamente, se por um lado candidatos solteiros podem dedicar mais horas à vida profissional sem culpa, pessoas casadas com famílias formadas podem oferecer maior comprometimento no dia-a-dia. Mas isso, na prática, funciona de outra forma e depende do perfil do profissional.

Solteiros e Solteiras - E qual é o perfil que o mercado está procurando?

Andréa - Um profissional com uma boa formação, que fale pelo menos mais uma língua e com experiência na área pela qual se candidatou; que tenha, por exemplo, algum tipo de especialização, como uma MBA; que já tenha transitado em empresas que tenham nome positivo no mercado e com potencial de liderança para gerenciar não só pessoas, mas projetos. Além disso, que sejam flexíveis, ágeis e com capacidade de entrega, que, lembrando, independem do seu estado civil.

 



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