O desafio de ser mulher


Jogadora de vôlei de praia, Virna Dias conta em entrevista ao Solteiros e Solteiras como consegue administrar a maratona feminina de ser mãe, mulher e atleta.

SS - Qual foi seu primeiro grande desafio na carreira?

Virna - Meu primeiro grande obstáculo foi ficar de fora da Liga Mundial, o Grand Prix de 1993. Estava com uma contusão no joelho, fui cortada e não participei do torneio. Foi um sofrimento grande mas, naquele momento, estava consciente de que esse era meu primeiro desafio, outras competições mundiais estavam por vir e eu tinha potencial para participar delas. Ter saído muito cedo de onde nasci, na cidade de Natal, para seguir minha carreira profissional também foi um grande desafio que sempre friso.

SS – Como é a sua rotina?

Virna - Meu dia começa muito cedo. Acordo as 06h30min da manhã para treinar nas areias do Leblon, bairro onde moro, na cidade do Rio de Janeiro. São cerca de duas horas de treino todos os dias da semana. À tarde, faço musculação para manter o preparo físico adequado para jogar na areia. Quando estou em casa, no almoço, procuro saber do meu filho, as coisas do colégio e suas atividades. É muito corrido. Confesso que é preciso ter uma boa estrutura por trás para poder administrar casa, filho e trabalho. Para mim, é mais difícil ainda porque minha família é do Rio Grande do Norte, então não tenho minha mãe aqui por perto para dar uma forcinha.

SS – Quais seus planos para o futuro? Você já pensou em parar de jogar?

Virna – Eu pretendo parar de jogar em três anos. Meu plano a curto prazo é voltar a faculdade de Jornalismo, no próximo semestre, e me formar. Quero ser jornalista e apresentar um programa esportivo de televisão. É um projeto que estou amadurecendo para executar no momento certo.

SS – Como você fez para administrar a profissão de atleta e a maternidade?

Virna – Fui mãe muito cedo, com 19 anos. Engravidei e casei com meu segundo namorado. No início, foi difícil administrar tudo - as tarefas de casa, os cuidados e a educação do meu filho e os treinos. Sem falar nas viagens que fazia para jogar. Sofria muito com saudades dele. Era muito duro ficar longe do meu filho quando ele era menor. Hoje, é mais tranqüilo, porque ele está com 16 anos e já tem uma certa independência. Então, sinto-me mais tranqüila para viajar nos torneios quando é preciso. Apesar de tudo, sempre procurei ser uma mãe presente, aproveitando todos os nossos momentos juntos.

SS – Como foi para você a mudança do vôlei da quadra para a praia?

Virna – Foi como começar do zero. Exigiu muito esforço e dedicação no início, e ainda exige até hoje, claro. Na verdade, tive que parar de jogar na quadra por causa do problema que tenho no joelho. Estava sempre sentindo muitas dores nos dias seguintes aos jogos, tomando muito remédio também. Então, jogar na praia foi um caminho que encontrei para continuar exercendo minha profissão já que, na praia, o impacto com a areia é menor do que na quadra.

SS – Você é uma mulher muito vaidosa. Quais os cuidados que mantém para cuidar da beleza?

Virna – Adoro me cuidar. Cuido do meu corpo, do cabelo, da pele e das unhas. Freqüento salão de beleza semanalmente. Gosto de estar sempre bem cuidada. Além disso, faço massagens todos os dias – relaxamento e drenagem linfática. Sou adepta e usuária de silicone (risos) e me sinto super bem. Faço alguns tratamentos estéticos também com ácido hialurônico. Acho que é isso mesmo. A mulher tem que se cuidar.

SS – Você passou dez anos casada. Como foi voltar a “solteirice” depois de um longo período de casamento?

Virna - O divórcio para mim foi resgatar parte de uma juventude que não aproveitei, pois casei e engravidei muito cedo. Sempre gostei muito de namorar, então quis curtir mais a vida, sair, fazer mais amigos e desfrutar de bons momentos. Entrei na “solteirice” com 29 anos, muito jovem ainda. Estava cheia de energia para viver e curtir.

SS – Quais seus planos para o futuro?

Virna – Penso em casar e ter outro filho quando parar de jogar. Hoje, vivo uma relação harmônica, de confiança, saudável. Conheci a pessoa através de um casal de amigos. Estamos muito felizes juntos há pouco mais de um ano.

 



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