Cupido no Brasil?


Ela é um fenômeno quando o assunto é relacionamento amoroso. Após formar um cadastro de 9 mil pessoas que buscam seu par perfeito, a publicitária Cláudya Toledo(foto) realiza cursos, organiza encontros e programa viagens, mostrando que é preciso estimular o auto-conhecimento para unir pessoas cada vez mais exigentes.



Solteiros e Solteiras - Em seu site, você e seu marido, Márcio Simões, dizem que tiveram a idéia de criar a agência para mostrar aos outros que um casamento feliz é possível. Foi esse mesmo o motivo da criação da agência? Como surgiu a idéia?

Cláudya Toledo - Sempre me senti uma espécie de cupido desde a infância. Me formei em publicidade e fui morar fora do país. Na Europa, tinha várias amigas que conheceram os maridos por intermédio de agências de casamentos. Achava isso estranho, porque aqui, no Brasil, não existia este tipo de serviço. Quando me casei, contei para meu marido que minha vontade era seguir a minha missão de encontrar o par ideal para as pessoas. No início, fiquei com medo que ele fosse achar minha idéia uma besteira, mas ele me deu apoio e disse que, se eu “corresse atrás”, ele entraria na sociedade comigo. Naquela época, estavam surgindo muitas franquias no país e, ao entrar em contato com escritórios, conheci a empresa Happy End, do marido da jornalista Márcia Goldsmith. Eles queriam abrir uma franquia em Campinas. Fizemos um contrato de cinco anos. Depois, ela e o marido se separaram e a empresa fechou. Com a nossa experiência, compramos o nome A2 Encontros e continuamos atuando neste mercado. Formatamos toda a rede, desenvolvemos um sistema de cadastro e cruzamento.


SS - Como é o processo seletivo dos cadastrados?

Cláudya Toledo - A pessoa entra em contato conosco ou porque viu alguma reportagem sobre a empresa ou por indicação de alguém já cadastrado. Ela pode telefonar ou fazer um pré-cadastro no nosso site. A primeira entrevista é individual e gratuita. É quando traçamos o perfil da pessoa e mostramos para ela quais são as probabilidades dela encontrar um par na nossa agência. De cada 5 pessoas, uma não é aceita, pois não temos o perfil que ela procura. Depois disso, são exigidos documentos, como atestado de antecedentes criminais e comprovante de renda. Nossos cadastrados passam por uma série de testes psicológicos, o que nos ajuda a conhecer seu quadro emocional e sua auto-imagem. Depois disso, a pessoa pode conhecer seu par através de cursos, viagens ou de encontros que promovemos. Mostramos para o candidato os perfis disponíveis que mais combinam com o caráter dele e ele seleciona quem quer conhecer.

S&S - SS - Na sua opinião, quais são os motivos que levam uma pessoa a procurar ajuda em uma agência de relacionamento?

Cláudya Toledo - Toda a nossa clientela é ativa no mercado de trabalho. A maioria é o que chamamos de workaholics, que trabalham de dez a doze horas por dia e, por isso, não têm tempo para conhecer novas pessoas. Antigamente, o conceito ‘acaso’ era o principal fator que fazia os casais se conhecerem, mas com esse novo perfil do adulto, que visa ser bem sucedido e se concentra para este propósito, fica difícil encontrar alguém por acaso. E este ‘acaso’ acontecia normalmente em três lugares: no ambiente familiar, na igreja, na escola ou trabalho. Hoje, muitos nem sequer encontram a família com freqüência e, se não têm tempo de frequentar à casa dos parentes, também não possuem espaço para frequentar reuniões religiosas. Os locais de estudo, que também favorecem a socialização, também passam a ser menos frequentados após as pessoas se formarem. Além disso, na maioria das empresas, é proibido namoro entre os funcionários.

SS - Além de promover encontros e aconselhar casais, a sua empresa também fornece cursos. Qual o público-alvo destes cursos?

Cláudya Toledo - Infelizmente não tenho contato com todos os cadastrados, mas acabo conhecendo de 20 a 30% das pessoas, principalmente, nas dinâmicas e cursos que organizo. Nós trabalhamos com três cursos. O curso Cara Metade, no qual meu livro é baseado, reúne 40% de homens e 60% de mulheres. É um curso vivencial, com o objetivo de mostrar às pessoas qual a ética convencional das relações, como se portar diante do outro e atender às suas expectativas. Queremos espelhar o que está acontecendo no mundo lá fora e não ensinar como namorar. Dentro de cada sessão, o candidato poderá experimentar as técnicas propostas e aumentar o seu auto-conhecimento. Temos também as viagens. O curso das Deusas, por exemplo, é um encontro feminino, onde as mulheres vão atrás da sua feminilidade interior. Elas passam por uma repaginação total: falamos de roupa, cabelo, etiqueta... damos dicas de paquera, de encantamento, falamos sobre os tipos de homem e o que eles esperam de uma mulher. Temos também a viagem do Tantra, onde tem um homem para cada mulher. Ao longo da viagem, todos os componentes se conhecem entre si. Os programas, jantares, aulas de dança, caminhadas, meditações, são feitos com pares alternados. Desenvolvemos o trabalho em equipe, um ajudando o outro.

SS - Quem tem mais dificuldade de encontrar a pessoa ideal: os homens ou as mulheres? Quem é mais exigente?

Cláudya Toledo - Quinze anos atrás a mulher aceitava mais se o parceiro não era o ideal. Ela ficava com ele mesmo assim. Hoje em dia, esta idéia não se encaixa mais. A mulher não está aceitando qualquer coisa, ela prefere ficar sozinha do que mal acompanhada. O mundo mudou, e os relacionamentos também. A mulher moderna quer um relacionamento amoroso e sexual, já que ela não precisa mais de apoio financeiro e de proteção masculina. Com isso, aumentou o grau de exigência na escolha do parceiro certo.

SS - Para divorciados, o que é mais complicado? O medo de se envolver novamente ou os filhos atrapalharem esse nova relação?

Cláudya Toledo - Muitos divorciados nos procuram e estamos vivenciando uma fase em que existe uma nova família. Pessoas que voltam a se envolver e, ao morarem juntas, levam seus filhos de relacionamentos anteriores. Esta convivência pode ser difícil e botar em xeque o relacionamento. Por isso, criamos o conceito de ‘namorido’: o casal fica junto, mas cada um em sua casa. É como um casamento, com fidelidade e os mesmos compromissos, somente não moram juntos. A pessoa mantém sua individualidade, cria seus filhos, paga suas contas e conserva a privacidade da família. Isso também resolve conflitos de questões culturais e de costumes. Por exemplo: você gosta de andar pelada pela casa, mas o outro não concorda porque os filhos dele estão em casa.

SS - Você realmente acredita que existe uma pessoa para a vida toda? Um único amor, a alma gêmea?

Cláudya Toledo - Acredito sim. Não daria para trabalhar com isto se eu não acreditasse. Mas não é todo mundo que encontra a sua outra metade. As pessoas namoram, casam e passam anos com a mesma pessoa, mas acho que apenas 10% conhecem a sua alma gêmea. Existem três indicações para reconhecer a sua outra metade. A primeira é aquela sensação de já ter conhecido a pessoa quando você a vê, de achar que já esteve com ela em algum outro momento que você não consegue se lembrar. A segunda é quando, na presença da pessoa, você perde a noção de tempo, acha que está com ela 20 minutos, mas tem duas horas que vocês estão conversando. E a última é quando você sente naturalmente uma paz interior, uma calma que não consegue explicar, que o mundo poderia acabar naquele momento e você não se importaria.

SS - Há alguma história especial, de algum casal que você uniu, ou ajudou a mantê-lo junto, que merece ser mencionada?

Cláudya Toledo - Sabe aquele ditado: “A fila tem que andar”? Então, no mercado amoroso, se a fila ficar parada, nada vai acontecer. Todos nós temos que facilitar a vida dos outros, apresentar pessoas, fazer amizades, ir atrás, para se ter uma resposta positiva. Isso de “a fila tem que andar” me lembra uma história divertida: uma cliente nossa tinha 32 anos, era muito bonita e bem-sucedida. Mas como era filha única, o pai a atormentava porque ela ainda não tinha casado. Ele era dono de uma empresa de imóveis e resolveu fazer toda semana jantares com inquilinos que ele trabalhava e que ele achava que combinava com a filha. Então, toda semana, ela conhecia pretendentes que o pai arranjava. Embora ela se sentisse mal com isso, ele insistia e dizia que um dia ia dar certo. Um dia, a mãe dela me viu em algum programa dando uma entrevista e contou para ela. Ela, de saco cheio dos jantares do pai, resolveu se cadastrar na A2. Nas entrevistas iniciais ela contou que até queria casar, mas não tinha pressa, e que, na verdade, quem queria muito o casamento era o seu pai. Ela se interessou muito no terceiro candidato que mostramos para ela e começou a sair com ele. O namoro foi fluindo, mas ela não contou nada aos pais com medo da relação terminar e eles ficarem frustrados. Nesse período, o pai dela cismou que ela precisava conhecer um novo rapaz para quem ele havia vendido um imóvel. E ela sempre recusava. No final da história, quando ela foi conhecer o apartamento do namorado, descobriu que ele era o novo inquilino do pai, o mesmo que ele queria apresentá-la. Nesse caso, eu acho que o cupido nem fomos nós, mas, sim, o pai dela...

S&S – Algum conselho para quem está a procura de seu par?

Cláudya Toledo - Ninguém conhece seu príncipe encantado sem antes ter beijado uns sapos. Por isso, “faça a fila andar!” É bom também ficar atento ao tipo de pessoa que você atrai. Saia com alguém que goste de você, mesmo que não seja recíproco. Não custa nada almoçar, dar um passeio, só para você descobrir suas qualidades, e usar isto a seu favor. Analise também as pessoas que te interessam: o que elas têm em comum? Nos nossos encontros, tentamos traçar o perfil de cada um e ensinar como lidar com o que melhor se encaixa. Aprender a se relacionar é a chave para o sucesso, seja com o parceiro, com a família, com os amigos ou no trabalho. Uma pessoa bem relacionada é alguém com sucesso na vida e paz interior. E boas ondas amorosas!



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