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Flávio Gikovate
é médico formado pela
USP e trabalha com psicoterapia há
41 anos. Autor de 26 livros sobre conflitos
íntimos, que já venderam mais
de 6 mil exemplares, o ex-colunista da Folha
de São Paulo e da revista Claudia
– e que hoje comanda um programa na
rádio CBN no qual responde as dúvidas
dos ouvintes – nos ensina como ser
feliz a dois sem abrir mão da individualidade.
Solteiros e Solteiras -
Por que você diz que o amor romântico
está deixando de existir?
Flávio Gikovate
- Porque o individualismo contemporâneo
é incompatível com vínculos
possessivos e repressores típicos
do elo tradicional.
Solteiros e Solteiras -
O que está errado nas relações
atuais? Quais são os erros mais comuns
que casais insistem em repetir?
Flávio Gikovate
- O maior erro está na escolha dos
parceiros: as pessoas continuam a se encantar
por opostos e o que funciona na modernidade
é a aliança entre pessoas
semelhantes (tanto em caráter como
em gostos, projetos de vida e interesses).
É preciso boa auto-estima e maturidade
emocional para se envolver com pessoas parecidas
consigo mesmo.
Solteiros e Solteiras -
O ideal do amor, que possui caráter
possessivo, no qual se deve estar com a
pessoa amada todo o tempo possível,
segundo a sua opinião, vai contra
o princípio da individualidade. Porém,
e quanto ao desejo de ficar junto do outro?
Não se pode conservá-lo?
Flávio Gikovate
- É claro que sim, desde que ele
seja bilateral e nas doses do interesse
recíproco, ou seja, o que não
é mais possível é fazer
concessões não interessantes
o tempo todo. Quando ambos querem ficar
juntos é uma maravilha. Mas é
preciso que seja mesmo a vontade de ambos.
Solteiros e Solteiras -
Você afirma no livro que as pessoas
criam “fórmulas prontas”
para relacionamentos que são transmitidas
durante a educação. Uma destas
fórmulas, na qual você discorda,
é que a pessoa precisa primeiro se
amar para depois poder amar o outro. Por
que está idéia é equivocada?
Flávio Gikovate
- Porque no meu entender não existe
amor por si mesmo. Amor é o sentimento
que a gente tem por alguém que nos
proporciona a sensação de
aconchego e paz. Assim, amor é sempre
interpessoal, ou seja, depende da existência
de um objeto externo, objeto do nosso amor
(o primeiro objeto é nossa mãe
e os outros a substituem, um de cada vez).
Solteiros e Solteiras -
O filósofo alemão
Friedrich Nietzsche dizia que para uma pessoa
se relacionar com outra, ela precisaria
primeiro saber lidar consigo mesma e com
a solidão. O senhor concorda? Precisamos
nos entender primeiramente para só
depois nos envolvermos?
Flávio Gikovate
- Sim. É preciso antes de tudo aprender
a ficar bem consigo mesmo justamente para
não onerar o outro, para que o outro
possa ser visto como um parceiro, um companheiro
de viagem e não como alguém
que irá nos salvar do desamparo e
irá ser a nossa fonte de entretenimento
e também o remédio para todos
os nossos males.
Solteiros e Solteiras -
As pessoas pensam menos nos prós
e contras antes de se casarem? A facilidade
de casar e ‘descasar’ contribui
para o aumento do número de divórcios?
Flávio Gikovate
- Acho que não é por aí.
Acredito que as pessoas ainda pensam que
“basta” haver o sentimento amoroso
que o casamento será um sucesso.
É preciso pensar também de
forma racional, detectando os prós
e contras da relação e quais
serão as perspectivas futuras para
que se possa apostar para valer em uma relação.
É claro que a instituição
do divórcio tem levado as pessoas
a decisões um tanto levianas, ponderando
pouco antes de se comprometer.
Solteiros e Solteiras -
Na sua experiência profissional,
o ser humano tem caráter monogâmico?
Flávio Gikovate -
O homem não é naturalmente
monogâmico, mas suas experiências
de vida e também suas convicções
poderão levá-lo a agir assim.
Ou seja, não somos mamíferos
simples e temos razão e discernimento
para guiar nossas ações na
direção que nos parecer mais
legal.
Solteiros e Solteiras -
Para quem é mais difícil
lidar com a traição, homens
ou mulheres?
Flávio Gikovate
- As mulheres lidam melhor com a traição
sexual e ambos lidam muito mal quando ela
envolve elementos sentimentais.
Solteiros e Solteiras -
Por que as mulheres idealizam mais
e, por conseqüência, sofrem mais?
Flávio Gikovate
- Não é mais verdade! Homens
e mulheres podem sofrer muito por amor e
as decepções doem mais naqueles
que mais apostaram nos relacionamentos.
Ou seja, os mais generosos, que podem ser
homens ou mulheres.
Solteiros e Solteiras -
Os homens reclamam que as mulheres
tentam sempre mudá-los. Isto de fato
é uma característica feminina?
Como impedir que isso atrapalhe o relacionamento?
Flávio Gikovate
- Nos relacionamentos, homens e mulheres
tentam mudar seus parceiros: primeiro escolhem
alguém diferente e depois tentam
fazer com que eles se tornem semelhantes.
É claro que não irão
conseguir nada e ainda por cima irão
tumultuar muito o relacionamento com brigas
repetitivas e inúteis.
Solteiros e Solteiras -
Qual a relação entre
sexo e amor? Os homens lidam melhor com
o sexo sem sentimento e compromisso?
Flávio Gikovate
- Sim. Aliás, nem sempre têm
plena expressão sexual justamente
quando o envolvimento amoroso é mais
intenso, o que não costuma perturbar
as mulheres.
Solteiros e Solteiras -
Em seu livro você fala do
sexo como um fenômeno pessoal. A que
se deve este auto-erotismo? O que explica
o nosso desejo, quase que incontrolável,
em estar com o outro sexualmente?
Flávio Gikovate
- O desejo visual adulto próprio
dos homens os leva a buscar a aproximação
física das mulheres. Mas eles se
dão muito bem também na masturbação.
As mulheres se divertem menos com a masturbação
e buscam a intimidade física onde
trocam carícias tacteis que, para
elas, é algo mais importante do que
o visual.
Solteiros e Solteiras -
A liberdade, talvez desenfreada,
conquistada pelos jovens, tanto em direitos
quanto em independências sexuais e
financeiras, deixará que conseqüências
nas relações amorosas futuras?
Flávio Gikovate
- Aumentará a individualidade e isso
irá determinar relacionamentos mais
respeitosos da forma de ser e de pensar
de cada um. A liberdade sexual traz como
consequência o fim da excessiva preocupação
com este tema e a tendência é
mais do que tudo que o sexo se exerça
no seio do elo sentimental.
Solteiros e Solteiras -
Atendendo a máxima: nenhum
ser humano é uma ilha, como seria,
então, o relacionamento ideal?
Flávio Gikovate
- O que seja mais parecido com as amizades:
lealdade, companheirismo, respeito pelas
diferenças. Casais que estão
juntos sempre que esta for a vontade de
ambos e para fazerem atividades de interesse
recíproco. É a isso que chamam
de amor, ou o romance típico, do
século XXI.
Para conhecer mais o autor
e suas obras, acesse www.flaviogikovate.com.br
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