|
Solteiros e Solteiras - Na peça
“Os homens são de Marte, e
é pra lá que eu vou”
você vive uma solteirona de 35 anos
a procura de um companheiro. A personagem
diz que basta um homem ser educado que ela
se apaixona. O que você acha que as
mulheres estão buscando nos homens
hoje?
Mônica Martelli -
Companheirismo, cumplicidade, amizade. Homens
que nos incentive na nossa carreira profissional
e que entendam que não estamos buscando
um provedor, mas sim um amor por inteiro.
Antigamente, as relações eram
baseadas na dependência financeira,
nos filhos e no afeto. Hoje elas se baseiam
mais no afeto. Não está melhor
assim?
S e S - Todos os dilemas relatados
na sua peça foram vividos por você
na vida real. O que você quer mostrar
para as pessoas?
Mônica - A grande
mensagem do texto é “seja você
mesma”. Quando estamos no nosso melhor
e quando somos espontâneas, nós
brilhamos. E se brilhamos, o outro se apaixona.
Outra mensagem do texto muito importante
é que todo mundo passa por dificuldades
para encontrar um amor: altas, baixas, gordinhas,
magrinhas...
S e S - Sua peça foi um
fenômeno de público. Por que
você acha que ela fez tanto sucesso?
Mônica - Tudo que
passei quando estava solteira coloquei no
texto. Todas as angústias, as alegrias,
as tristezas, os medos e as expectativas
estão lá, no palco. Como é
tudo muito real, o sucesso vem dessa verdade...tanto
homens, quanto mulheres se identificam muito.
S e S - Você acha que ainda
existem muitas “Fernandas” por
aí?
Mônica - E como!!
Vejo isso toda semana no público
que lota o teatro. É a busca do amor.
A peça fala do amor e da busca dele.
É um tema atemporal. As “Fernandas”
existem e sempre existirão, faz parte
da caminhada, é um período
das nossas vidas. E, quando encontramos,
não termina, nunca termina. Começamos
outro tipo de busca. Compreender as diferenças,
aprender a viver a dois ... Nada é
fácil, mas isso já é
história para uma outra próxima
peça.
S e S - A personagem se diz “contra”
ao sexo no primeiro encontro. O que você
pensa sobre o assunto?
Mônica –
Acho que não existe regra para isso.
Transar ou não na primeira vez é
muito relativo. Na peça, a personagem
sempre diz que não vai transar no
primeiro encontro e acaba transando. No
fim da peça ela resolve não
transar e acaba acertando. E não
porque simplesmente não transou,
mas porque ela saiu do lugar da “escolhida”
e passou a escolher, seguiu seus sentimentos.
Então, transar ou não depende
do que cada um está sentindo no momento
e, principalmente, do respeito a esse sentimento.
S e S - Todo o homem que a personagem
encontra ela acha que é o amor da
vida dela. Você acredita que isso
é um erro nas relações
de hoje?
Mônica – Quando
se tem muita expectativa, a chance de dar
errado é grande porque as pessoas
fantasiam muito. Mas, como tudo na vida
tem o lado bom e o lado ruim, o bom é
que a “Fernanda” não
tem medo do amor, se joga nele a cada encontro.
É claro que, com isso, a pessoa acaba
se machucando muito. Mas, quando se fala
de amor, a dor vem junto. Acho pior quem
se defende do amor e tem muitas dificuldades
de entrar numa relação.
S e S - Como é o homem do
século XXI? Eles mudaram muito?
Mônica – O
homem do século XXI está correndo
atrás dessa mulher independente,
mais exigente e que deseja do lado um homem
mais inteiro, mais amigo, mais cúmplice.
Eles estão tendo que mudar. Tem muitos
homens legais por aí. O problema
é que as vezes eles estão
do nosso lado e não temos olhos para
eles.
S e S - Você acredita que
estar solteira é um aprendizado?
Mônica –
Em alguns momentos, quando estamos solteiras,
achamos que é um castigo. Mas depois,
quando tudo passa e estamos casadas, vemos
que por alguma razão tínhamos
que passar por tudo aquilo. Faz parte da
história de cada um.
S e S - A personagem da sua peça
indica lugares diferentes – até
mesmo lojas de construções
- para encontrar o par ideal. Qual o lugar
ideal?
Mônica –
No desespero, pensamos em lugares diferentes
para ver se acontece alguma coisa mas, na
verdade, não existe regra. Você
pode encontrar o amor em uma festa infantil
ou no caixa de um supermercado. Eu nunca
me dei bem em festas e baladas. Mas a minha
irmã conheceu o marido dela numa
festa. Tudo é muito relativo. Mas,
geralmente, encontramos quando não
estamos na caça desesperada.
S e S - Os homens são de
Marte, e é pra lá que você
vai?
Mônica –
Graças a Deus encontrei meu amor
aqui na Terra mesmo! Mas, na época,
se eu precisasse ir a Marte eu iria, com
certeza. Era só ter passagem...
|