 |
Alterações hormonais e emocionais,
calor fora do comum, mudanças na
libido. Os sintomas da menopausa podem variar
muito de mulher para mulher. Para a sexóloga
Mara Pusch, do Projeto Afrodite (SP), a
falta de informação é
um dos principais agravantes dessa fase
da vida. Na maioria dos casos, as mulheres
precisam de ajuda médica para o resgate
da libido, da auto-estima e do prazer.
Solteiros
e Solteiras - Quais as principais queixas
das mulheres que procuram o Projeto Afrodite?
Mara Pusch - 50% das
mulheres que atendemos – com idade
média de 59 anos - chegam com alguma
queixa sobre a menopausa. Em um levantamento
realizado entre janeiro de 2005 e agosto
de 2007, constatamos que 47% das mulheres
tinham diminuição do desejo
sexual e 18% tinha dificuldade de atingir
o orgasmo. Das mulheres avaliadas, 78% eram
casadas e 22% faziam sexo mais de quatro
vezes ao mês. A conclusão a
que chegamos é que parte das pacientes
superpõe duas ou mais queixas sexuais
e raramente sabe indicar qual foi a que
apareceu primeiro. Mas quando ocorre a diminuição
da libido, a maioria procura atendimento
médico.
SS – Mito ou verdade: a
menopausa interfere ou não na sexualidade?
Mara - São muitas
as questões que interferem no exercício
da sexualidade e as mulheres atendidas pelo
projeto se percebem envolvidas em uma série
de transformações para as
quais não se sentem preparadas: seus
corpos envelhecem e, com o fim da menstruação,
sinalizam que já não são
mais férteis. Por isso, a forma de
vivenciar a sexualidade, antes associada
à procriação, precisará
ser repensada.
SS – Como vocês avaliam
os resultados dos tratamentos?
Mara - No início
do tratamento, aplicamos alguns questionários
que avaliam qualidade de vida, depressão
e vida sexual. Ao final do tratamento, eles
são reaplicados e, na maioria dos
casos, os resultados são positivos.
Além disso, tem-se o relato verbal
das pacientes, o que é muito motivador
para nós, profissionais. No ano passado,
realizamos um trabalho fotográfico
com mulheres pós tratamento e o resultado
está no rosto de cada uma, com a
auto-estima elevada, mais femininas e atraentes
sexualmente.
SS – Quais são as
dúvidas mais comuns que as mulheres
têm em relação ao próprio
corpo?
Mara - Entre janeiro
e julho de 2006, o setor de sexualidade
feminina da Unifesp-EPM realizou uma pesquisa
com mulheres que esperavam ser atendidas
no consultório médico. As
perguntas eram “Você sabe onde
fica o clitóris?” e “Aponte
na figura ao lado e diga a sua função?”.
Foram aplicados 42 testes em mulheres com
idade média de 50 anos. Os resultados
mostraram que 71,42% das mulheres não
conheciam a função do clitóris
e 57,14% não sabiam localizá-lo.
Culturalmente, as mulheres não foram
incentivadas a se tocarem e a conhecerem
o seu corpo, habituando-se a poucos conhecimentos
relacionados à procriação.
Se elas não se tocam e não
sabem o que lhes dá prazer, a probabilidade
de virem a desenvolver uma disfunção
sexual é grande.
SS - Qual a mensagem que gostaria
de deixar para esse grupo de mulheres que
estão no climatério?
Mara - A idéia
de que as pessoas perdem sua habilidade
sexual à medida que envelhecem não
passa de uma grande mentira. A verdade é
que o sexo, assim como várias atividades,
vai se tornando menos necessário
com a idade. Esse mito, no entanto, é
“alimentado” pela desinformação
e pela má interpretação
das inevitáveis mudanças fisiológicas
que ocorrem nos indivíduos de mais
idade. Na maior parte das vezes, o fracasso
sexual é induzido pelo pessimismo
e pela ansiedade gerada pela má informação.
O fato de haver uma diminuição
na freqüência das atividades
sexuais não significa fim da expressão
ou do desejo sexual. Em pessoas mais jovens
existe uma grande preocupação
com a quantidade de atividades sexuais;
em idades mais avançadas essa noção
de quantidade deve e pode sadiamente ser
substituída por qualidade.
SS – Mas as mulheres não
têm consciência disso...
Mara - As mulheres "na
melhor idade" sofrem inúmeras
preconceitos. A sociedade designa a mulher
e o homem dessa fase como incapazes de exercerem
sua sexualidade, ainda que o desejo sexual
se mantenha presente em todas as fases da
vida. É bom lembrar que a afetividade
é fator determinante do processo
de envelhecimento saudável. As mulheres
da terceira idade consideram o namoro neste
período como a melhor coisa da vida.
E esse namoro pode ser traduzido como carinho,
cuidado e zelo. Por isso, muitas vezes,
o fato de passear, andar de mãos
dadas e beijar é tão prazeroso
quanto o sexo é pra outras. Talvez
o mais importante é não ter
regra com o significado de prazer. Aos poucos,
a mulher vem enfrentando estes medos e preconceitos
e, conseqüentemente, mudando esse “modelo”.
PROJETO
AFRODITE
Como funciona:
"O Projeto Afrodite funciona
no departamento de ginecologia
endócrina da UNIFESP,
em São Paulo, desde março
de 2005. As pacientes são
avaliadas por médicos,
psicólogos e fisioterapeutas
e podem ser submetidas a diversas
formas de tratamento: reposição
hormonal, exercícios
para musculatura vaginal, terapia
de grupo, terapia de casal,
entre outros”.
Como participar:
“As mulheres que têm
interesse devem comparecer ao
Afrodite e marcar uma consulta
pessoalmente. Elas passam por
uma triagem com uma ginecologista
para termos uma idéia
da queixa sexual e de seu histórico
ginecológico. Nesta consulta,
também serão solicitados
exames complementares. A paciente
é convidada a assistir
a uma palestra sobre anatomia
feminina e masculina, disfunções
sexuais e o papel dos tratamentos
em cada uma das especialidades.
Depois, ela passa por uma anamnese
(entrevista) psicológica
e de fisioterapia e é
encaminhada para o tratamento
mais indicado”.
|
|
Dicas:
• Aprenda a gostar de si, mesmo
com o novo peso, com a nova textura de
pele ou com a cor grisalha dos cabelos.
Ame-se incondicionalmente;
• Pratique exercícios físicos:
pode ser caminhar com as amigas, aprender
uma dança de salão ou praticar
hidroginástica, pois além
de controlar o peso, o exercício
é um antidepressivo natural, que
produz a sensação de bem-estar
e conseqüentemente melhora a oscilação
de humor;
• Realize atividades que aliviem
o estresse. A terceira idade pode ser
um ótimo momento para se inscrever
num curso de pintura, jardinagem, yoga,
entre outras. O importante é que
seja uma atividade prazerosa;
• Tenha objetivo, dê prazos
e vá em busca. Pode ser uma viagem
para conhecer um lugar novo ou até
mesmo ir ao cinema ver aquele filme que
te chamou atenção;
• Cultive as amizades, tenha vida
social, não se tranque em casa;
• Namore sem ter vergonha de sua
idade, aproveite para se sentir amada
e desejada e, é claro, para curtir
sua vida sexual, sem preconceitos;
• Lembre-se: a menopausa não
deve ser encarada como uma barreira, mas
sim como uma das fases de vida da mulher.
E, se existem tratamentos que amenizem
os sintomas, por que não lançar
mão deles?
Serviço:
Projeto Afrodite
Rua Embaú, 66 - Vila Clementino,
São Paulo - SP
Mais informações (11) 5549-6174
|
 |