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Solteiros e Solteiras - Mari, você
e outras mulheres escrevem textos no blog
Saia
Pelo Mundo da revista Viagem&Turismo.
Que assuntos são tratados neste blog?
Mari Campos - É um blog muito legal,
do qual tenho muito orgulho de fazer parte.
São tratados assuntos típicos
de mulheres-viajantes. Não há
como negar que mulheres têm particularidades
ao viajar, sozinhas ou não. Lá
são publicados textos mais pessoais,
sobre algum destino específico ou
sugestões de locais, histórias
pitorescas que aconteceram em viagens etc.
Os meus textos no blog são mais focados
em mulheres que viajam sozinhas: como ir,
que cuidados tomar, como lidar com os preconceitos
(seus e dos outros), que destinos são
legais, histórias pessoais. Claro
que ninguém viaja SEMPRE sozinha,
mas normalmente temos mais receios ao viajar
sozinhas que acompanhadas, não é?
Solteiros e Solteiras - Em seu
blog pessoal você também
fala de viagens e turismo. Qual o conceito
básico dos seus textos?
Mari Campos - Na verdade
meus textos são relatos pessoais
das minhas viagens para que amigos e leitores
conheçam o que achei bom e o que
achei ruim em cada destino, em cada hotel,
em cada serviço. Viajar é
minha grande paixão. Também
procuro postar as novidades do setor, como
uma agência de viagens feita exclusivamente
para mulheres, novas comunidades internacionais
de viajantes, novos serviços em cidades
legais etc. São textos pessoais,
mas com o conceito primordial de serem informativos,
nada comerciais.
Solteiros e Solteiras - Alguns
dos seus textos levantam questões
que além de verdadeiras, são
um pouco cômicas, como ir a Paris
– uma cidade que exala romance –
sozinha, o estigma de que toda brasileira
é ‘boazuda’, jantar sozinha
em algum restaurante badalado, entre outras.
Como enfrentar estas situações?
Mari Campos - Eu fiquei
muito sem graça na primeira vez que
fiz todas essas coisas. A gente sempre acha
que o povo está reparando que estamos
ali sozinhas. Sendo bem franca? Aqui no
Brasil reparam, e muito; mas no exterior
ninguém dá a menor bola. Há
uma infinidade de mulheres viajando sozinhas
por aí e, uma vez que você
se dá conta disso, fica tudo muito
mais fácil. Passei a pensar o seguinte:
viajar é meu melhor prazer, então
como é que eu vou ter prazer nas
minhas férias se não aproveitá-las
de verdade? Vou ficar fechada dentro de
um quarto de hotel, do outro lado do mundo?
Nem pensar! Acho que a técnica é
concentrar-se no que você está
fazendo e não no que estão
pensando. Aproveite cada prato da sua refeição
num restaurante bem legal, dance aquela
música que você adora na balada,
tome um drink bacana no balcão do
bar (sempre vai ter alguém legal
do lado para bater papo) etc. Eu costumo
dizer, por experiência, que só
fica sozinha em viagem quem quer –
a gente arruma gente legal pra conversar
no avião, na fila do banheiro, no
banco da praça, na entrada do museu,
tomando um café, em qualquer lugar.
O bom de viajar sozinha é poder escolher
quando quer ter companhia. E, quanto ao
assédio, são raros os locais
onde isso chega a incomodar; na maioria
das vezes, é só não
dar ouvidos que passa.
Solteiros e Solteiras - Com tantas
viagens que você faz sozinha não
bate uma insegurança? Medo de ir
para algum lugar sem ninguém conhecido
por perto?
Mari Campos - Eu geralmente
viajo para lugares onde não há
ninguém conhecido. Nunca vou para
ficar na casa de alguém, sabe? Mas
conhecendo ou não o lugar, os cuidados
são os mesmos – não
dar bobeira, segurar bem a bolsa, não
andar em lugares desertos ou muito escuros.
Não conheci ainda nenhum lugar que
achasse menos seguro que as metrópoles
brasileiras. É só estar sempre
atenta.
Solteiros e Solteiras - Quais as
maiores dificuldades que um viajante sozinho
pode enfrentar, principalmente as mulheres?
Você tem algum caso interessante para
contar?
Mari Campos - A maior
dificuldade que um viajante solitário
enfrenta é o custo. Sério,
viajar sozinho custa muito caro. Você
não tem ninguém pra dividir
a conta do restaurante, do táxi pro
aeroporto, do quarto do hotel. Conheço
pouquíssimas pessoas que tiveram
algum percalço ou foram assaltadas
porque estavam sozinhas – essas coisas
acontecem quando a gente relaxa na segurança;
e isso, convenhamos, é mais comum
acontecer quando estamos acompanhados do
que sozinhos. Para mulheres, o que acontece
o tempo todo é o assédio,
principalmente ao saberem que somos brasileiras.
Mas, como eu disse antes, se não
estiver gostando, é só cortar
a conversa logo de início. E, claro,
tem que deixar alguém em casa sabendo
do seu itinerário, para o caso de
algum problema. Deixar com um amigo ou parente
o telefone do hotel/albergue onde estará
hospedado, manter o seguro saúde
sempre com você, com um telefone de
emergência de alguém de família
e coisas do gênero.
Solteiros e Solteiras - Quais são
as vantagens de viajar sozinho?
Mari Campos - A viagem
que fazemos sozinhos é uma experiência
pessoal muito maior. Absorvemos mais tudo
que está ao nosso redor porque não
temos com quem dividir esses momentos. Então
costumam ser ótimas oportunidades
para refletir, repensar a vida, fazer planos.
Você faz os seus próprios horários,
come na hora que quer, fica quanto tempo
quer no museu, vai aonde tem vontade naquela
hora – é absolutamente senhor
do seu tempo. Tenho amigos, casados, que
uma vez por ano ainda viajam por uma semana
separados para que cada um continue tendo
realmente um tempo só pra si mesmo
no ano. Isso não tem preço.
Sem contar que viajando sozinhos estamos
mais abertos a conhecer outras pessoas –
o mundo está repleto de viajantes
solos. Com tantas atrações
interessantes no mundo, é difícil
alguém se sentir frequentemente solitário
em uma viagem. E, se bater a solidão,
sempre existe um skype ou msn para trazer
os amigos e a família mais para perto
– ou um blog, que é uma excelente
maneira de fazer as pessoas viajarem com
você.
Solteiros e Solteiras - Das viagens
que você já fez, quais foram
as mais marcantes?
Mari Campos - Sempre que
me fazem essa pergunta eu patino, porque
gostei de todas as minhas viagens! Se tiver
que escolher um destino apenas, escolho
a Tailândia porque lá tem tudo:
praias paradisíacas, gastronomia
maravilhosa, povo encantador, história,
templos impressionantes e ainda por cima
é muito barata. Mas também
sou apaixonada por Paris e pela Espanha
– acho que toda viagem que passa pela
Europa tem que ter escala em Paris e me
identifico muito com o ritmo de vida dos
espanhóis. Também foi muito
impressionante fazer um cruzeiro pelos fiordes
noruegueses, vendo o sol da meia-noite,
assim como navegar pelo rio Amazonas, entre
inúmeras canoas de índios
– são aquelas coisas que todo
mundo devia fazer uma vez na vida.
Solteiros e Solteiras - O que todo
solteiro quer saber é: sozinho pelo
mundo dá para encontrar um amor?
Você já teve experiência
em se envolver com alguém durante
a viagem ou conhece alguém que tenha
passado por isto que possa dividir com a
gente?
Mari Campos - Eu acho
que é possível encontrar um
amor em qualquer lugar, seja do lado de
casa ou do outro lado do mundo; mas não
se pode, de maneira nenhuma, viajar nessa
expectativa. A viagem tem que ser um processo
pessoal, para crescimento, e não
uma busca pelo outro.
Solteiros e Solteiras - Qual destino
você indica para os solteiros que
querem diversão e muita paquera?
E quais dicas são essenciais para
quem está indo viajar pela primeira
vez?
Mari Campos - As dicas
para quem está indo viajar sozinho
pela primeira vez são: desencane
e aproveite! Mantenha o olho atento para
a questão da segurança, mas
mergulhe por inteiro em todas as experiências
e lugares que fizerem parte de sua viagem.
Diversão e paquera podem acontecer
em qualquer lugar: nas praias mais agitadinhas
da Tailândia, como Phuket; na vizinha
boêmia Buenos Aires; nas míticas
ilhas gregas, como Mikonos; ou nas incansáveis
Madri, Barcelona, Londres e Nova York. Uma
sugestão especial é a adorável
Salamanca, na Espanha – é uma
cidade de estudantes, sejam eles jovens
universitários ou pós-graduandos,
mestrandos e doutorandos. A cidade tem também
inúmeros cursos de espanhol de boa
qualidade e fiestas todo dia, a preços
baixíssimos - a gente faz amizades
num piscar de olhos, gastando muito pouco.
Solteiros e Solteiras - O que não
pode faltar na mala de um solteiro?
Mari Campos - As mesmas
coisas que não podem faltar na mala
de um casado! Assim como para os acompanhados,
uma necessaire completíssima e um
kit de farmacinha com seus remédios
usuais são fundamentais. E lembre-se:
nada de levar mala muito pesada que não
vai ter ninguém para te ajudar a
carregá-la por aí!
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