|
Para
amenizar a dor da solidão, pessoas
investem em relacionamentos vazios, sem
amor, sem futuro e sem respeito. A solução
para esse mal é simples: auto-conhecimento
e amor próprio.
Para
manter as aparências, ter uma companhia
constante ou esquecer um amor não
correspondido, homens e mulheres investem
em qualquer tipo de relacionamento, mesmo
que não haja amor. Nem sempre o resultado
é o desejado e, muitas vezes, ambos
os envolvidos podem se machucar. No entanto,
o medo da solidão e a insegurança
fazem com que o comportamento se repita.
Roseli* tem um amor,
mas não é correspondida. Começou
a ficar com outra pessoa por diversão
e o caso acabou em namoro. “Não
o amo, continuo apaixonada pelo outro. Mas
o atual me trata bem e agora tenho medo
de magoar essa pessoa tão legal”,
afirma a analista de contratação.
O relacionamento já dura um ano e
é baseado na sinceridade. “Ele
sabe que não sou apaixonada, mas
acha que vai conseguir me conquistar. Mas
eu duvido”, avisa Roseli.
A psicóloga
Débora Targiano afirma que pessoas
como Roseli buscam segurança e, muito
provavelmente, não têm auto-estima
elevada. “Muitas pessoas se aventuram
numa relação em que o parceiro
ofereça carinho e proteção,
porém essas pessoas costumam não
se satisfazer por inteiro, pois não
há um vínculo maior de afeto
e prazer”, afirma a psicóloga.
Diferentemente de
Roseli, que afirma que não é
o medo de ficar sozinha que a motiva a manter
o namoro, Carla* não se intimida
e confessa que odeia ficar solteira. “Já
aconteceu muitas vezes. Às vezes
eu percebia que me enganava, fingindo que
gostava da pessoa só para justificar
o relacionamento”, conta.
Débora ressalta
que o medo da solidão é inerente
a qualquer ser humano. “Todos temem
o medo da rejeição. E muitas
pessoas ‘apelam’ para relacionamentos
afetivos desgastantes apenas para evitar
a dor da solidão. Não há
uma fórmula única para se
encarar a solidão. O que costumo
dizer é que a pessoa não deva
temer o medo de vivenciar esse momento.
Aparentemente o ‘estar sozinho’
só traz dor e sofrimento, porém
pode trazer bons aprendizados e amadurecimento
pessoal”, ensina.
Carla namorou seis
anos – uma pessoa que gostava –
mas há três anos acumula “rolos”
que nunca duram mais de três meses.
“Minhas amigas estão namorando,
estou enjoada de ir para a night.
Aí prefiro namorar qualquer um do
que ficar sem ninguém”, afirma.
Há cinco meses está “enrolada”
com uma pessoa por quem está apaixonada,
mas não é correspondida na
mesma intensidade. “Sei que ele não
está tão envolvido como eu,
mas aceito a situação porque
não quero perde-lo e nem ficar sozinha”,
confessa.
Débora aconselha
Carla a aprender a conviver com o fator
de ser só. “Todo ser humano
é solitário. Não existe
uma pessoa que nos complete por inteiro,
nós é que acreditamos nisso
para poder dar a impressão de que
alguém irá nos satisfazer
e nos entender plenamente. Isso é
humanamente impossível”, ressalta
a psicóloga.
Para quem está cansado de embarcar
nesses relacionamentos, a psicóloga
dá a dica: “É preciso
que haja um processo de auto-conhecimento.
As pessoas devem se amar mais também.
E quando investir em uma nova relação,
ela deve ter em mente de que apenas será
o companheiro de jornada de vida de uma
outra pessoa e não aquela pessoa
que estará com ela, que será
o seu ‘salvador’, acabando de
uma vez por todas com todas as suas insatisfações”,
finaliza.
* alguns nomes
desta reportagem foram trocados a pedido
das entrevistadas.
|