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Enfrentar momentos de solidão, críticas
de pessoas da família e o sentimento
de desconfiança. Quilômetros
de distância separam muitos casais
pelo mundo, porém não impedem
a possibilidade deles encontrarem a felicidade
no amor.
Têm tantos casais que moram
perto e mesmo assim não dão
certo, então por que culpar a distância
por um relacionamento mal-sucedido? Segundo
Sílvia Moreira, proprietária
da agência de namoro Cara Metade,
a paixão pode não resistir
a distância, mas o amor verdadeiro,
sim. Quando a base de um relacionamento
consiste em confiança, é preciso
acreditar na itensidade do que um sente
pelo outro, embora, segundo ela, existam
outros empecilhos que atrapalham a união,
como a situação financeira
e a família. “Nem todos podem
se dar o luxo de mudar na hora que querem
e a possibilidade de deixar um emprego estável
também pesa muito”, comenta.
“Para casais novos, o problema vem
com os pais e, para casais mais velhos,
com os filhos”.
A estudante de administração
Valéria Gaia, 19 anos, apesar de
ser nova, tem uma história de amor
que venceu barreiras. Ela namorou por um
ano e onze meses o canadense Sargon Tabbakh,
que morava no Brasil por causa dos negócios
de família, até ele voltar
para o Canadá. “No final de
2006, ele teve que voltar para o seu país
de origem. Foi uma das piores épocas
da minha vida. É horrível
a gente ver a pessoa que ama ir para muito
longe de você. Passa tudo na sua cabeça:
o quê fazer agora? Como vai ficar
o relacionamento?”, conta. Depois
da separação, eles decidiram
“dar um tempo” na relação,
mas o sentimento ficou ainda mais forte.
“Conversamos sobre o nosso namoro
e, por um tempo, a relação
ficou meio indefinida até realmente
cada um ter certeza do que sentia pelo o
outro. O tempo foi passando e resolvemos
levar a sério. Eu o amo e ele me
ama. Para quê complicar as coisas?”.
Valéria trabalhou
o ano passado todo para poder juntar dinheiro
e ir para o Canadá. “Comecei
a economizar dinheiro e comprei as passagens
parceladas. No final do ano, arrumei minhas
malas e fiquei lá duas semanas. Passei
o Natal e o Ano Novo longe da minha família
só para poder aproveitar nossas férias
juntos”, acrescenta. Para quem vive
situação parecida, ela dá
um conselho: ”Só vale a pena
investir quando se tem certeza que é
o amor da sua vida. Eu só estou investindo
porque não consigo viver sem ele”,
afirma.
Do alto de sua vasta experiência
em unir casais, Silvia também diz
que é preciso saber diferenciar amor
de carência e, se houver reciprocidade,
é possível que dê certo,
mas é preciso paciência. “É
necessário ir com calma. Nada de
já sair arrumando as malas. No início,
um pode visitar o outro em feriados e férias”,
conclui.
Já para a jornalista
Hanna Wajsfeld, 24 anos, o final da história
foi outro. Ela conheceu o administrador
Jeffrey Tarven quando foi fazer um intercâmbio
na cidade de Lutsen, nos Estados Unidos,
mas depois que voltou para o Brasil a distância
esfriou o namoro. “Conheci o Jeffrey
um mês depois de chegar lá.
Ficamos três meses juntos e, quando
voltei para o Brasil, nos falávamos
muito mais no início. Agora, raramente
nos falamos, mas mandamos notícias
por email”, conta. A relação
acabou, mas eles continuam amigos e ainda
esperam se encontrar de novo. “Quando
eu tenho um problema ou uma novidade muito
boa, faço questão de contar
para ele e vice-versa”, acrescenta.
Quanto a casais que se conhecem
pela internet, é preciso ter mais
cuidado. De início não se
pode acreditar em tudo que o outro diz,
sem nem ao menos conhecê-lo. O psiquiatra
Dr. Eduardo Ferreira alerta para as pessoas
que só conseguem ter um relacionamento
apenas a nível virtual: “O
perfil desta pessoa é o de alguém
que não quer ou não consegue
estabelecer algo real. Neste caso, são
indivíduos inseguros, pessoas com
transtornos de ajustamento, fóbicos
e com personalidades disfuncionais”.
Na sua opinião, quando se trata de
uma situação saudável,
a relação virtual é
apenas o primeiro passo para se estabelecer
uma relação real. Cabe aos
parceiros se dedicarem ao relacionamento.
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