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Mais bem posicionadas no mercado de trabalho,
as mulheres também assumiram novos
papéis dentro de casa por força
da superioridade financeira. Mas, e eles,
como reagem?
A jornalista Joana Costa, de 31 anos,
conta que ganha cinco vezes mais que o marido
há, pelo menos, dois anos. No início
da relação, há seis
anos, a história era bem diferente.
Ainda estudante, Joana não contribuía
com as despesas da casa. “Quando fomos
morar juntos, ainda não tinha concluído
a faculdade e não tinha condições
de contribuir. Todos os custos eram arcados
por ele. Depois que me formei, criei um
projeto na minha área, do qual sou
idealizadora e líder, que me dá
um retorno financeiro alto o suficiente
para pagar todas as nossas despesas. Com
as mudanças do mercado, o salário
dele ficou menor e irrelevante, se comparado
ao meu e ao da nossa receita mensal”,
revela a jornalista.
Apesar das diferenças
da conta bancária, Joana conta que
ela e seu marido enfrentam a situação
com naturalidade e despreendimento. “Ele
admite que minha ascensão foi rápida
o suficiente para superar a posição
dele no mercado e se sente orgulhoso, afinal,
foi ele quem me deu o respaldo final para
concluir os estudos”, explica Joana,
que teve os início da faculdade custeado
pelo pai.
Apesar da situação
não causar desconforto entre o casal,
entre os familiares, a reação
é um pouco diferente: “Existe
uma cobrança, principalmente da minha
família. Tem aquele discurso de que
eu trabalho muito mais e de que ele deveria
buscar outras fontes de renda para complementar
o salário dele e me poupar”,
conta Joana.
O fato de o homem sempre
ter ganho mais do que a mulher ainda é,
realmente, o motivo que estimula o preconceito
social quando esses papéis se invertem.
Que o diga o casal de namorados Eduarda
e Francisco, de 34 e 38 anos: “Meus
pais ficam mais incomodados que o deles.
Quando vamos à festas, shows e teatros
sempre escuto um comentário, pois
eles sabem que estou pagando tudo para nós
dois”, conta Eduarda. Mas o investimento
na relação com Francisco vai
muito além dos custos de diversão
da dupla: ela banca um curso de inglês
e o plano de saúde do namorado. “A
família dele é muito grata
a mim. Sei que é um momento que ele
está passando. Logo, logo, estará
com um bom salário”, conta
Eduarda.
No início do namoro,
Francisco trabalhava nos negócios
da família e estagiava como estudante.
Com o tempo, os negócios faliram
e ele perdeu o emprego. Eduarda se formou,
conseguiu um emprego e o cenário
do casal mudou completamente. “Entre
nós dois não existe problema
quanto ao fato de eu ganhar mais do que
ele. No início, quando ele ficou
sem o emprego, ainda havia um certo incômodo,
mas sempre fiz questão de mostrá-lo
que essa situação é
passageira” , conta.
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